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Entries by tag: gato

birthday boy
rosas
innersmile


Fiz hoje 57 anos. Durante o último ano, foram vezes demais aquelas em que pensei que não chegaria a este dia. Mas não sinto que ter chegado aqui tenha sido vitorioso. Não me consigo sentir feliz, tenho a alma demasiado pesada com preocupação e angústia pelo mais que possa acontecer. E já esta semana que se aproxima traz-me mais motivos de preocupação.

Mas o dia de hoje correu bem,e depressa. Estive bem disposto e tranquilo. Tive muitos telefonemas, todos me souberam muito bem, e recebi imensas mensagens. Encomendei o almoço, um belo caril de gambas a fazer-me lembrar outros caris da minha vida, e tive a melhor companhia que poderia desejar. À tarde tive visitas, e até o meu gato me veio visitar, apesar de parecer que está amuado comigo e não me ter ligado nenhuma. Mas eu amo-o na mesma.

Tive ainda um bolo, que foi o meu bolo de aniversário, e que foi especial, primeiro porque estava óptimo, e principalmente porque foi feito por uma senhora com 92 anos, num acto de generosidade que me comoveu.

biblioteca de alexandria
rosas
innersmile


"Quando eu tinha os meus cinco ou seis anos, disse-me que numa vida passada trabalhara na Biblioteca de Alexandria.
- E que trabalho fazias? - perguntei-lhe. Íamos de mãos dadas a caminho da escola.
- Nada de importante; limitava-me a manter tudo arrumado e limpo - respondeu, como se fosse a coisa mais natural do mundo acreditar nisso.
- Gostavas de lá trabalhar?
O seu rosto iluminou-se.
- Céus, se gostava! Podia ler todos os pergaminhos que me apetecesse e era fluente em grego e egípcio. À hora do almoço ia nadar no Mediterrâneo. Água quente, mulheres bonitas, sol, cerveja, bons livros... Eu, eu tinha tudo o que queria!"


- Richard Zimler, OS DEZ ESPELHOS DE BENJAMIN ZARCO (Porto Editora)

tacto
rosas
innersmile


as paredes afastam-se
lentamente
do lugar a que chamam lar

os olhos ainda procuram
ávidos de beleza
a cor refulgente do sol a bater nos vidros

a mão tacteia, em vão
a imponderável expressão do sono

guarda-me, ao menos, na memória dos teus sonhos
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esperando
rosas
innersmile


Cada vez que olho para o gato comovo-me com a sua inocência, com a sua inconsciência do futuro, com o facto de ele não sofrer a angústia de saber que daqui a uns dias, estaremos separados mais uma vez.

Acho que essa ignorância faz dele um infeliz, alguém que não sabe o que está prestes a acontecer-lhe. Mas também sinto uma certa inveja dessa leveza de ser, que advém de não sabermos o que nos espera. Sinto inveja? Não sei, ou melhor, não sinto. Não me angustiar com o que me espera, não faz parte daquilo de que sou capaz.

Fui almoçar à livraria. Encontrei por acaso, e comprei de imediato, uma edição hardcover (da Penguin) do livro Walk Through Walls: A Memoir, da autoria da artista e performer Marina Abramovic.

Comecei logo a ler o primeiro capítulo, sobre a infância e a juventude de Abramovic em Belgrado, a capital da então Jugoslávia. Foi estranho. Esta leitura encheu-me de uma exaltante vontade de liberdade, muito contraditória com o meu estado de espírito. Uma contradição insanável, entre a presente falta de perspectivas e um intenso impulso criativo. Ou entre uma vontade