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Entries by tag: inventários

inventário
rosas
innersmile
Como passei a maior parte do ano internado no hospital ou de baixa em casa, sem energia ou mesmo possibilidade de sair, este ano não há oportunidade para grandes balanços.

De qualquer forma, pelo menos no princípio do ano consegui ver uma excelente peça de teatro e uma mão cheia de filmes interessantes. Aqui fica lista.

Teatro

Actores, encenada por Marco Martins, e com o Bruno Nogueira, o Nuno Lopes, o Miguel Guilherme, a Rita Cabaço e a Carolina Amaral. No TAGV.

Cinema

Star Wars, The Last Jedi, de Rian Johnson
The Greatest Showman, de Michael Gracy
Three Billboards Outside Ebbing, Missouri, de Martin McDonagh
The Post, de Steven Spielberg
Call Me By Your Name, de Luca Guadagnino
Phantom Thread,de Paul Thomas Anderson
Film Stars Don’t Die in Liverpool, de Paul McGuigan
The Florida Project, de Sean Bake
Lady Bird, de Greta Gerwig
Ready Player One, de Steven Spielberg
Mission: Impossible, Fallout,de Christopher McQuarrie

Por outro lado, tive muito tempo para ler, e, felizmente, não me faltou a disposição e a concentração necessárias para a leitura, tirando breves períodos em que não o conseguia mesmo fazer, como os pós-operatórios ou os momentos em que as infecções atacaram com mais força.

Não me lembro, em anos mais recentes, de ler tantos livros como neste que agora termina. Li livros de alguns dos meus autores preferidos (Rubem Fonseca ou Graham Greene, por exemplo), descobri uma nova escritora nórdica de policiais (a Sara Blaedel), fiz, ainda que poucas, releituras, li óptimas autobiografias.

Mas sobretudo li muitas bandas desenhadas e novelas gráficas. Não apenas porque era uma leitura que exigia menos compromisso nos momentos mais complicados, mas sobretudo porque descobri dois autores maravilhosos,que despertaram em mim a vontade de ler tudo o que escreveram e desenharam: Miguelanxo Prado e, principalmente, Jiro Taniguchi. Os livros do mestre japonês de mangá foram mesmo uma das poucas coisas boas que me aconteceram este ano, e muitas vezes a beleza das histórias, a sua natureza contemplativa e introspectiva, e uma espécie de sabedoria emocional profunda, me ajudaram a ultrapassar momentos verdadeiramente difíceis.

Público a seguir as capas dos meus cinco livros preferidos de 2018, e depois a lista completa dos livros lidos, agrupados por géneros, línguas, e afinidades afectivas.



Livros

Eugénio Lisboa, Acta Est Fabula - Epílogo
Afonso Cruz, Jalan Jalan
Pedro Rolo Duarte, Não Respire
Rita Ferro, A Menina É Filha de Quem? (no Kindle)
José Saramago, O Último Caderno de Lanzarote

Rubem Fonseca, O Selvagem da Ópera
Rubem Fonseca, O Seminarista (no Kindle)
Eduardo Pitta, Persona (releitura)
Isabela Figueiredo, O Meu Tio
Afonso Reis Cabral, Uma História de Pássaros
Mia Couto, Mulheres de Cinza
Mia Couto, A Espada e A Zagaia
Mia Couto, O Bebedor de Horizontes
José Eduardo Agualusa, Vendedor de Passados (no Kindle)
Mário de Carvalho, Burgueses Somos Nós Todos ou Ainda Menos
Carlos Ademar, Na Vertigem da Traição
Luís Rainha, Adeus.
Germano Almeida, O Testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo
Nuno Oskar, Todo Teu - Aniversário (no Kindle)

Adília Lopes, Estar em Casa
Alberto de Lacerda, Labareda
Joaquim Manuel Magalhães, Para Comigo

John Boyne, The Heart's Invisible Furões (no Kindle)
Alan Bennett, The Complete Talking Heads
Jerome K. Jerome, Three Men On A Boat (releitura, no Kindle)
Haruki Murakami, Do Que Eu Falo Quando Eu Falo de Corrida (no Kindle)
Haruki Murakami, A Rapariga Que Inventou Um Sonho
Dawn French, Oh Dear Sylvia
Melissa Pimentel, Procura-se Homem (Sem Compromisso)
ET Ville, Bump This (no Kindle)
Alan Hollinghurst, O Caso Sparsholt
Richard Zimler, Os Dez Espelhos de Benjamin Zarco
Arturo Pérez-Reverte, Falcó
Arturo Pérez-Reverte, Eva

Graham Greene, O Terceiro Homem
Graham Greene, Ways of Escape
Robert Graves, Eu Cláudio
Yuval Noah Harari, Sapiens: História Breve da Humanidade
Paul Theroux, Sul Profundo
Patrick Leigh Fermor, Tempo de Silêncio
Felice Picano, Nights at Rizzoli (no Kindle)
Augusten Burroughs, Lust & Wonder (no Kindle)
Marina Abramovic, Walk Through Walls
David Lynch, Espaço Para Sonhar

Nelson DeMille, Vertigem Assassina
Sara Blaedel, As Raparigas Esquecidas
Sara Blaedel,O Trilho da Morte
Sara Blaedel, As Mulheres da Noite
Sara Blaedel, A Mulher Desaparecida
C.J. Tudor, O Homem de Giz
Lars Kepler, O Porto das Almas
Lars Kepler, O Caçador

Amedeo Balbi e Rossano Piccioni, Cosmicomix - A Descoberta do Big Bang
Miguelanxo Prado, Presas Fáceis
Miguelanxo Prado, Ardalén
Miguelanxo Prado, A Vida é Um Delírio
Miguelanxo Prado, Traço de Giz
Jiro Taniguchi, O Homem Que Passeia
Jiro Taniguchi, Terra de Sonhos
Jiro Taniguchi, O Diário do Meu Pai
Jiro Taniguchi, El Gourmet Solitario
Jiro Taniguchi, Paseos de Un Gourmet Solitario
Jiro Taniguchi, A Zoo in Winter
Jiro Taniguchi, Os Guardiões do Louvre
José Carlos Fernandes, A Agência de Viagens Lemming
Will Eisner, Um Contrato Com Deus
Edgar P. Jacobs, A Armadilha Diabólica
Yves Sente, O Julgamento dos Cinco Lords
Yves Sente, O Vale dos Imortais, Livro I

Granta 1, Fronteiras
Granta 2, Deuses

só uma canção no mundo (ainda a título de inventário)
rosas
innersmile
Como vem sendo habitual nos últimos anos, a música que mais ouvi este ano foi no Spotify. Em casa, e para além da rádio, praticamente apenas oiço música em streaming, cd’s só no carro. E como no Spotify utilizo quase exclusivamente playlists que vou construindo, ando quase sempre às voltas com as mesmas músicas.

Tenho uma playlist a que chamei Saturday Morning, que já vai em quase 14 horas de música e que tem, entre coisas novas e antigas (e outras muito antigas…), álbuns completos de Carrie Rodriguez, Willie Nelson, Charlie Haden, Alison Krauss, Bert Jansch, Linda Ronstadt, The Carpenters, Lila Downs, Bernardo Sassetti, Secos & Molhados, Julee Cruise, Sílvia Pérez Cruz, Elvis Costello, Robert Plant & Alison Krauss, Couple Coffee, Rúben Gonzalez e Beth Gibbons. E como estão sempre a chegar discos novos, a tendência da lista é para crescer.

Relativamente ao discos, estes foram alguns dos discos a que prestei mais atenção ao longo do ano, e que me acompanharam nas viagens de automóvel que fiz.


O primeiro é um disco já antigo da Marisa Monte, de 2011, Tudo O Que Você Quer Saber de Verdade. Descobri-o logo no início do ano, na ressaca de um desgosto de amor, e proporcionou-me a banda sonora perfeita para essa altura: canções de um formato pop perfeito, a abordarem de uma forma leve e divertida temas que para mim eram sensíveis. O desgosto passou, mas o disco da Marisa Monte ficou no porta-luvas do carro.


De certo modo as parcerias autorais desse disco antecipavam o lançamento de um novo disco dos Tribalistas, 15 depois do enorme sucesso do primeiro disco. Apaixonei-me pelas canções à primeira audição e à medida que foram sendo lançadas na rede. Grandes canções, com uma certa vocação universalista, super antenadas com o pulsar do mundo de hoje. A Carminho é co-autora de duas canções e participa na gravação de Os Peixinhos, e dá a gravação um carácter muito especial, com um saborzinho a fado que é inevitável sempre que ela canta. “Sou tão feliz e saudável”, a transbordar de leveza pop e ironia, foi um dos meus mantras este ano.


Tal como aconteceu com o concerto da Sílvia Pérez Cruz a que assisti este ano, também o disco Vestida de Nit foi um dos meus discos do ano. Comprei-o no próprio concerto, e é das poucas música que fez o cross-over: tocou no carro e tocou em casa. Arranjos lindíssimos e a voz e o canto da Sílvia que é capaz de correr todo o espectro de emoções na mesma frase musical.


Outro disco marcante deste ano foi o que Camané dedicou ao fado de Alfredo Marceneiro. As grandes criações de Mestre Marceneiro sempre estiveram presentes ao longo da carreira discográfica do Camané, através do recurso a novos poemas para recriar os fados tradicionais. Mas desta vez o Camané decidiu ir à pureza da fonte e o resultado é irrepreensível: o domínio da voz, a contenção emotiva, o acompanhamento e a produção de luxo, e sobretudo o canto, a maneira de cantar, a forma encantatória como Camané nunca abdica da sua “voz”, nem do seu vozeirão poderoso, mas consegue estabelecer interpretações que remetem e evocam a própria maneira de cantar, intensa mas ao mesmo tempo portadora de uma certa fragilidade, de Alfredo Marceneiro.


Já perto do final do ano, descobri numa viagem de automóvel de algumas horas, a voz de Raquel Tavares. Comprei numa área de serviço o disco que gravou recentemente dedicado ao repertório mais romântico de Roberto Carlos, e que delícia de disco, uma excelente companhia para a condução. Nunca tinha prestado a devida atenção à voz de Raquel Tavares, perdi-a na avalanche de novas fadistas, e gostei muito. Antes de comprar o cd apenas tinha ouvido uma das suas canções a passar na rádio, e antes de saber de quem era a voz, prendeu-me a atenção o facto de, por vezes, sobretudo nas frases mais tranquilas e menos “esforçadas”, o seu timbre ter um registo que me parecia próximo do de Amália Rodrigues.

Estes foram os discos e as músicas, mas para ilustrar este ano musical e ficar aí a pulsar na rede, sobretudo nesta época do ano que, para além de festiva, tem sempre um certo sabor, ainda que doce e suave, a tristeza e a melancolia, escolhi uma canção que é já de 2015, foi lançada em finais de 2016, mas eu só a descobri, e com que intensidade, já no início deste ano. É do David Fonseca, do disco Futuro Eu, e diz tudo sobre o que é a música e o papel que ela representa para mim: “A vida leva quase tudo, Fica só uma canção no mundo, E é para ti.” É para ti, mãe.


inventários 2017
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innersmile
Este ano, os inventários do costume chegam mais cedo e vêm reunidos numa só publicação. A partir de agora, novos livros ou filmes (nas outras categorias é muito improvável que haja novidades) que apareçam, só irei falar deles no próximo ano.

1.
Concertos

- Adriana Calcanhotto, com Arthur Nostrovski, TAGV
- Cristina Branco (Menina), com Luís Figueiredo, Bernardo Couto, Bernardo Moreira, ACMC
- Ute Lemper, CAE da Figueira da Foz
- Jacques Morelembaum, com Lula Galvão e Márcio Dhiniz, ACMC
- Grigory Solokov, Convento São Francisco
- Silvia Pérez-Cruz (Vestida de Nit), Convento São Francisco
- António Zambujo (Até Pensei Que Fosse Minha), Convento São Francisco

Dança

- CNB - Balanchine/Forsythe/Van Manen/Keersmaeker, CAE Figueira Foz

Teatro

- Quem Tem Medo de Virgínia Wolf, de Edward Albee, enc Diogo Infante, CAE Figueira Foz
- Simone, O Musical, de Tiago Torres da Silva, enc Tiago Torres da Silva, CAE Figueira Foz
- Mais Respeito Que Sou Tua Mãe, de Hernán Casciari, enc Joaquim Monchique, CAE Figueira Foz

Exposições e Museus

- Museu do Caramulo, coleções de arte, brinquedos e carros antigos

Poucos concertos, mas todos muito bons e inesquecíveis. Irrepreensíveis, os concertos de Cristina Branco e de António Zambujo, a apresentarem os seus mais recentes trabalhos discográficos. E uma ocasião única, a possibilidade de ouvir um recital de Solokov. Mas se tiver de escolher apenas um, terá de ser o da Sílvia Pérez Cruz, no auditório do Convento de São Francisco, e apesar do gigantismo da sala não ser nada apropriado à intimidade da música e do canto de SPC. Primeiro foi a revelação: já tinha ouvido a música, escutei previamente as canções, mas só naquele momento, ali, ao vivo, fui tocado pela sua força e pela sua doçura. Depois foi a força inspiradora daquela voz (e dos fantásticos arranjos para quarteto de cordas), o seu poder de efabulação, de nos levar através de narrativas imaginárias, a sensação de comunhão plena com as canções e os seus intérpretes, mesmo quando estamos desterrados lá na última fila do imenso auditório. Fez-me muito lembrar um concerto a que assisti, há muitos anos, da Lhasa de Sela, no Gil Vicente, e que foi igualmente transformador do ouvinte.

De assinalar ainda o espectáculo de dança da CNB (tinha e continuo a ter saudades de ver dança ao vivo) e, nos espectáculos teatrais, a emoção de Simone, O Musical.


2. Filmes

- Milky Road, de Emir Kusturica
- Little Men, de Ira Sachs
- Silence, de Martin Scorsese
- La La Land, de Damien Chazelle
- Moonlight, de Barry Jenkins
- Manchester By The Sea, Kenneth Lonergan
- Aquarius, de Kleber Mendonça Filho
- Denial, de Mick Jackson
- Dalida, de Lisa Aznelos
- The Zookeeper’s Wife, de Niki Caro
- Paula Rego, Histórias e Segredos, de Nick Willing
- Churchill, de Jonathan Teplitzky
- Paris Can Wait, de Eleanor Coppola
- Lady MacBeth, de William Oldroyd
- Return to Montauk, de Volker Schlondorff
- Victoria & Abdul, de Stephen Frears
- Al Berto, de Vicente Alves do Ó
- Blade Runner 2049, de Denis Villeneuve
- Django, de Etienne Comar
- Loving Vincent, de Dorota Kobiela e Hugh Welchman
- Quand On A 17 ans, de André Téchiné
- Peregrinação, de João Botelho
- Murder On The Orient Express, de Kenneth Branagh
- 120 Battements Pas Minute, de Robin Campillo
- Wonder Wheel, de Woody Allen

Acho que se tivesse de escolher o meu filme do ano, seria o Aquarius, do brasileiro Kleber Mendonça Filho, sobre a luta que uma mulher a envelhecer trava para guardar as memórias de uma vida como as outras, ou seja, cheia de alegrias e tristezas, de momentos de felicidade e de momentos de angústia, com uma actriz no seu melhor, Sónia Braga, e uma narrativa eficaz, segura e envolvente.

Mas destacaria igualmente outros filmes que me tocaram intensamente: Manchester By The Sea, de Kenneth Lonergan, sobre a possibilidade de recuperarmos de perdas irrecuperáveis, Quand On A 17 Ans, de André Téchiné, sobre as grandes descobertas da adolescência e que são sempre viagens interiores, Peregrinação, de João Botelho, que reinventa uma maneira de contar o livro de Fernão Mendes Pinto, e um filme que vi apenas em dvd, Paula Rego, Histórias e Segredos, de Nick Willing, que é uma espécie de mapa dos mistérios que a pintura de Paula Rego encerra, e que o filme mostra mas não decfra.


3

Livros (os títulos estão no idioma em que os li)

- Comer | Beber - Filipe Melo e Juan Cavia
- Vampiros - Filipe Melo e Juan Cavia
- A Pior Banda de Mundo I - José Carlos Fernandes
- A Pior Banda de Mundo II - José Carlos Fernandes
- O Segredo do Espadão I - Edgar P. Jacobs
- O Segredo do Espadão II - Edgar P. Jacobs
- O Segredo do Espadão III - Edgar P. Jacobs
- O Testamento de William S - Yves Sente
- Astérix e a Transitálica - Jean-Yves Ferri e Didier
- O Lótus Azul, de Hergé

- Nada Tem Já Encanto - Rui Knopfli

- Esaú e Jacó - Machado de Assis (ebook)
- Bilac Vê Estrelas - Ruy Castro
- Bufo & Spallanzani - Rubem Fonseca (ebook)
- 8 Minutos, Fabíula Bertolozzo (ebook)
- Ponta Gea - João Paulo Borges Coelho
- A Rainha Ginga - José Eduardo Agualusa (ebook)
- A Capital - Eça de Queirós
- O Segredo dos Braganças - Ricardo Correia

- Todo Teu: Quinta - Nuno Oskar (ebook)
- Todo Teu: Fim de Semana - Nuno Oskar (ebook)

- Francisco Pinto Balsemão - Joaquim Vieira
- Abril e Outras Transições - José Cutileiro
- Memórias Anotadas - José Medeiros Ferreira
- O Raio Verde: Crónicas - Fernando Fausto de Almeida
- Tenho Cinco Minutos Para Contar Uma História - Fernando Assis Pacheco
- A Doença, O Sofrimento e A Morte Entram num Bar - Ricardo Araújo Pereira
- Uma Autobiografia - Rita Lee
- Dicionário da Literatura Gay, 5ª edição - Luís Chainho e João Máximo (ebook)

- Itália, Práticas de Viagem - António Mega Ferreira
- Diário das Viagens Fora da Minha Terra - Eugénio Lisboa
- Legendary Pacific Coast: de Sidney a Cairns - Luís Chainho e João Máximo (ebook)

- O Factor Humano - Graham Greene (ebook)
- O Nosso Agente em Havana, Graham Greene (releitura)
- Só Nos Deixaram as Roupas Que Vestiam - Alan Bennett
- Diário de Um Zé Ninguém - George Grossmith
- O Escritor Fantasma - Philip Roth
- Enquanto a Inglaterra Dorme - David Leavitt (releitura)
- Our Young Man - Edmund White (ebook)
- O Ministério da Felicidade Suprema - Arundhati Roy
- A Rapariga Apanhada na Teia de Aranha - David Lagercrantz

- O Homem Que Gostava de Cães - Leonardo Padura
- O Labirinto dos Espíritos - Carlos Ruiz Zafón

- Logical Family, A Memoir - Armistead Maupin (ebook)
- Miles, The Autobiography - Miles Davis
- O Túnel dos Pombos - John Le Carré
- Sal Mineo, A Biography - Michael Gregg Michaud
- Autobiografía, O Mundo de Ontem - Stefan Zweig (ebook)
- Tio Tungsténio - Oliver Sacks (ebook)
- O Rio da Consciência - Oliver Sacks
- Fresh-Air Fiend - Paul Theroux (ebook)
- By The Seat of My Pants - (Antologia) org. Don George
- Em Viagem pela Europa de Leste - Gabriel Garcia Marquez
- Gilgamesh

- Granta Portugal 9: Comer beber
- Granta Portugal 10: Revoluções

Mais de 50 livros, muitos e bons. A leitura tem vindo a ser, e cada vez mais nos últimos anos, a minha companhia e o meu refúgio. Este ano li mais BD do que o costume, e, possivelmente pela primeira vez, mais livros de não ficção do que contos ou romances. Cada vez mais me apetece ler livros de memórias ou biografias (umas 10 obras, este ano) e de viagens (6). Li 14 livros em forma de ebook, menos do que gostaria pelo conforto que me dá a leitura em formato electrónico. E reli dois livros, do Graham Greene e do David Leavitt, dois autores que foram muito importantes em determinados períodos da minha vida, e que tenho vindo a redescobrir com igual ou maior entusiasmo.

É difícil destacar os melhores livros, desde logo porque “ser melhor” é um conceito complexo e subtil. Nuns casos, os melhores foram os mais divertidos, noutros, os que me proporcionaram mais revelações e descobertas. Os melhores livros são sempre aqueles que nos tornam a nós melhores pelo facto de os termos lido. Alguns desses, foram estes cinco: Os Vampiros, que resgata através da ficção a memória importante da guerra colonial em pranchas perfeitas e de uma beleza imensa, Ponta Gea, obra incategorizável que de forma delicada e intensa nos conduz por uma viagem pelas memórias de infância conduzida pelo poder narrativo da ficção, Miles: The Autobiography, uma das raras autobiografias de um músico que nos revela, não apenas a sua vida mas sobretudo a sua obra, a matéria de que é feita a sua música, Logical Family: a Memoir, porque Armistead Maupin fala da sua vida com a mesma alegria narrativa e a mesma intacta emoção com que nos contava as histórias dos moradores do número 28 de Barbay Lane, e O Fator Humano, porque Maurice Castle somos nós.


balanços IV, livros
rosas
innersmile
Foram os seguintes, os livros que li no ano que termina. Vão agrupados, em primeiro lugar, pelo idioma em que foram originalmente escritos (língua portuguesa, inglês, outras) e por autores, e depois por géneros, começando por ficção e não-ficção, e depois policiais, memórias e autobiografias, temática gay, etc. Mas os critérios são pouco rígidos, até porque há livros que fogem a qualquer categorização.

- Machado de Assis, Memorial de Aires (ebook)
- Rubem Fonseca, A Grande Arte (ebook)
- Rubem Fonseca, Pequenas Criaturas (ebook)
- Nelson Rodrigues, A Vida Como Ela É (ebook)
- Luiz Alfredo Garcia-Roza, Um Lugar Perigoso

- Germano Almeida, Regresso ao Paraíso

- Alexandre Andrade, Quartos Alugados
- Fernando Assis Pacheco, Trabalhos e paixões de Benito Prada (releitura)
- Paulo Varela Gomes, Passos Perdidos
- João Ricardo Pedro, Um Postal de Detroit (ebook)
- Hélio Loureiro, O Cozinheiro do Rei D. João VI
- Teresa Veiga, Jacobo e Outras Histórias
- Isabela Figueiredo, A Gorda

- Nuno Oskar, Todo Teu: Sábado (ebook)
- Nuno Oskar, Todo Teu: Domingo (ebook)
- Nuno Oskar, Todo Teu: Segunda (ebook)
- Nuno Oskar, Todo Teu: Terça (ebook)

- Mário Cesariny, Um Sol Esplendente nas Coisas, Cartas para Alberto de Lacerda
- Mário Cesariny, Cartas para Cruzeiro Seixas
- Eugénio Lisboa, Acta Est Fabula Memórias II
- Eduardo Souza Caxa, 3 e 15
- Ruy Castro, Chega de Saudade
- Ricardo Alexandre, Não Vem Que Não Tem - A Vida e o Veneno de Wilson Simonal (ebook)
- João Máximo e Luís Chainho, Sidney: Duas Mil Léguas Australianas #1, (ebook)

- Luís Filipe Castro Mendes, Outro Ulisses Regressa a casa
- Adília Lopes, Bandolim

- Colm Tóibín, Homenagem a Barcelona
- Colm Tóibín, Nora Webster
- Hanya Yanagihara, Uma Vida Pequena (ebook)
- Julian Barnes, O Ruído do Tempo
- Graham Greene, Os Comediantes (releitura)
- David Leavitt, The Lost Language of Cranes (releitura)

- Gordon Merrick, The Lord Won’t Mind
- Amy Jo Cousin, Full Exposure

- Maus, de Art Spiegelman

- Nelson DeMille, Quando A Noite Cai
- Paula Hawkins, A Rapariga do Comboio
- Lars Kepler, Stalker

- Oliver Sacks, Gratidão
- Jan Morris, Espanha
- Agatha Christie, Na Síria
- Bruce Springsteen, Born To Run

- Elena Ferrante, A Amiga Genial
- Elena Ferrante, História do Novo Nome
- Elena Ferrante, História de Quem Vai e de Quem fica
- Elena Ferrante, História da Menina Perdida

- Italo Calvino, Um Optimista na América

- Andrea Camilleri, A Viragem Decisiva
- Andrea Camilleri, A Forma da Água

- Leonardo Padura, A Neblina do Passado

- Granta 7: Palco
- Granta 8: Medo

Foram muitos, ou pelo menos alguns, e bons. De acordo com os meus registos e com a estatística do site goodreads.com, onde tenho conta, foram 52 livros, a que corresponderam 14267 páginas.

Claro, a aventura do ano foi a leitura da tetralogia de Elena Ferrante (perto de mil e quatrocentas páginas), uma narrativa fulgurante, que não deixa o leitor intacto. Mas também A Vida Pequena, de Hanya Yanagihara, que com as suas quase oitocentas páginas, e com a intensidade quase cruel da narrativa, foi uma experiência e tanto.

Mas os livros que mais me marcaram este ano, que transformaram a minha experiência de leitor, que ficaram comigo depois de os fechar em cada dia, e muito depois de terminar a sua leitura, foram os seguintes:


balanços III, cinema
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innersmile
Muita preguiça a marcar este ano de filmes. Também o facto de ter estado em modo fade out durante umas semanas me impediu de ver alguns dos filmes que queria ver. O horário tardio das sessões do Cineclube também fez com que tivesse visto muito poucos filmes por essa via. Também não vi cinema em casa, ou pelo menos nada digno de nota. Ainda assim, arranja-se aqui um molhinho de bons filmes vistos este ano. Os meus preferidos foram:

- Mia Madre, de Nanni Moretti
- Heart of a Dog, de Laurie Anderson
- The Hatefull Eight, de Quentin Tarantino
- 45 Years, de Andrew Haigh
- O Filho de Saul, de Lázló Nemes
- Love is Strange, de Ira Sacks
- Sully, de Clint Eastwood
- I, Daniel Blake, de Ken Loach
- Carol, de Todd Haynes
- Cafe Society, Woody Allen

Para além destes, vi ainda:

- The Danish Girl, de Tom Hooper
- Joy, de David O’Russell
- Songs From The North, de Soon-Mi Joo
- Brooklyn, de John Crowley
- Anomalisa, de Charles Kaufman e Duke Johnson
- Spotlight, de Thomas McCarthy
- Room, de Lenny Abrahamson
- Hail Caesar, de Joel e Ethan Coen
- Everybody Wants Some!!, de Richard Linklater
- Dheepan, de Jacques Audiard
- Queen of The desert, de Werner Herzog
- The Man Who Knew Infinity, de Matt Brown
- The BFG, de Steven Spielberg
- Miles Ahead, de Don Cheadle
- The Program, de Stephen Frears
- Quo Vado?, de Gennaro Nunziante
- Race, de Stephen Hopkins
- Juste La Fin du Monde, de Xavier Dolan
- Nocturnal Animals, de Tom Ford
- Collateral Beauty, de David Frankel
- Rogue One, de Gareth Edwards

balanços II, exposições, teatro, concertos
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innersmile
Exposições
Muito poucas. Mas duas delas vi duas vezes, em sucessivas visitas a Serralves.

- Wolfgang Tillmans: No Limiar da Visibilidade, no Museu de Arte Contemporânea de Serralves, Porto
- The Sonnabend Collection: Meio Século de Arte Europeia e Americana. Part 1, no Museu de Arte Contemporânea de Serralves, Porto
- Liam Gillick: Campanha, dois momentos: Factories in the snow, e AC/DC Joy Division Division House, Museu de Arte Contemporânea de Serralves, Porto
- Jardins Efémeros, exposições colectivas e street art em diversos edifícios e ruas de Viseu.

Teatro
Pouco, mas bom. Dois espectáculos com o brasileiro Gregório Duvivier, uma peça de Neil Simon com dois excelentes actores, e o luxo de ver uma peça de Tennessee Williams encenada por Jorge Silva Melo.

- Uma Noite na Lua, texto e direcção de João Falcão, com Gregório Duvivier, TAGV, Coimbra
- Jardim Zoológico de Vidro, de Tennessee Williams, pelos Artistas Unidos, encenação de Jorge Silva Melo, Teatro da Politécnica, Lisboa
- Plazza Suite, texto de Neil Simon, encenação de Adriano Luz, com Diogo Infante e Alexandra Lencastre, entre outros, Cine-Teatro de Estarreja
- Portátil, criação da Porta dos Fundos, com Gregório Duvivier, Gustavo Miranda, Luís Lobianco, César Mourão e Andres Giraldo, TAGV, Coimbra

Concertos
Um bom ano de concertos. Sobretudo graças à A2C2, que continua a organizar duas óptimas temporadas de concertos no auditório do Conservatório de Coimbra. O grande destaque do ano tem de ir direitinho para os dois concertos da Né Ladeiras, tão entusiasmantes e comoventes. Uma jóia, a Né, ainda por cima a dobrar. Além destes, concertos inesquecíveis do Bossarenova Trio, da Cristina Branco com Mário Laginha a recriar canções de Chico Buarque (em alta, este ano graças a músicos portugueses), da Maria Rita, muito comovente, e do Tcheka com, novamente, o Mário Laginha. Ou seja, Né Ladeiras x 2, Mário Laginha x 2 = a uma grande ano de concertos!

A lista completa:
- Né Ladeiras, com João Vila, entre outros, Auditório do Conservatório de Música de Coimbra
- Quarentuna, Auditório do Conservatório de Música de Coimbra
- João Afonso, com João Ferreira, Vitor Milhanas, Miguel Fevereiro e António Pinto, Auditório do Conservatório de Música de Coimbra
- Bossarenova Trio, com Paula Morelenbaum, Joo Kraus e Ralf Schmid, Auditório do Conservatório de Música de Coimbra
- Vozes da Rádio, Auditório do Conservatório de Música de Coimbra
- Cristina Branco e Mário Laginha Trio, com Bernardo Moreira e Alexandre Frazão, Auditório do Conservatório de Música de Coimbra
- Remi Panossian Trio, com Maxime Delporte e Frédéric Petitpez, Lagoa Jazz Fest, Lagoas de Estombar
- Mieko Miyazaki e Franck Wolf, Lagoa Jazz Fest, Lagoas de Estombar
- Maria Rita, com Tiago Costa, Auditório do Convento de São Francisco, Coimbra
- Vitorino Salomé, com António Palma, entre outros, Auditório Municipal de Lagoa
- Viviane, Com João Gentil e os Anaquim, entre outros, Auditório do Conservatório de Música de Coimbra
- Segue-me à Capela e Galandum Galundaina, Auditório do Conservatório de Música de Coimbra
- Né Ladeiras, com Amadeus Magalhães, Diogo Passos e Ricardo Mingatos, Auditório do Conservatório de Música de Coimbra
- Brigada Victor Jara, com alunos da escola de jazz do Conservatório de Música de Coimbra e a participação do Gefac, Auditório do Conservatório de Música de Coimbra
- Tcheka e Mário Laginha, Auditório do Conservatório de Música de Coimbra

balanços I, música
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innersmile
Começou a época dos balanços e inventários ao ano quase a findar. Cá conto fazer os meus inventários anuais, mas por enquanto vou-me divertindo com os balanços das redes sociais e outros aplicativos de fruição cultural. Gosto particularmente daqueles que apresentam estatísticas de utilização. As estatísticas permitem-nos divisar padrões, tendências, hábitos e, dessa maneira, vamo-nos conhecendo melhor ou pelo menos tomando mais consciência do que somos e do que gostamos.

Assim inauguremos a época dos balanços com a informação que o Spotify, uma aplicação que permite ouvir (e bem assim guardar e organizar) música em streaming, disponibilizou por email com as principais características “musicais” do meu ano de 2016. Claro que só se aplica à música que eu ouvi no próprio aplicativo, mas já lá vamos.

Diz então o Spotify que dediquei 12.906 minutos a ouvir música, o que corresponde a pouco mais de 215 horas. Não parece muito, mas traduzindo em dias, foi como se eu passasse quase 9 dias do ano a ouvir música non stop. Estes “dias” foram dedicados a ouvir um total de 415 artistas, e correspondem a 1541 faixas únicas.

Tem depois alguma informação relativa às minhas preferências musicais. Mas aqui convém fazer uma ressalva: a maior parte da música que oiço no Spotify é através de playlists que eu próprio vou construindo, algumas delas com dezenas de temas (mais de uma centena, em dois casos). Como a minha conta é gratuita, só posso ouvir música aleatoriamente, de modo que esta estatística das preferências, que se baseia seguramente na frequência com que ouço determinados temas e artistas, é tanto feita por mim, que as escolho para as listas, como pelo próprio aplicativo, que determina em concreto o que é que eu ouço em cada momento.

Ainda assim, diz o Spotify que este ano os meus artistas preferidos foram o Charlie Haden, a KD Lang, o Bruce Springsteen, o Willie Nelson e o sempre incontornável e presente Brian Eno. Apesar de haver outros nomes que de certa maneira dominam as minhas playlists (o Philip Glass, por exemplo), reconheço-me nesta seleção, apesar de achar que faltam mais vozes femininas. Tenho pelo menos a noção de, no que toca a música cantada, ouço mais cantoras mulheres do que cantores homens.

Finalmente o Spotify elaborou uma playlist com as minhas preferências musicais. Não contei quantos temas incluiu na lista, mas tem um total de música de 7 horas e 51 minutos. Diz ele que as minhas faixas preferidas foram All I Have To Do is Dream de Leo Kottke, o primeiro movimento, Fast, da Electric Counterpoint de Steve Reich, e a Noche de Ronda da Carrie Rodriguez (obrigado Margarida!)

Claro que há mais música para além do Spotify, sobretudo a que fui ouvindo na rádio, que para mim é sempre a companhia preferida quando viajo de carro. Por isso vale a pena registar o programa da Antena 1, A Cena do Ódio (ou o Vício das Canções), das autoria de David Ferreira,que ouço regularmente, quer em directo quer através do respectivo podcast, e que é um programa que me diverte muito mas sobretudo que me ensina muito mais.

Finalmente acho que é justo destacar que o meu ano musical foi enriquecido com a edição de dois discos absolutamente fabulosos, e que, para mim, foram os álbuns do ano no que diz respeito à música portuguesa: Até Pensei Que Fosse Minha, do António Zambujo, e Nua, da Gisela João.


inventário III: cinema
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Em termos cinematográficos, o ano foi marcado pelas sessões do cineclube Fila K. Dos 55 filmes que vi, 15 foi em sessões do cineclube. Outros 4 foram vistos na TV; sim, pode parecer estranho, mas só vi quatro filmes na TV, incluindo no computador. Se vi mais, não registei aqui nem na memória. Vi seis documentários, e sete filmes portugueses (ou cinco, se considerarmos os três volumes de As Mil e Uma Noites apenas como um filme).


Foram estes os cinco filmes que eu vi este ano de que mais gostei:

- La Ronde, de Max Ophuls (Cineclube)
- Casque D’Or, de Jacques Becker (Cineclube)
- Taxi Teheran, de Jafar Panahi
- As Mil e Uma Noites, Vol 2: O Desolado, de Miguel Gomes
- Bridge of Spies, de Steven Spielberg

Na short list dos filmes de que mais gostei, cabiam ainda estes quinze:

- The Imitation Game, de Morten Tyldum
- American Sniper, de Clint Eastwood
- Whiplash, de Damien Chazelle
- Still Alice, de Richard Glatzer e Wash Westmoreland
- Mr. Holmes, de Bill Condon
- As Mil e Uma Noites, Vol 1: O Inquieto, de Miguel Gomes
- O Medo Devora a Alma / Angst essen Seele Auf, de Rainer Werner Fassbinder (Cineclube)
- The Martian, de Ridley Scott
- Double Play, de Gabe Klinger (Cineclube, doc)
- Cobain: Montage of Heck, de Brett Morgan (doc)
- Bigger Than Life, de Nicholas Ray (Cineclube)
- Irrational Man, de Woody Allen
- Some Came Running (Deus Sabe Quanto Amei), de Vincente Minnelli (na TV)
- O Complexo Baader-Meinhof, de Uli Edel (na TV)
- Regresso a Casa, de Zhang Yimou


Os cinco filmes seguintes foram revisões, por isso não entram nestas contas:

- Modern Times, de Charles Chaplin (Cineclube)
- Kilas, de José Fonseca e Costa (Cineclube)
- A Streetcar Named Desire, de Elia Kazan (Cineclube)
- Ma Femme Chamada Bicho, de José Álvaro Morais (Cineclube, doc)
- High Society, de Charles Waters (na TV)

A lista dos restantes filmes que eu vi este ano, e de que dei conta aqui no livejournal, é a seguinte:

- Foxcatcher, de Bennett Miller
- Birdman, de Alejandro González Iñarritu
- Big Eyes, de Tim Burton
- Chappie, de Neill Blomkamp
- Samba, de Olivier Nakache e Eric Toledano
- Suite Française de Saul Dibb
- The Interview, de Seth Rogen e Evan Goldberg (na TV)
- The Humbling, de Barry Levinson
- Mad Max: Fury Road, de George Miller
- Tomorrowland: A World Beyond, de Brad Bird
- l’Image Manquante, de Rithy Panh (Cineclube; doc)
- Woman in Gold, de Simon Curtis
- Ida, de Pawel Pawlikowski (Cineclube)
- Child 44, de Daniel Espinosa
- The Ladies Man, de Jerry Lewis (Cineclube)
- Love & Mercy, de Bill Pohlad
- Uccellacci e Uccellini, de Pier Paolo Pasolini (Cineclube)
- Amy, de Asif Kapadia (doc)
- Mission Impossible: Rogue Nation, de Christopher McQuarrie
- Roleta Chinesa, de Rainer Werner Fassbinder (Cineclube)
- As Mil e Uma Noites, Vol 3: O Encantado, de Miguel Gomes
- The Intern, de Nancy Meyers
- The Walk, de Robert Zemeckis
- Pawn Sacrifice, de Edward Zwick
- Legend, de Brian Helgeland
- Spectre, de Sam Mendes
- She’s Funny That Way, de Peter Bogdanovich
- Montanha, de João Salaviza
- João Bénard da Costa: Outros Amarão As Coisas Que Eu Amei, de Manuel Mozos (Cineclube, doc)
- Star Wars: The Force Awakens, de J.J. Abrams

Se eu tivesse cinco estatuetas do Oscar para distribuir por outros tantos actores, era a seguinte a distribuição:

- Julianne Moore em Still Alice, de Richard Glatzer e Wash Westmoreland
- Benedict Cumberbatch em The Imitation Game, de Morten Tyldum
- Gong Li em Regresso a Casa, de Zhang Yimou
- Tom Hardy em Mad Max: Fury Road, de George Miller, em Child 44, de Daniel Espinosa, e em Legend, de Brian Helgeland (neste último em dois papéis).
- Imogen Poots em She's Funny That Way, de Peter Bogdanovitch

inventário II: livros
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Li este ano 57 livros, correspondentes, diz-me a estatística do Goodreads, a 13.624 páginas. Destes, apenas 15 foram lidos em formato electrónico. O livro mais popular que li, ou seja, aquele que foi igualmente lido por outros membros do site, foi o Fahrenheit 451, do Ray Bradbury (perto de um milhão e quatrocentes mil leitores) e o menos popular o V volume das memórias de Eugénio Lisboa, que, entre os membros do site, fui o único que leu.

Perto de metade dos livros que li foram escritos originalmente em língua portuguesa (27, sem contar com as duas edições da Granta). Trinta são de ficção (31 se juntarmos Uma Aventura em Goa), e 9 são memórias ou autobiografias.

Mas tirando estas gracinhas, aqui fica a lista de todos os livros que li (e registei no Goodreads e mencionei aqui no livejournal), agrupados por categorias mais ou menos subjectivas: género, língua original (o título segue no idioma em que os li), afectos.

- Chico Buarque, O Irmão Alemão (ebook)
- Fernando Assis Pacheco, Bronco Angel: O Cow-Boy Analfabeto
- João Pinto Coelho, Perguntem a Sarah Gross
- José Saramago, O Evangelho Segundo Jesus Cristo (ebook)
- Luiz Alfredo Garcia-Roza, Fantasma
- Machado de Assis, Dom Casmurro (ebook)
- Mário Cláudio, Astronomia
- Ricardo Sousa Alves, Para Além das Montanhas
- Rubem Fonseca, Amálgama (ebook)
- Teresa Veiga, Gente Melancolicamente Louca
- Ungulani Ba Ka Khosa, Choriro

- Bruno Horta, Uma Década Queer (ebook)
- Caio Fernando Abreu, Pequenas Epifanias
- Eugénio Lisboa, Acta Est Fabula - Memórias V - Regresso a Portugal (1995-2015)
- Fernando Correia, Piso 3 Quarto 313
- Fernando Dacosta, Viagens Pagãs
- Frederico Lourenço, O Lugar Supraceleste
- Gabriel de Souza Abreu, O Segundo Armário (ebook)
- Laurentino Gomes, 1822 (ebook)
- João Máximo e Luís Chainho, Dicionário de Literatura Gay (ebook)
- Paulo Varela Gomes, Ouro e Cinza
- Paulo Varela Gomes, Era Uma Vez em Goa
- Rita Ferro, Só Se Morre Uma Vez

- Adília Lopes, Manhã
- Aymmar Rodriguez, Baba de Moço
- Daniel Lourenço, Lábio/Abril
- Herberto Helder, Os Passos em Volta

- Edouard Louis, Para Acabar com Eddy Belleguele
- Italo Calvino, Palomar (ebook)
- Ihara Saikaku, Amor Entre Samurais (ebook)
- Patrick Modiano, As Avenidas Periféricas
- Patrick Modiano, Dora Bruder
- Philippe Besson, Em Tempos de Guerra

- David Leavitt, Dança de Família
- Edward St. Aubyn, Por Fim
- Graham Greene, O Americano Tranquilo
- Hilary Mantell, O Assassinato de Margaret Thatcher
- Patricia Highsmith, The Price of Salt (ebook)
- Ray Bradbury, Fahrenheit 451 (ebook)
- Raymond Carver, De Que Falamos Quando Falamos de Amor
- Somerset Maugham, Servidão Humana (ebook)

- Derek B. Miller, Um Estranho Lugar para Morrer
- Henning Mankell, Um Homem Inquieto
- Henning Mankell, Um Anjo Impuro
- Lars Kepler, O Homem da Areia
- Nelson DeMille, A Ilha do Medo

- Edmund White, Inside a Pearl (ebook)
- Gabriel Garcia Marquez e Plinio Apuleyo Mendoza, O Aroma da Goiaba
- Jesse Bering, Perversões
- John Cleese, Ora Como Eu Dizia
- Oliver Sacks, On The Move: A Life (ebook)
- Rosa Montero, A Ridícula Ideia de Não Voltar a Ver-te
- W.G. Sebald, Campo Santo

- Jean-Yves Ferri e Didier Conrad, O Papiro de César (Astérix)
- Yves Sente e André Juillard, O Bastão de Licurgo (Blake & Mortimer)

- Granta 5, Falhar Melhor
- Granta 6, Noite

Quatro dos melhores livros que li este ano foram releituras: Pequenas Epifanias, de Caio Fernando Abreu, Dança de Família, de David Leavitt, De Que Falamos Quando Falamos de Amor, de Raymond Carver, e O Americano Tranquilo, de Graham Greene (acho que este foi o livro que me deu mais gozo ler este ano). O que não admira, não é?, se não tivessem sido livros marcantes não os teria relido.

Entre aqueles que li pela primeira vez, estes cinco foram os de que mais gostei: Gente Melancolicamente Louca, de Teresa Veiga, os dois livros de Paulo Varela Gomes, Ouro e Cinza (a capa mais bonita) e Uma Aventura em Goa, Servidão Humana, de Somerset Maugham, e On The Move: A Life, a autobiografia de Oliver Sacks.



inventário I: concertos, exposições, dança, teatro,
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Não se pode dizer que tenha sido um ano famoso em matéria de eventos culturais. Ao contrário do que tem acontecido de forma regular em anos anteriores, no ano que agora termina não saí de Coimbra para assistir a um espectáculo. Falta de disposição, preguiça, algum cansaço, e até o gato (que torna a casa mais aconchegante, e me obriga a acordar todos os dias muito cedo), tudo foram pretextos para sair pouco.

Ainda assim quase uma dezena de concertos, um espectáculo de dança, outro de teatro, e três excelentes exposições, deram algum embalo cultural ao ano. Saliento as exposições, todas elas muito boas e estimulantes. Quanto aos concertos os que me deram mais prazer assistir foram os de António Chainho, da Gisela João e da Adriana Queiroz.

Aqui fica a lista completa:

Concertos
- António Zambujo, CMC, março
- Ala dos Namorados, CMC, maio
- António Chainho, CMC, maio
- Gisela João, Quinta das Lágrimas, julho
- Uxía, CMC, outubro
- Miguel Araújo, CMC, outubro
- Paulo de Carvalho, CMC, outubro
- Adriana Queiroz, com Filipe Raposo, CMC, novembro
- Orquestra Clássica do CMC, dezembro

Dança
- Rui Horta, Hierarquia das Núvens, TAGV

Teatro
- Monstros S.A. (sem abrigo), texto de Roland Dubillard, encenação de Filipe Crawford, interpretação de Rui Paulo e Filipe Crawford, CMC, junho

Exposições
- Primeira Pessoa Plural, colecção Ana Cristina e António Albertino, armazém industrial Adémia, Coimbra
- Helena Almeida, A Minha Obra é o Meu Corpo, o Meu Corpo é a MInha Obra, Museu de Serralves, Porto
- How To (...) Things That Don’t Exist, colectiva, Bienal de São Paulo, Museu de Serralves, Porto

inventário III: cinema
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O ano cinéfilo não foi propriamente prolixo, mas mesmo assim ainda dá para fazer umas listinhas.

Começando pelo princípio, acho que foram estes os 5 filmes que me deram mais gozo ver, por ordem de preferência:

1. Boyhood, de Richard Linklater
2. The Grand Budapest Hotel, de Wes Anderson (vi 2 vezes)
3. E Agora? Lembra-me, de Joaquim Pinto e Nuno Leonel
4. Only Lovers Left Alive, de Jim Jarmusch
5. Pride, de Matthew Warchus

A short list de onde saíram estes cinco, incluía mais 10 (por ordem alfabética):

- 12 Years a Slave, de Steve McQueen
- A Most Wanted Man, de Anton Coibijn (também leva o prémio de interpretação para o malogrado Philip Seymour Hoffman, que saudades o cinema vai ter dele)
- American Hustle, de David O’Russell
- Dallas Buyer Club, de Jean-Marc Vallée
- Fado Camané, de Bruno de Almeida (vi 2 vezes)
- Getúlio, de João Jardim
- Jersey Boys, de Clint Eastwood
- La Grande Bellezza, de Paolo Sorrentino
- Philomena, de Stephen Frears (vi 2 vezes, que filme tão adorável)
- The Wolf of Wall Street, de Martin Scorsese (fartaram-se de cascar no filme, mas eu gostei deste regresso de Scorsese ao excesso de antigamente)

Há ainda uma listinha de 5 filmes muitos especiais, vistos em condições também elas especiais, em sessões promovidas pelo cineclube Fila K. São eles:

- Peeping Tom, de Michael Powell
- The Red Shoes, de Michael Powell e Emeric Pressburger
- Stop Making Sense, de Jonathan Demme e os Talking Head
- Singin’ in The Rain, de Gene Kelly e Stanley Donen (arriscaria dizer que há-de ter sido o filme que vi mais vezes na vida)
- The Wizard of Oz, de Victor Fleming

E finalmente o granel, os outros filmes que vi ao longo do ano, uns melhores do que outros, alguns que se calhar mereceriam estar numa das listas principais, mas as escolhas são o que são e o futebol é mesmo assim (ainda por ordem alfabética, por causa das susceptibilidades):

- August: Orange County, de John Wells (a Meryl Streep deste ano foi um bocadinho irritante)
- Chef, de Jon Favreau
- Enemy (O Homem Duplicado), de Dennis Villeneuve
- Grace of Monaco, de Olivier Dahan
- Gone Girl, de David Fincher
- Her, de Spike Jonze (a propósito de filmes que mereciam estar numa das outras listas…)
- Interstellar, de Christopher Nolan
- Lucy, de Luc Besson
- Magic in The Moonlight, de Woody Allen
- Ocho Apellidos Bascos, de Emilio Martinez-Lázaro
- Saving Mr. Banks, de John Lee Hancock
- Snowpiercer, de Bong Joon-ho
- Tal Pai Tal Filho, de Hirokazn Koreeda
- The Monument’s Men, de George Clooney
- Yves Saint Laurent, de Jalil Lespert

inventário II: livros
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À semelhança do que fiz no ano passado, agrupo os livros conforme se trate de ficção ou não ficção (incluindo a poesia na primeira categoria), em língua portuguesa ou noutras. As excepções são as que dão jeito para juntar autores (por exemplo, dois livros de Isherwood, seguem juntos ainda que pertencentes a géneros distintos). Os títulos das obras seguem na língua em que as li.

Ficção em Língua Portuguesa

- Luiz Alfredo Garcia-Roza, Berenice Procura
- Luiz Alfredo Garcia-Roza, Espinosa Sem Saída
- Luiz Alfredo Garcia-Roza, Na Multidão
- Luiz Alfredo Garcia.Roza, Céu de Origamis
- Caio Fernando Abreu, Morangos Mofados (eB)
- João Ubaldo Ribeiro, A Casa dos Budas Ditosos
- João Ubaldo Ribeiro, Um Brasileiro em Berlim (eB)
- Rubem Fonseca, Agosto (eB)
- Rubem Fonseca, E do mundo prostituto só amores guardei ao meu charuto (eB)
- Machado de Assis, Quincas Borba (eB)
- Z.A. Feitosa, O Íntimo Ofício
- Eduardo Carbone, O Pássaro Arcaico
- Manuel Bandeira, Poemas Religiosos e Alguns Libertinos
- Paulo Azevedo Chaves e Raimundo de Morais, Poemas Homoeróticos Escolhidos (eB)

- Margarida Leitão, Instantâneos - fragmentos de memória
- Henrique Levy, Praia Lisboa
- José Eduardo Agualusa, A Vida no Céu (eB)
- José Saramago, O Homem Duplicado (eB)
- Norberto Morais, O Pecado de Porto Negro
- João César Monteiro, Obra Escrita 1
- Frederico Lourenço, O Curso das Estrelas
- Frederico Lourenço, Pode Um Desejo Imenso
- Frederico Lourenço, À Beira do Mundo
- António José Almeida, Arco da Porta do Mar

Não Ficção em Língua Portuguesa

- João Roque, Ilha de Metarica: Memórias da Guerra Colonial
- Luís Chainho e João Máximo, Oeste Selvagem Americano (eB)
- Luís Amorim de Sousa, Cadernos do Potomac
- João Manuel Neves, Dori e Pancho Guedes
- Rita Ferro, Veneza Pode Esperar - Diário I
- Manuela Gonzaga, Moçambique, Para a Mãe se Lembrar Como Foi
- Marta Dhanis, O Caso Renato Seabra: Por Detrás das Cortinas
- João Magueijo, Bifes Mal Passados
- Frederico Lourenço, Estética da Dança Clássica
- Eugénio Lisboa, Acta Est Fabula - Memórias - Peregrinação: Joanesburgo, Paris, Estocolmo, Londres 1970-1996
- VVAA, Cinema e Cultura Queer

- Barnabé Lucas Ncomo, Uria Simango - Um Homem Uma Causa (eB)
- Nelson Motta, Noites Tropicais (eB)
- Zetho Cunha Gonçalves, Notícia do Maior Escândalo Erótico-Sexual do Século XX em Portugal

Ficção, Outros Idiomas

- Armistead Maupin, The Days of Anna Madrigal (eB)
- Armistead Maupin, Jackie Old (eB)
- David Leavitt, Arkansas
- Christopher Isherwood, Christopher And His Kind
- Christopher Isherwood, Liberation - Diaries 1970-1983 (eB)
- Andrew Holleran, Dancer From The Dance
- John Rechy, City of Night
- John Rechy, Numbers

- Alice Munro, Amada Vida
- Alice Munro, A Vista de Castle Rock
- Jane Austen, Pride and Prejudice (eB)
- Jan Morris, Hav
- Edward St Aubyn, Alguma Esperança + Leite Materno
- W.G. Sebald, Os Anéis de Saturno
- Jorge Luis Borges, Ficções
- Arturo Pérez. Reverte, O Franco-Atirador Paciente
- Joel Dicker, A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert
- Anders de la Motte, O Jogo

Não Ficção, Outros Idiomas

- Stephan Pastis, Pérolas a Porcos 2
- Stephan Pastis, Pérolas a Porcos 3
- Robert Byron, A Estrada Para Oxiana
- Alain de Botton, Como Pensar Mais Sobre Sexo
- Paul Theroux, Último Comboio Para a Zona Verde
- Alan Bennett, A Life Like Other People’s (eB)

Granta Portugal 3: Casa
Granta Portugal 4: África

Pelas minhas contas, se não falhou nenhum, foram 64 livros, dos quais mais de metade (38) escritos em língua portuguesa, e 16 lidos em formato electrónico (eB). Uma autora em estreia, Alice Munro, com dois livros; Garcia-Roza bateu o recorde, com quatro (vou ter saudades, quando não tiver mais livros de Espinosa para ler), tal como Frederico Lourenço, mas neste caso a trilogia de Pode Um Desejo Imenso foi uma releitura. E os autores de sempre: Isherwood (dois livros), Saramago, Theroux, Sebald, a Jan Morris, o Agualusa, o Rubem Fonseca, o João Ubaldo, entre outros. E três livros muito especiais, escritos por amigos muito queridos.

Se eu tivesse que escolher, destes todos, apenas cinco para levar para a proverbial ilha deserta, seriam os seguintes:
- A Estrada Para Oxiana, de Robert Byron, uma obra-prima da literatura de viagens e o livro que mais gostei de ler este ano.
- Morangos Mofados, do Caio F, um dos livros que me faltava ler daquele que é um dos meus ‘pais’ literários, e seguramente um dos seus melhores.
- Agosto, de Rubem Fonseca, um livro perfeito, escrito por aquele que será muito provavelmente o melhor escritor de língua portuguesa vivo.
- Christopher And His Kind, do Christopher Isherwood, um dos seus livros de que mais gostei e que reforçou o fascínio (ia escrever o amor) que sinto pelo autor.
- Os Anéis de Saturno, de W.G. Sebald, porque há qualquer coisa nos livros de Sebald (e este será um dos seus três melhores) que demonstra, sem todavia descodificar, o grande mistério do homem e do seu mundo.

abyron amorangos arubem aisherwood asebald

inventário I: concertos, exposições, dança, teatro, música
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Como tive uma actividade cultural muito fraquita, este ano, este primeiro inventário abrange os concertos, as exposições, a dança, a música e o teatro. Se e quando conseguir, farei mais dois, dedicados ao cinema e, claro, aos livros lidos. Então foi mais ou menos assim.

CONCERTOS
- Ute Lemper, no Teatro Aveirense
- Márcia, no Auditório do Conservatório de Música de Coimbra
- A Naifa, no Cine-Teatro de Estarreja
- Anaquim + Deolinda, no TAGV
- Jorge Palma, no Auditório do Conservatório de Música de Coimbra
- Rodrigo Leão e Ólafur Arnalds, no TAGV
- CoJE (Coimbra Jazz Ensemble) + Jacinta, no Auditório do Conservatório de Música de Coimbra
- Camané, no CAE da Fig. Foz
- Ana Moura, no Cine-Teatro de EStarreja
- Sérgio Godinho, Liberdade, no TAGV
- Ricardo Ribeiro, Paulo Soares e Luís Alcoforado, no anfiteatro ao ar livre da Quinta das Lágrimas
- Paula Oliveira e o Hot Club de Portugal (com Bernardo Moreira, cb, Manuel Jorge Veloso, bt, e António José Veloso, p) e convidados, no Auditório do Conservatório de Música de Coimbra

EXPOSIÇÕES
- Rui Chafes, O Peso do Paraíso, CAM
- João Tabarra, CAM

DANÇA
- Jim, pela Companhia de Paulo Ribeiro, no Teatro Aveirense
- Multiplex, de Rui Horta, no Cine-Teatro de Estarreja

TEATRO
- As Alegres Comadres de Windsor, de WS, pela Bonifrates, enc João Maria André, na Casa Municipal da Cultura
- Hamlet em Pessoa, poesia, com André Gago e música ao vivo de Carlos Barreto
- Regresso a Casa, de Arold Pinter, enc. Jorge Silva Melo, no TNDMII
- Monty Python Live (mostly), transmissão em directo, no cinema, do espectáculo ao vivo na Arena O2, em Londres

Os destaques vão para os concerto de Sérgio Godinho, de camané e da Ute Lemper, para a exposição exaltante de Rui Chafes, para o espectáculo de Rui Horta, sempre muito inteligente e estimulante, e para a crueza quase brutal de Regresso a Casa, na encenação de Jorge Silva Melo

MÚSICA
Em termos musicais o destaque vai, não para um músico, mas para a plataforma Spotify, que me permitiu ouvir música a rodos, descobrir novos nomes e revisitar as obras de grandes músicos, sobretudo da música popular. Ouço música sobretudo em casa, normalmente quando estou a ler, no carro, principalmente nas viagens, ou quando dou umas passeatas a pé. Apesar de me ter fixado pouco em álbuns, estes foram alguns dos que mais tocaram nas várias plataformas onde ouço música:

- Ricardo Ribeiro, Largo da Memória
- Keith Jarrett e Charlie Haden, Last Dance
- The Legendary Tiger Man, True
- Brian Eno e Karl Hyde, Someday World
- Rodrigo Leão, O Espírito de Um País

inventário 4, livros
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Foram estes os livros que li em 2013, agrupados por géneros e ordenados por ordem alfabética do nome do autor; o título segue no idioma em que os li.

1. Ficção em língua portuguesa

- Caio Fernando Abreu - Os Dragões Não Conhecem o Paraíso
- Luiz Alfredo Garcia-Roza - Vento Sudoeste
- Luiz Alfredo Garcia-Roza - Uma Janela em Copacabana
- Machado de Assis - Papéis Avulsos
- Saint-Clair Stockler - O Homúnculo (eB)

- Álamo Oliveira - Já Não Gosto de Chocolates
- Francisco Camacho - Niassa (eB)
- João Paulo Borges Coelho - Rainhas da Noite
- José Eduardo Agualusa - Teoria Geral do Esquecimento
- José Saramago - Memorial do Convento (eB)
- Jorge de Sena - Os Gráo-Capitães
- Mário de Carvalho - O Varandim seguido de Ocaso em Carvangel
- Mário de Carvalho - A Liberdade de Pátio
- Mário Cláudio - Ursamaior (eB)
- Mário de Sá-Carneiro - A Confissão de Lúcio (eB)
- Pedro Xavier - Dois Mundos, Um Destino (eB)
- Pedro Xavier - Dois Mundos, Uma Paixão (eB)
- Pixel - Happy Xmas (Vários Autores) (eB)

2. Não-Ficção em Língua Portuguesa

- Alfredo Pereira de Lima - Casas Que Fizeram Lourenço Marques
- Eduardo Pitta - Cadernos Italianos
- Eduardo Pitta - Um Rapaz a Arder
- Eugénio Lisboa - Acta Est Fabula Memórias III Lourenço Marques Revisited (1955-1976)
- Fernando Dacosta - O Botequim da Liberdade (eB)
- Nuno Roque da Silveira - Lourenço Marques

3- Ficção

- Agatha Christie - The Murder of Roger Ackroyd (eB)
- Arturo Pérez-Réverte - O Tango da Velha Guarda
- Charles Dickens - Great Expectations (eB)
- Christopher Isherwood - Mr. Norris Muda de Comboio
- Colm Tóibìn - The Testament of Mary (eB)
- David Leavitt - The Two Hotel Francforts (eB)
- Edward St. Aubyn - Deixa Lá, Más Novas
- E.L. Doctorow - Homer & Langley
- Haruki Murakami - After Dark, Os Passageiros da Noite
- Haruki Murakami - Em Busca do Carneiro Selvagem
- Haruki Murakami - Kafka à Beira-Mar
- Henning Mankell - A Muralha Invisível
- Henning Mankell - O Homem Que Sorria
- Jack Kerouac - Pela Estrada Fora, On The Road
- J. L. Rowling - Uma Morte Súbita
- Jonathan Kemp - London Triptych (eB)
- Lars Kepler - The Fire Witness (eB)
- Lawrence Durrel - The Alexandria Quartet (eB)
- Mathias Énard - Fala-lhes de batalhas, de reis e de Elefantes
- Patricia Highsmith - Strangers on a Train (eB)
- W.G. Sebald - Austerlitz
- W.G. Sebald - Vertigens. Impressões
- W.G. Sebald - Os Emigrantes

4- Não- Ficção

- Alain DeBotton - Ensaios de Amor
- Antonio Tabucchi - Viagens e Outras Viagens
- Geoff Dyer - Yoga Para pessoas Que Não Estão Para fazer Yoga
- Joe Eck & Wayne Winterrrowd - To Eat. A Country Life (eB)
- Paul Bowles - Viagens
- Roman Krznaric - Como Encontrar o Trabalho Perfeito
- Ryszard Kapuscinski - Mais Um Dia de Vida, Angola 1975
- Somerset Maugham - Um Gentleman na Ásia

Granta Portugal 1, Eu
Granta Portugal 2, Poder


Dos 57 livros que li, 24 são de autores lusófonos (não contando com os textos da Granta), 18 foram lidos no Kindle (ou em formato e-book). Li três livros do Sebald (uma estreia) e outros tantos do Murakami (de quem só tinha lido anteriormente um ensaio). Outros repetentes: Mário de Carvalho, Eduardo Pitta, Garcia-Roza, Mankell e o Pedro Xavier, meu colega de editora (sempre quis poder escrever isto!) Além destes, há outros autores que estão sempre presentes ou que regressaram: o Caio F, o Agualusa, Saramago, Pérez-Réverte, Isherwood, Tóibìn, Leavitt ou a Highsmith. Os géneros e os temas são os do costume: romances, policiais, memórias, viagens, Moçambique. Duas dívidas antigas finalmente resolvidas: o On The Road, de Kerouak, que li numa edição brasileira antiga, que o meu amigo Bruno me ofereceu, e o Quarteto de Alexandria, de Lawrence Durrel. Um e-book do Saint-Clair.

Se eu tivesse que fazer uma lista dos livros que mais me marcaram ou que me deu mais gozo ler durante o ano, e se essa lista fosse limitada ao número de dez, hoje seria a seguinte:

memorial acta est iii tango testament Deixa lá Más novas
homer kafka austerlitz viagens gentleman

- José Saramago - Memorial do Convento
- Eugénio Lisboa - Acta Est Fabula Memórias III Lourenço Marques Revisited (1955-1976)
- Arturo Pérez-Réverte - O Tango da Velha Guarda
- Colm Tóibìn - The Testament of Mary
- Edward St. Aubyn - Deixa Lá, Más Novas
- E.L. Doctorow - Homer & Langley
- Haruki Murakami - Kafka à Beira-Mar
- W.G. Sebald - Austerlitz
- Paul Bowles - Viagens
- Somerset Maugham - Um Gentleman na Ásia

inventário 3, filmes
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Um ano fraco, mas mesmo assim com filmes que me deu muito gozo ver. Duas listas: a short (são 10), por ordem afectiva, e a long list (são 15), por ordem alfabética. E depois os outros, claro.

The best

- Gravity, Alonso Cuáron
- Django Unchained, Quentin Tarantino
- Behind The Candelabra, Steven Soderbergh
- De Rouille et D’Os, Jacques Audiard
- Reality, Matteo Garrone
- Lincoln, Steven Spielberg
- Hannah Arendt, Margarette Von Trotta
- À Bout de Souffle, JL Godard
- The Night of The Hunter, Charles Laughton
- Vertigo, Alfred Marceneiro

The best of the rest

- Any Day Now, Travis Fine
- Before Midnight, Richard Linklater
- Blue Jasmin, W.A.
- Dans La Maison, François Ozon
- Elysium, Neil Blomkemp
- Inside Llewyn Davis, Joel e Ethan Coen
- Los Amantes Passajeros, Almodóvar
- Nha Fala, Flora Gomes
- Promised Land, Gus Van Sant
- Rush, Ron Howard
- Side Effects, Steven Soderbergh
- The Bling Ring, Sofia Coppola
- The Master, Paul Thomas Anderson
- Venus À La Fourrure, Roman Polanski
- Zero Hour Thirty, Kathryn Bigelow

The rest

- After Earth, M. Night Shyamalan
- A Gaiola Dourada, Ruben Alves
- Argo, Ben Affleck
- Beasts of the Southern Wild, Benh Zeitlin
- Disconnect, Henry Alex Rubin
- Hitchcock, Sacha Gervasi
- Now You See Me, Louis Leterrier
- Oblivion, Joseph Kosinski
- Only God Forgives, Nicolas W. Refn
- Spring Breakers, Harmony Korine
- The Butler, Lee Daniels
- The Great Gatsby, Baz Lurhmann
- The Relunctant Fundamentalist, Mira Nair
- The Secret Life of Andrew Mitty, Ben Stiller
- To The Wonder, Terrence Mallick
- Trance, Danny Boyle


Em Casa
- Five Dances, Alan Brown
- Gattaca, Andrew Niccol
- The Way We Were, Sidney Pollack

inventário 2, música
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Dos discos saídos em 2013 estes foram aqueles a que prestei mais atenção:

- Arcade Fire, Reflektor
- Daft Punk, Random Access Memories
- David Bowie, The Next Day
- Gisela João
- James Blake, Overgrown
- John Grant, Pale Green Ghosts
- Keith Jarrett Trio, Somewhere

Muita da música que ouço é no carro e sobretudo quando estou a ler. A acompanhar as leituras, ouvi muito e muitas vezes as seguintes discografias completas:

- Brad Mehldau
- Joni Mitchell
- Rodrigo Leão

Já o ano passado tinha referido o cd da Ana Moura, Desfados, como um dos destaques. Mas ao longo deste ano o disco foi sempre crescendo e aprofundando-se em mim, nunca parei de o ouvir, e continua a ser um disco que oiço com agrado e com surpresa.

Quanto a música clássica, sempre Schubert (sonatas, por Alfred Brendel), e cada vez mais Beethoven. A discografia integral de Glenn Gould é uma descoberta contínua e sempre renovada.

Já quase no final do ano, o acontecimento: duas caixinhas prodigiosas com a discografia completa da Banda do Casaco, mais um dvd com actuações ao vivo e video clips, além de literatura variada. O primeiro vinilo que comprei da Banda foi o Hoje Há Conquilhas Amanhã Não Sabemos, em 1978. A disponibilização da discografia completa em cd permite revisitar aquele que, na minha opinião, foi e continua a ser o mais interessante projecto musical de sempre, da pop nacional. Razão pela qual as duas caixinhas da Banda aí ficam como as edições discográficas do ano.

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inventário 1, espectáculos e exposições
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Inauguro a época dos inventários anuais com a lista dos espectáculos e exposições que vi neste ano de 2013.

Graças ao conservatório de música de Coimbra (CMC) e à associação dos amigos do dito, pude ver uns belos concertos, num auditório com um som superior, e logo ali ao pé de casa. Muito conveniente. De resto, como se pode ver, saí muito pouco da cidade, o que pode querer dizer que, pelo menos em termos de concertos e espactáculos, Coimbra já tem uma oferta muito razoável.
O concerto do ano foi o do Scott Matthew, mas a ida aos fados, em agosto, foi inesquecível.
Vi apenas dois espectáculos de dança, ambos muito interessantes, mas o solo de Olga Roriz para a Sagração da primavera foi uma coisa assim quase da ordem do transcendente.
Quanto às exposições, foram poucas mas boas. A de que mais gostei foi a de Cildo Meireles, no Museu de Serralves, uma mega-exposição que me interpelou e estimulou a criatividade.


1. Concertos

- Te Deum, de António Teixeira, pela Orquestra Barroca e Coro da casa da Música, CdM, Porto
- João Paulo Esteves da Silva, piano solo, CMC
- União Filarmónica Taveirense, CMC
- Júlio Resende, piano solo, CMC
- Marco Rodrigues, showcase na FNAC
- Zé Pedrigão, Praça da Canção, Coimbra
- Ana Moura, Praça da Canção, Coimbra
- Gal Costa, Praça da Canção, Coimbra
- Cordis + Cuca Roseta, Quinta das Lágrimas
- Noite de Fados na Casa de Linhares, Lisboa
- Realejo, CMC
- Os Poetas (Rodrigo Leão e Gabriel Gomes, com Rogério Samora), MistyFest, CMC
- La Serva Padrona, G.B. Pergolesi, pela Camerata Joanina, CMC
- Valter Lobo, MistyFest, CMC
- Scott Matthew, MistyFest, CMC

2. Dança

- Sagração da Primavera, solo de Olga Roriz, Teatro Aveirense
- 3 Coreógrafos, Gagik Ismailian, Barbara Griggi e Benvindo Fonseca, pela Lisboa Metropolitan Arts, TAGV

3. Exposições

- Edgar Martins, Time Machine, na Galeria EDP, Porto
- Sob o Signo de Amadeo: um século de arte, CAM, Lisboa
- Cildo Meireles, Museu de Serralves, Porto
- Ahlam Shibli, Phantom Home, Museu de Serralves, Porto
- Bes Revelação 2013, Museu de Serralves, Porto

4. Teatro

- Um Grito Parado no Ar, de Gianfrancesco Guarnieri, pelo Teatrão, OMT, Coimbra
- Novas Directrizes em Tempos de Paz, de Bosco Brasil, pela Escola da Noite, TCSB, Coimbra
- Broadway Baby, de Henrique Feist e Nuno Feist, Cine-Teatro de Estarreja
- Cirque du Soleil, Michael Jackson: The Immortal World Tour, Pav. Atlântico, Lisboa
- As Orações de Mansata, de Abdulai Sila, pela Escola da Noite e outras companhias, TCSB, Coimbra

inventário IV - cinema
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Os cinco melhores do ano:

- Shame, de Steve McQueen
- Tabú, de Miguel Gomes
- Moonrise Kingdom, de Wes Anderson
- Cesare Deve Morire, de Paolo e Vittorio Taviani
- Amour, de Michael Haneke

A short list:

- Carnage, Roman Polanski
- War Horse, Steven Spielberg
- Extremely Loud And Incredibly Close, Stephen Daldry
- Hugo, Martin Scorsese
- Linha Vermelha, José Filipe Costa
- Dark Shadows, Tim Burton
- Frankenweenie, Tim Burton
- Haywire, Steven Soderbergh
- Prometheus, Ridley Scott
- To Rome With Love, Woody Allen
- Skyfall, Sam Mendes
- Cloud Atlas, e Lana e Andy Wachowski e Tom Tykwer

Os outros:

Mission Impossible-Ghost Protocol (Brad Bird); J. Edgar (Clint Eastwood); The iron lady (Phyllida Lloyd); The Muppets (James Bobin); The Artist (Michel Hazanavicius); Coriolanus (Ralph Fiennes); This Must Be The Place (Paolo Sorrentino); We Need To Talk About Kevin (Lynne Ramsay); Cosmopolis (David Cronenberg); Magic Mike (Steven Soderbergh); 360 (Fernando Meirelles); Hope Springs (David Frankel); The Perks of Being a WallFlower (Stephen Chbosky); On The Road (Walter Salles); Anna Karenina (Joe Wright).

Em casa:

- Weekend, de Andrew Haigh
- Northsea Texas, Bavo Defurne
- The History Boys, de Nicholas Hytner

inventário III - espectáculos
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Concertos:
- A Naifa, OMT, Coimbra
- Anaquim, TAGV, Coimbra
- Dead Combo, TAGV, Coimbra
- Maria Bethânia, CAE, Figueira da Foz
- Sétima Legião, CAE, Figueira da Foz
- Orquestra Metropolitana de Lisboa, Maestro Pedro Neves, Auditório do Conservatório de Coimbra
- António Zambujo, Casa da Música, Porto
- Drumming, Quinta das Lágrimas, Coimbra
- Orquestra Chinesa de macau, Quinta das Lágrimas, Coimbra
- Vânia Fernandes e Júlio Resende, Auditório do Conservatório de Coimbra
- António Zambujo, Auditório do Conservatório de Coimbra

Teatro:
- Animais Noturnos, Escola da Noite, Enc. António Augusto Barros, TCSB, Coimbra
- Bacantes, Teatro Oficina Uzina Uzona, Enc. Zé Celso Martinez Correa, São Luiz, Lisboa
- Corto Maltese, Fatias de Cá, Enc. Carlos Carvalheiro, Convento de Cristo, Tomar
- O Cerco a Leninegrado, Enc. Celso Cleto, com Eunice Muñoz, TAGV, Coimbra
- Shakespeare Pelas Barbas, Teatrão, Enc. Ricardo Correia, OMT, Coimbra
- Fuga, Enc. Fernando Gomes, CAE, Figueira da Foz
- O Abat-Jour Lilás, Escola da Noite e Cendrev, Enc. António Augusto Barros, TCSB, Coimbra
- Preocupo-me, Logo Existo, Enc. Natália Luiza, com Diogo Infante, Auditório do Conservatório de Coimbra

Dança:
- Radical Wrong, Última Vez, Coreog. Wim Vanderkeybus, TAGV, Coimbra


Não foi um ano muito prolixo, mas houve coisas muito boas. Destaco os concertos do António Zambujo, muito diferentes entre si mas ambos magníficos, o da Naifa, o do grupo de percussão Drumming, e o recital de poesia que Bethânia apresentou, uma comoção. E é impossível não destacar o espectáculo das Bacantes, no São Luiz, em Lisboa, uma experiência total e inesquecível, e de que ainda hoje, quase um ano volvido, permanece a perplexidade e até a euforia de estar a participar num acontecimento maior do que a vida e transbordante dela. A experiência de assistir a espectáculos ao vivo, sejam eles musicais ou teatrais, vai sempre para além do simples entretenimento, ou pelo menos do mero passatempo. É quando participamos em momentos assim, que nos perturbam e nos tiram da nossa zona de conforto, que nos confrontam mas simultaneamente nos divertem, que faz de facto todo o sentido sair de casa à noite.

inventário II - livros
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Foram estes os livros que li em 2012, agrupados por idiomas, géneros, e sobretudo por afinidades mais ou menos afectivas.

- Eugénio Lisboa, Acta Est Fabula - Memórias I - 1930-1947
- Al Berto, Diários
- Jorge Salavisa, Dançar A Vida
- Joaquim Chissano, Vidas, Lugares e Tempos

- Paulo Moura, Otelo O Revolucionário
- Nuno Costa Santos, Trabalhos e Paixões de Fernando Assis Pacheco
- Cristina Carvalho, Rómulo de Carvalho / António Gedeão - Príncipe Perfeito

- José Luís Peixoto, Dentro do Segredo
- Ferreira Fernandes, Os Primos da América
- Almeida Faria, O Murmúrio do Mundo

- Joaquim Almeida Lima, Ensaio Sobre A Angústia
- José Saramago, Manual de Pintura e Caligrafia
- Gonçalo M. Tavares, Uma Viagem À Índia
- Gonçalo M. Tavares, Matteo Perdeu O Emprego
- João Ricardo Pedro, O Teu Rosto Será O Último
- Ana Cristina Silva, Cartas Vermelhas

- Luiz Alfredo Garcia-Roza, Perseguido
- Luiz Alfredo Garcia-Roza, O Silêncio da Chuva
- Luiz Alfredo Garcia-Roza, Achados e Perdidos
- Lygia Fagundes Telles, Mistérios
- Elvira Vigna, A Um Passo
- Rubem Fonseca, José
- José Castello, Ribamar

- Christopher Isherwood, The Sixties: Diaries, Volume II: 1960-1969
- Christopher Isherwood, Encontro À Beira-Rio
- Justin Spring, Secret Historian: The Life and Times of Samuel Steward, Professor, Tattoo Artist, and Sexual Renegade
- Jan Morris, Cunundrum
- Alison Bechdel, Fun Home

- Edmund White, Jack Holmes and His Friend
- Colm Tóibín, A Guest At The Feast
- Alan Hollinghurst, O Filho do Desconhecido
- William S. Burroughs, Queer

- Alan Bennett, Smut
- Alan Bennett, A Leitora Real

- John Steinbeck, Travels With Charley
- Paul Theroux, A Arte da Viagem

- Alain de Botton, Religião Para Ateus
- Keith Richard, Life

- Arturo Pérez-Reverte, O Hussardo
- Arturo Pérez-Reverte, O Clube Dumas

- Patricia Highsmith, The Cry of The Howl
- Henning Mankell, Um Passo Atrás
- Peter Hoeg, Smilla
- Karin Fossum, A Noiva Indiana
- John Verdon, Pensa Num Número
- Jeff Abbott, O Último Minuto


Cada vez mais as minhas leituras se circunscrevem a autores já conhecidos, nomeadamente a mão cheia de escritores de quem eu ando sempre à roda: o Isherwood, de quem cada vez gosto mais, o Edmund White, que voltou em força ao romance, o Tóibín, o Paul Theroux, o Henning Mankell, a Patricia Highsmith, o Arturo Pérez-Reverte, o Saramago, e, uma entrada fulgurante este ano, pela mão do meu amigo Bruno, o escritor policial brasileiro Garcia-Roza. Também acho que leio cada vez mais não-ficção, seja de carácter biográfico, memórias, diários, biografias e autobiografias, sejam livros de viagens, principalmente.

A comprová-lo, o destaque que dou aos dois livros que mais me marcaram este ano, a biografia que Justin Spring escreveu sobre o Samuel Steward, um dos meus heróis literários maiores, e o segundo volume dos diários do Christopher Isherwood, uma leitura que se me prende por dentro e me absorve por completo.

Dos quarenta e seis livros da lista, metade, 23, são de autores lusófonos, sendo sete brasileiros e um moçambicano. Os títulos aparecem na língua em que os li (atenção, não li o Eugénio Lisboa em latim!) Li nove livros no kindle, sendo dois deles de autores portugueses.

inventário I - música
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Ana Moura, Desfado
António Zambujo, Quinto
Brian Eno, Lux
Caetano Veloso, Abraçaço
David Byrne e St. Vincent, Love This Giant
Dr. John, Locked Down
Frank Ocean, channel Orange
Melody Gardot, The Absence
Michael Kiwanuka, Home Again
Miguel Araújo, Cinco Dia e Meio
O Experimentar 2: Sagrado e Profano
Patti Smith, Banga
Paul Buchanan, Mid Air
The XX, Coexist
William Basinski, The Disintegration Loops

Foram estes, entre os discos editados este ano, os que mais ouvi e de que mais gostei. Além disso ouvi muita música clássica, ando dedicado a ouvir a obra integral do pianista Glenn Gould, tendo começado por Bach, mas a descoberta vai continuar; e as sonatas para piano de Schubert pelo Alfred Brendel. Na pop, as discografias completas da Kate Bush e da k.d. lang, com a opção do modo aleatório activada, continuaram-me a fazer muita companhia nos serões de leitura.

Dos discos listados acima, os três que mais me impressionaram chegaram agora mesmo, quase no finalzinho do ano. O do Caetano é o terceiro (e julgo que o último) com o formato da Banda Cê, e na minha opinião é o melhor dos três, um disco ao nível dos melhores que Caetano já fez.

A colecção de 5 cds do William Basinski foi a minha descoberta do ano, uma coisa portentosa, se bem que este adjectivo aplicado à musica ambiental pode parecer um paradoxo. Mas Basinski estimulou, e expandiu, a minha mente, e ouço os discos com uma atenção quase hipnótica. Talvez ainda aqui volte a falar deste disco, sobretudo porque preciso de reflectir melhor sobre ele.

Outro disco que me arrebatou por completo nestes últimos tempos foi O Experimentar 2: Sagrado e Profano, um projecto da autoria de Pedro Lucas, com colaborações várias, entre elas as de Carlos Medeiros e Zeca Medeiros, e que parte do cruzamento das canções do folclore açoreano, algumas delas ouvidas em recolha directa, com ambientes musicais contemporâneos, de base electrónica. Não é aquela coisa do cruzamento entre opostos, entre passado e presente; é muito mais a construção de um suporte musical que serve e dá uma nova dimensão ao canto popular. Absolutamente imperdível.

inventário IV - livros
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Foi um ano mais pobre em leituras do que anos anteriores, quer em qualidade quer em quantidade. Entre os livros que mais prazer me deu ler, estão duas releituras, A Sombra dos Dias, de Guilherme de Melo, e do divino Eça, Os Maias. Depois há aqueles autores em relação aos quais cada livro que lemos é sempre um reencontro. Adorei ler O Assédio, que é uma espécie de manual da máquina Pérez-Reverte, tem tudo o que faz o encanto dos livros do espanhol, e tem-no de forma primorosa. Os Anagramas de Varsóvia foi provavelmente dos livros do Richard Zimler, o que mais gostei. Houve mais um volume auto-biográfico do Edmund White, duas excelentes colectâneas de contos de Colm Tóibín, um Armistead Maupin regressado a Barbary Lane, e um regresso a Christopher Isherwood, com o famoso Adeus a Berlim, e que serviu de pretexto para ver e rever filmes que têm a ver com o universo do autor. Nos policiais, houve um Lars Kepler novo, espectacular, mais um Henning Mankell, e a descoberta de um autor de que gostei bastante, Robert Wilson. Na não-ficção, gostei de viver as Memórias de Rómulo de Carvalho, e vivi a emoção de descobrir um autor, Alain de Botton, cujos livros de filosofia suave são divertidos e estimulantes. E houve uma colectânea de textos de Paul Theroux, quase todos sobre viagens, mas não só, que, desequilibrado como estas colecções costumam ser, contém alguma da melhor prosa do autor que eu já li.

Aqui fica a lista completa das leituras. Os livros estão agrupados por um critério mais ou menos afectivo, mais ou menos instintivo, e, claro, o título de cada livro vai no idioma em que o li:


Manuel Vazquez Montalbán - Os Alegres Rapazes de Atzavara
Kirmen Uribe - O Dois Amigos
Arturo Pérez-Reverte - O Assédio

Graham Greene - Travels With my Aunt
Andrew O’Hagan - A Vida e as Opiniões do Cão Maf e da Sua Amiga Marilyn Monroe
J.M. Coetzee - Verão
Colum McCann - Deixa o Grande Mundo Girar
Charles Portis - Indomável
Richard Zimler - Os Anagramas de Varsóvia
Andrew Gottlieb - Beber, Jogar, F*der
Bill Willingham - Fables: Legends in Exile 1

Edmund White - City Boy
Jonathan Harris - O Acompanhante
Colm Tóibín - Mães e Filhos
Colm Tóibín - The Empty Family
Christopher Isherwood - Adeus a Berlim
Armistead Maupin - Mary Ann in Autumn

Glenn Cooper - A Biblioteca da Morte
Glenn Cooper - O Livro das Almas
Lars Kepler - O Executor
Robert Wilson - O Cego de Sevilha
Robert Wilson - Último Acto em Lisboa
Harlan Coben - Não Contes a Ninguém
Henning Mankell - A Quinta Mulher

João Paulo Borges Coelho - A Cidade dos Espelhos
Guilherme de Melo - A Sombra dos Dias
José Saramago - História do Cerco de Lisboa
Eça de Queirós - Os Maias

Rómulo de Carvalho - Memórias
Paulo Drummond Braga - Filhas de Safo
Fernando Amado Couto - Moçambique 1974
João Magueijo - O Grande Inquisidor

Alain de Botton - Uma Semana no Aeroporto
Alain de Botton - Alegrias e Tristezas do Trabalho
Alain de Botton - A Arte de Viajar
Alain de Botton - Como Proust Pode Mudar a Sua Vida
Paul Theroux - Sunrise With Seamonsters
David Carradine - The Kill Bill Diaries

inventário III - cinema
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10 filmes:

- Habemus Papam, Nanni Moretti
- Pina, Wim Wenders
- Super 8, J.J. Abrams
- The Tree of Life, Terrence Malick
- True Grit, Joel e Ethan Coen
- L’Illusioniste, Sylvain Chomet
- A Dangerous Method, David Cronenberg
- Potiche, François Ozon
- Midnight in Paris, W. Allen
- Hereafter, Clint Eastwood

Liga de Honra:

- You Will Meet a Tall Dark Stranger. W. Allen
- Alain Oulman - Com Que Voz, Nicholas Oulman
- Somewhere, Sofia Coppola
- Turnée, Mathiew Amalric
- The Beaver, Jodie Foster
- Gianni e le Donne, Gianni Di Gregorio
- The Ward, John Carpenter
- La Piel Que Habito, Pedro Almodóvar
- The Ides of March, George Clooney
- Source Code, Duncan Jones
- The Help, Tate Taylor
- Contagion, Steven Soderbergh


Os Outros:

Le Concert, Radu Mihaileanu. Chloé, Atom Egoyan. Black Swan, Darren Aronofsky. The King´s Speech, Tom Hooper. The Fighter, David O. Russell. The Adjustment Bureau, George Nolfi. Copacabana, Marc Fitoussi. The Eagle, Kevin MacDonald. Larry Crowne, Tom Hanks. The Way Back, Peter Weir. The Conspirator, Robert Redford. The Rise of The Planet of The Apes, Rupert Wyatt. Cowboys & Aliens, Jon Favreau. Les Biens-Aimés, Christophe Honoré. As Aventuras de Tintin, Steven Spielberg. The Debt, John Madden.

Para além do cinema nas salas, também houve o cinema em casa. Apesar de não me dar muito prazer ver filmes na tv ou no computador, alguns dos melhores filmes que vi este ano foi assim, em pequeno formato.

Aproveitei para ver, ou rever, uma série de filmes do Billy Wilder, que já era e passou a ser mais ainda, um dos meus realizadores preferidos: Buddy Buddy, The Front Page, Irma La Douce, The Private Lives of Sherlock Holmes, Avanti! e One, Two, Three. Este projecto de ver o maior número de filmes possível do Billy Wilder vai continuar, é claro.

O cinema em casa serve também para ver determinados géneros de filmes, que não chegam às salas, pelo menos a Coimbra. Nomeadamente filmes de temática homossexual, ou que tenham alguma coisa a ver com isso. Assim, vi este ano os seguintes filmes:

- An Englishman in New York, Richard Laxton
- Drei, Tom Tyker
- I Am a Camera, Henry Cornelius
- Christopher and his Kind, Geoffrey Sax
- Morrer Com Um Homem, João Pedro Rodrigues
- The Howl, R. Epstein e J. Friedman

Finalmente, foi também em pequeno formato que vi aquele que acho que foi um dos melhores filmes que vi este ano, A Autobiografia de Nicolae Ceausescu, de Andrei Ujica.

inventário II - dança, exposições, teatro, concertos
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Não foi um ano famoso em termos de quantidade, mas vi alguns bons espectáculos. A dança fez o pleno: três espectáculos, três bons espectáculos. Só pela novidade, o destaque vai para Orphée, pela companhia Montalvo-Hervieu. A peça de teatro que mais gozo me deu assistir este ano foi Amadeus, no Teatro Nacional D. Maria II. Mas também gostei bastante de dois espectáculos que vi em Coimbra, na Oficina Municipal de Teatro, por duas companhias norte-americanas: Mission Drift e Your Brother, Remember? Vi poucos concertos, mas é difícil destacar os que gostei mais, pois foram todos muito bons. Claro que ver o Caetano e a Gadú juntos foi emocionante, mas também foi muito especial assistir ao concerto da Laurie Anderson, que adorei. E o final do concerto dos The National no Campo Pequeno foi absolutamente inesquecível.
Aqui fica a lista completa.

Dança:

- Paisagens... Onde o Negro é Cor, pela Companhia Paulo Ribeiro, encenação de Paulo Ribeiro Teatro Aveirense, Aveiro)
- Pets, pela Companhia Olga Roriz, encenação Olga Roriz (TCSB, Coimbra)
- Orphée, um espectáculo de José Montalvo e Dominique Hervieu (Culturgest, Lisboa)

Exposições:

- Trisha Brown (Serralves, Porto)
- José Barrias (Serralves, Porto)

Teatro:

- Noite de Reis, de William Shakespeare, pel'O Teatrão (OMT, Coimbra)
- Os 39 Degraus, encenação Cláudio Hochman (TAGV, Coimbra)
- Rigoletto, pela Ópera Nacional da Moldávia (TAGV, Coimbra)
- Single Singers Bar, Café Concerto, pelo Teatrão (OMT, Coimbra)
- Mission Drift, pela companhia The Team (OMT, Coimbra)
- Do Amor, de Lars Norén, encenação de Solveig Nordlund (TCSB, Coimbra)
- Em Tudo Te Vejo, recital de Natália Luiza (Hotel Astória, Coimbra)
- Your Brother, Remember?, de e por Zachary Oberzan (OMT, Coimbra)
- Amadeus, de Peter Schaffer, encenação de Tim Carroll (TNDMII, Lisboa)
- É Como Diz o Outro, encenação de Tiago Guedes (Teatro Aveirense, Aveiro)

Concertos:

- Nobody´s Bizness, showcase (FNAC, Coimbra)
- Orquestra Sinfónica do Porto, O Faroeste, dirigida por Joseph Young (Casa da Música, Porto)
- Mr Joe Black (TAGV, Coimbra)
- Patricia Barber (Casa da Música, Porto)
- Adriana Calcanhotto (Casa da Música, Porto)
- The National (Campo Pequeno, Lisboa)
- Laurie Anderson (Casa da Música, Porto)
- Caetano Veloso e Maria Gadú (Pavilhão Rosa Mota, Porto)

inventário I - discos
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Foram estes os discos saídos este ano que mais ouvi. Dois deles não foram editados em 2011, mas foi este ano que os conheci. Aliás um deles até já é bastante antigo. Cinco deles ouvi até à exaustão, quase poderia dizer, passe o exagero, que passei o ano a ouvi-los em loop. Por isso têm direito a fotografia da capa lá em baixo.

Adele, 21
Adriana Calcanhotto, O Micróbio do Samba
Carlos do Carmo e Bernardo Sassetti
Emmylou Harris, Hard Bargain
Eugene Blacknell, You Can’t Take Life for Granted
Gil Scott-Heron and Jamie XX, We’re New Here
James Blake, James Blake
Kate Bush, 50 Words For Snow
Keith Jarrett, Rio
Paul Simon, So Beautiful or So What
Peter Gabriel, New Blood
PJ Harvey, Let England Shake
Poly Styrene, Generation Indigo
Tom Waits, Bad As Me
Yuja Wang, Rachmaninov (Mahler Chamber Orchestra, cond. Claudio Abbado



inventário III: livros
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Se eu tivesse de fazer uma lista dos livros que li este ano e que mais marcaram, muito possivelmente essa lista seria a seguinte:

- Patti Smith, Just Kids
- Gerbrand Bakker, The Twin
- Ruy Castro, Rio de Janeiro Carnaval de Fogo
- Colm Tóibín, Brooklyn
- Gore Vidal, Snapshots in History's Glare
- Luís Amorim de Sousa, Às Sete no Sá Tortuga
- João Paulo Borges Coelho, O Olho de Hertzog
- Jean Morris, Veneza

É uma lista ecléctica, que tem romances, mais ou menos contemporâneios, mais ou menos históricos, que tem ensaio, sobretudo na forma de memórias, mas também na dos travelogues, e que tem até um álbum de fotografias, embora sejam sobre um grande escritor, que as comenta.

Mas escolher estes em vez de outros livros é uma injustiça. Dos perto de cinquenta livros que li este ano, acho que não houve nenhum que me tenha dado seca, guardo memória de todos, como se os tivesse acabado de ler. A minha tendência é para os arrumar mais ou menos aleatoriamente (esta lista nunca segue a cronologia da leitura), mais ou menos afectivamente (há livros que puxam outros, que gostam de ser arrumados juntos).

Este ano foi decididamente um ano Tóbin. Como gostei muito de Brooklyn, senti necessidade de ler mais livros do autor. Mas comecei por uma releitura:

- Colm Tóibín, A História da Noite
- Colm Tóibín, The Heather Blazing
- Colm Tóibín, The Master

Continuaram as aventuras do policial nórdico, leitura ideal de férias, claro, mas também de fim de semana e, já agora, de semana toda. Descobri o Henning Mankell, que foi o meu escritor policial deste ano.

- Henning Mankell, A Leoa Branca
- Henning Mankell, Os Cães de Riga
- Henning Mankell, Assassino Sem Rosto
- Lars Kepler, O Hipnotista
- Jo Nesbo, A Sangue-Frio
- Jo Nesbo, O Pássaro de Peito Vermelho

Depois há os amores de sempre, aqueles autores a que estamos sempre a regressar, de quem tanto podemos ler o mais recente livro, como um livro já antigo que tinha escapado, ou mesmo reler aqueles livros que mais nos marcaram, ou, pelo contrário, aqueles cuja lembrança queremos avivar. São escritores sem os quais já não conseguimos passar. Mas o que lemos, ou relemos, nunca são os escritores, são sempre os livros (e mais uma vez, é o granel: ficção e não ficção, viagens, memórias, correspondência, poesia, humor).

- José António Almeida, Obsessão
- Alberto de Lacerda, O Pajem Formidável dos Indícios
- José Saramago, Cadernos de Lanzarote Volume I
- José Eduardo Agualusa, Milagrário Pessoal
- Luís Carlos Patraquim, A Canção de Zefanias Sforza
- Bruce Chatwin, Under The Sun
- Edmund White, Chaos
- John Steinbeck, The Pastures of Heaven
- PG WodeHouse, Hot Water
- Paul Theroux, Viagem por África
- Christopher Isherwood, Um Homem no Singular
- Edgar P. Jacobs, O Enigma da Atlântida
- Mário Vargas Llosa, O Sonho do Celta
- Arturo Pérez-Reverte, O Pintor de Batalhas

Continuo a deliciar-me e a descobrir a literatura de expressão espanhola (ou castelhana?). Para além dos mencionados Llosa e Pérez-Reverte, li ainda duas revelações (para mim, é claro), dois autores absolutos:

- Juan José Millas, O Mundo
- Juan José Millás, Os Objectos Chamam-nos
- Manuel Vázquez Montalbán, O Prémio



Acho que leio cada vez mais livros de não ficção, mas o grosso da coluna ainda são livros de ficção, como se vê pelos já referidos acima. Mais romances e novelas, poucos contos. Este ano houve encontros reveladores (Naipaul) e descobertas cintilantes (Roy). E houve clássicos.

- D.H. Lawrence, O Oficial Prussiano
- D.H. Lawrence, A Princesa
- V.S. Naipaul, Num País Livre
- Henry James, A Fera na Selva
- Richard Zimmler, O Último Cabalista de Lisboa
- Arundhaty Roy, O Deus das Pequenas Coisas

Quanto à não-ficção, e para além dos já referidos, houve de tudo: biografia, literatura de viagens, ensaios. Destaco a edição de duas obras nacionais na área daquilo a que poderemos denominar de estudos queer, e três obras muito interessantes com escopo na história recente de Moçambique (e falar, ainda hoje, na história de Moçambique não deixa de ser estar a falar na história de Portugal).

- Laurie Lee, Quando Parti Numa manhã de Verão
- Maria Dzielska, Hipátia de Alexandria
- Elzbieta Ettinger, Hannah Arendt e Martin Heidegger
- Miguel Pinheiro, Sá Carneiro
- Raquel Lito, O 3º Sexo
- São José Almeida, Homossexuais no Estado Novo
- José Milhazes, Samora Machel: Atentado ou Acidente?
- Dalila Cabrita Mateus e Álvaro Mateus, Nacionalistas de Moçambique
- José Manuel Duarte de Jesus, Eduardo Mondlane: Um Homem a Abater

Não sei se foi dos anos que li mais (mas deve andar na média, à volta dos cinquenta livros por ano) mas foi um ano de óptimas leituras. Cada vez leio com mais prazer e, até por força do treino, acho que leio cada vez melhor. Leio mais depressa do que lia, e com mais atenção. E se é verdade que há livros que devoramos (li um dos livros do Mankell num dia, li o tijolo do Kepler num fim de semana, li o Cabalista de Lisboa em quatro ou cinco dias de férias), é mais verdade que há livros que nos devoram a nós. Engolem-nos todinhos, ao ponto de ficarmos tão dentro deles que parece que o mundo lá fora se suspende, entra em modo de pausa. Houve uma série deles assim, este ano. Mas os dois primeiros livros desta lista que referi, o Just Kids, da Patti Smith, e o The Twin, do Gerbrand Bakker, foram livros que me devoraram quase literalmente. Daqueles livros que entram no nosso coração, na nossa mente, no nosso espírito, e se alojam lá, que nos dão alegria e tristeza, que nos iluminam e magoam, que declinam, com um rigor cirúrgico, a nossa vida, ou melhor as nossas vidas: a que vivemos, a que fomos capazes de viver, a que gostariamos de viver. Curiosamente li os dois livros em inglês (a Smith no original, o Bakker em tradução do neerlandês); não sei se há probabilidade de The Twin ser por cá editado, é um livro demasiado obscuro (apesar de ter sido premiado, nomeadamente na Irlanda); já me parece mais provável que o livro da Patti Smith seja traduzido, tem tido muita notoriedade e a sua autora é, para todos os efeitos, uma rock star.


inventário II: dança, teatro, exposições, concertos
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Dança:

- A Bela Adormecida, pelo Moscow Ballet La Classique (TAGV, Coimbra)
- Ballet Flamenco de Madrid (Teatro Muñoz Seca, Madrid)

Teatro:

- Sonho de Uma Noite de Verão, de W. Shakespeare, Fatias de Cá (Mata dos Sete Montes, Tomar)
- Um Eléctrico Chamado Desejo, de Tennessee Williams, enc. Diogo Infante (TNDMII, Lisboa)
- Eu Sou a Minha Própria Mulher, Seiva Trupa, enc. João Lourenço (TCSB, Coimbra)
- Avenue Q (Teatro Nuevo Apolo, Madrid)

Exposições:

- Ana Vidigal, Menina Limpa, Menina Suja (Fund. Gulbenkian, Centro de Arte Moderna, Lisboa)
- Nadir Afonso (Museu Nacional de Arte Contemporânea, Lisboa)

- Underground Museum (Sangalhos)
- Casa Museu da Fundação Cesar Manrique (Lanzarote)
- Museu do Prado (Madrid)
- Centro de Arte Reina Sofia (Madrid)

Concertos:

- António Pinho Vargas (TAGV, Coimbra)
- JP Simões (Salão Brazil, Coimbra)
- Pop Dell'Arte (Teatro Aveirense, Aveiro)
- U2, 360º (Estádio Cidade de Coimbra)
- Lloyd Cole (TAGV, Coimbra)
- Camané (TAGV, Coimbra)
- Belle Chase Hotel (TAGV, Coimbra)
- Neil Hannon Plays The Divine Comedy (Teatro Aveirense, Aveiro)
- Herbie Hancock (Casa da Música, Porto)


O ano foi pobrezinho, sobretudo em quantidade. E por muito que a qualidade seja importante, e é, também é verdade que quanto mais melhor. Não porque mais seja bom em si, mas porque aumenta a probabilidade do melhor.

O concerto do ano foi o do Herbie Hancock na Casa da Música. Que concerto! Mas também podia ser o do Camané, que está, acho eu, na sua melhor forma, em plena maturidade, como cantor e como artista. Adorei a exposição da Ana Vidigal; fico sempre seduzido quando vou ver uma obra de arte e ela se põe a comunicar comigo, a provocar-me e a estimular-me. De resto vi muito pouco teatro e quase nenhuma dança. E quer um quer outra, fazem-me imensa falta.

inventário I: filmes
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Aqui estes meus balanços, mais do que a escolha dos melhores, servem essencialmente para fazer uma espécie de inventário para memória futura: todos os livros que li, todos os concertos a que assisti, todos os filmes que vi, etc. Quer dizer, nos filmes não é bem assim, há filmes que deixo de fora, sobretudo os que vi no computador ou na televisão. A excepção, ou seja filmes que vi sem ser nas salas de cinema e que vale a pena registar aqui para não me esquecer, são estes:

- O Advogado do Terror, de Barbet Schroeder
- Kinatay, de Brillante Mendoza
- Lola, de Brillante Mendoza
- Paragraph 175, de Rob Epstein e Jeffrey Friedman

Além destes, revi em dvd quatro filmes do Douglas Sirk, dois deles verdadeiras obras primas: All That Heaven Allows, Magnificent Obsession, The Tarnished Angels, e A Time to Love and A Time to Die.

Tento escolher os 10 melhores filmes que vi este ano, por ordem mais ou menos de preferência:

- Io Sono L'Amore, de Luca Guadagnino - porque poucos filmes nos dão o transtorno amoroso com um apuro formal tão elevado;
- Un Prophéte, de Jacques Audiard - porque não é frequente a fragilidade e a força terem o mesmo rosto, no caso o do actor Tahar Rahim;
- A Single Man, de Tom Ford - porque me pôs a amar ainda mais o Christopher Isherwood;
- O Laço Branco, de Michael Haneke - porque nunca o preto-e-branco foi uma tão incómoda representação do mal;
- Tetro, de Francis Ford Coppolla - porque não há beleza como a do fracasso;
- José e Pilar, de Miguel Gonçalves Mendes - porque nos desvenda o essencial de uma história que já conhecemos;
- Serge Gainsbourg: Vie Heroique, de Joann Sfar - porque nos mostra o interior do mito em vez do exterior do homem;
- Des Hommes et Des Dieux, Xavier Beauvois - porque fala só dos homens, mesmo quando parece que está a falar dos deuses;
- Les Herbes Folles, de Alain Renais - porque há uma maneira sofisticada, elegante, subtil, quase imaterial, de contar histórias;
- The Ghost Writer, de Roman Polanski - porque me fez lembrar a regra hitchcockiana de que nada deve ser levado tão a sério como o divertimento.


Além destes 10, houve mais 5 que estiveram ali a disputar as últimas entradas na tabela (digamos que esta é a parte da tabela dos suspeitos do costume, os incontornáveis):

- Up In The Air, de Jason Reitman - porque não é muito frequente o gozo do argumento estar assim tão plasmado no ecrã;
- Invictus, de Clint Eastwood - porque mostrou que é possível contar uma história inspiradora, mantendo-lhe o rosto humano;
- Whatever Works, de Woody Allen - porque o encontro entre Allen e Larry David tinha de ser extraordinário;
- Shutter Island, de Martin Scorsese - porque Marty é de todos o que melhor sabe brincar aos clássicos;
- Inception, de Chris Nolan - porque all that we see or seem is but a dream within a dream.

Vi ainda, por ordem de entrada em cena (sem comentários):

- Coco Chanel e Igor Stravinski, de Jan Kounen
- Bright Star, de Jane Campion
- Nine, de Rob Marshal
- Precious, de Lee Daniels
- Looking For Eric, de Ken Loach
- Alice in Wonderland, de Tim Burton
- The Imaginarium of Doctor Parnassus, de Terry Gilliam
- I Love You, Phillip Morris, de Glenn Ficarra e John Requa
- 9, de Shane Acker
- Date Night, de Shawn Levy
- The Time Traveler's Wife, de Robert Schwentke
- Brooklyn's Finest, Antoine Fuqua
- Tamara Drewe, de Stephen Frears
- Mistérios de Lisboa, de Raúl Ruiz
- The Social Network, de David Fincher
- The Kids Are All Right, de Lisa Cholodenko
- The Last Station, de Christopher Hoffman

E para o final as duas maiores decepções do ano (a palavra 'barrete' ainda tem expressão cinéfila?):

- Airbender, de M. Night Shyamalan
- Eat Pray Love, de Ryan Murphy

balanço lll
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Os livros que li em 2009, agrupados por afinidades mais ou menos afectivas:

- José António Almeida, A Vida de Horácio
- José António Almeida, O Casamento Sempre Foi Gay e Nunca Triste

- Laurentino Gomes, 1808
- Maria Filomena Mónica, Passaporte
- Manuela Gonzaga, Maria Adelaide Coelho da Cunha: Doida Não e Não!
- Luís Amorim de Sousa, O Pico da Micaia
- António Alçada Baptista, Peregrinação Interior
- Leonor Xavier, Casas Contadas
- Manuel João Ramos, Traços de Viagem
- Alexandra Lucas Coelho, Caderno Afegão
- Isabela Figueiredo, Caderno de Memórias Coloniais
- Mónica Marques, Transa Atlântica

- Barack Obama, Dreams From My Father
- Susan Sontag, Reborn
- Andrew Wilson, Beautiful Shadow: A Life of Patrícia Highsmith
- Haruki Murakami, Underground

- Augusten Burroughs, A Wolf at The Table
- David Sedaris, Eu Falar Bonito Um Dia
- Paul Theroux, O Velho Expresso da Patagónia
- Paul Theroux, Ghost Train to The Eastern Star

- José Saramago, A Viagem do Elefante
- João Ubaldo Ribeiro, Viva o Povo Brasileiro
- Eça de Queirós, A Correspondência de Fradique Mendes
- José Eduardo Agualusa, Barroco Tropical
- José Eduardo Agualusa, Nação Crioula

- Eric Jourdan, Os Anjos Maus
- Álvaro Pombo, Contra-Natura

- P.G. Wodehouse, A Damsel in Distress

- Laurent Gaudé, Noite Dentro, Moçambique

- Stig Larsson, Os Homens Que Odeiam as Mulheres
- Stig Larsson, A Rapariga Que Sonhava Com Uma Lata de Gasolina e Um Fósforo
- Stig Larsson, A Rainha no Palácio das Correntes de Ar

- Arturo Peréz-Reverte, O Mestre de Esgrima
- Arturo Peréz-Reverte, A Pele do Tambor
- Arturo Peréz-Reverte, O Cemitério dos barcos Sem Nome
- Arturo Peréz-Reverte, A Rainha do Sul
- Arturo Peréz-Reverte, A Tábua de Flandres

Olho para esta lista de livros e acho que não houve nenhum que tenha sido verdadeiramente transformador, daqueles que incluímos numa lista dos livros mais importantes da nossa vida. E no entanto não houve muitos outros anos em que a leitura tenha desempenhado um papel tão importante na minha vida. Acho, verdadeiramente, que inaugurei uma fase em que a leitura é a minha forma de alienação, a minha principal fonte de diversão e entretenimento. Olho para esta lista e se não encontro livros que me tenham transformado, encontro muitos de que gostei bastante, que me divertiram muito, com os quais aprendi alguma coisa. Para além das leituras em massa do Stig Larsson e do Arturo Peréz-Reverte (houve uma altura em que achei que ia ficar para sempre viciado nos livros do A P-R, que nunca mais ia conseguir ler outra coisa), acho que os livros que mais me marcaram foram a biografia da Patricia Highsmith e o livro do Paul Theroux sobre a viagem na Ásia. Porque demorei a lê-los, e assim acompanharam-me durante muito tempo. Porque o livro de Andrew Wilson nos faz entrar dentro do espírito criador literário da PH, e dentro do seu carácter, e me ajudou a perceber melhor e a fascinar-me ainda mais por uma escritora que adoro. Quanto ao livro de Theroux foi um livro que me acompanhou durante tempos muito complicados, e nos quais foi, acho eu, a minha única fonte de prazer, e também porque me fez, ainda que de passagem, recordar lugares por onde passei, as aventuras que lá tive e quem me acompanhou nelas.

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Vi, como vem sendo habitual nos últimos anos, pouco cinema. Apesar de ver cada vez menos filmes em sala, ainda foi aí que vi a maior parte do cinema este ano. O computador tem servido sobretudo para ver filmes que não passam nas salas nacionais, nomeadamente, e sobretudo, cinema de temática homossexual.

Dos filmes que vi, os que mais perduram na minha memória, os que me deram mais prazer ver, digamos assim, foram estes:

- Caos Calmo, de Arturo Luigi Grimaldi, com o realizador Nani Moretti a fazer um papel à sua medida;
- Changeling, de Clint Eastwood, que não sendo do melhor que o realizador nos deu, tem pelo menos o mérito de arrancar uma representação fabulosa da Angelina Jolie;
- Vicky Cristina Barcelona, de Woody Allen, que achei um filme divertidíssimo e elegante, e me fez matar saudades de Barcelona;
- Milk, de Gus Van Sant, que provavelmente qualifica como um dos melhores filmes do ano, tanto pela história como pela narrativa, e que deu ao Sean Penn o melhor desempenho masculino do ano;
- Slumdog Millionaire, de Danny Boyle, o vencedor dos óscares e das polémicas, e de que se calhar gostei tanto por ter adorado a banda sonora do A.R. Rahman;
- Doubt, de John Patrick Shanley, principalmente pelo duelo entre a Meryl Streep e o Philip Seymour Hoffman;
- The Reader, de Stephen Daltry, cujo maior mérito foi trazer para a ribalta o livro assombroso de Bernhard Schlink;
- Man on Wire, de James Marsh, um documentário sobre Phillipe Petit, o homem que em 1974 caminhou sobre um arame esticado entre as torres gémeas do WTC, e que é um filme perturbador sobretudo por aquilo que nunca menciona;
- The Wrestler, de Darren Aronofsky, porque raras vezes é tão pungente a maneira como um actor, Mickey Rourke, se entrega a um papel, e ainda pela raríssima oportunidade de ver no ecrã a Marisa Tomei;
- Gran Torino, de Clint Eastwood, aqui sim, o mestre no seu melhor, uma obra-prima;
- Chris & Don, A Love Story, de Tina Mascara e Guido Santi, um documentário comovente sobre as vidas e o amor do escritor Christopher Isherwood e de Don Bachardy;
- Were The World Mine, de Tom Gustafson, um filme irresistível, que junta Shakespeare e o musical numa história de um coming out gay;
- Serbis, de Brillante Mandoza, um filme cru mas comovente, cuja história gira em torno de uma sala de cinema decrépita que passa filmes pornográficos, e da família que a explora;
- Inglorious Basterds, de Quentin Tarantino, e que é Tarantino vintage, feito para um tipo se babar a olhar para o grande ecrã;
- Two Lovers, de James Gray, um filme intenso e pungente quase ao ponto do doloroso, e que nos trouxe, ao que se diz pela derradeira vez, esse fabuloso actor sombrio que é o Joaquin Phoenix;
- Los Abrazos Rotos, de Pedro Almodóvar, porque um Almodóvar mesmo menor é ainda assim um Almodóvar;
- Chéri, de Stephen Frears, porque não é todos os dias que temos a Michelle Pfeiffer, ainda para mais num papel que não deixa de ser uma reflexão sobre o papel que o cinema guarda para as actrizes de uma certa idade que foram um dia as estrelas do glamour;
- Arena, de João Salavisa, porque os filmes não se medem aos palmos, e não foram muitas as vezes que vimos em português um olhar tão saturado de erotismo;
- Taking Woodsotck, de Ang Lee, porque há sempre qualquer coisa de fascinente no olhar estrangeiro do Ang Lee, para mais desta vez que vem carregado de ironia e humor;
- District 9, de Neil Blomkamp, porque não podemos esquecer a imagem da gigantesca nave alienígena sobre a cidade de Joanesburgo, neste filme que é uma parábola sobre o racismo nas sociedades contemporâneas;
- The Brothers Bloom, de Rian Johnson, porque me fez lembrar um bocadinho os filmes do Wes Anderson;
- A Very British Sex Scandal, de Patrick Reams, um docu-drama que reconstitui a sequência de eventos que desencadearia a alteração das leis inglesas que consideravam a homossexualidade um crime;
- Julie & Júlia, de Nora Ephron, uma comédia gastronómica que nos traz a dupla de actrizes do filme Doubt, Meryl Streep e Amy Adams;
- Agora, de Alejandro Amenábar, porque a Rachel Weisz cria uma Hepátia que é a prova de que quando a lenda é melhor do que a realidade, filme-se a lenda;
- Avatar, de James Cameron, porque ainda não me passou o deslumbramento do 3D.

Para além destes, vi ainda ou revi os seguintes: Body of Lies, Revolutionary Road, Valkyrie, The Visitor, Benjamin Button, Rudo Y Cursi, Coco Avant Chanel, Bruno, Transsiberian, What Just Happened, It´s a Mad Mad Mad Mad World, A Funny Thing Happened On The Way To The Forum, The Informant.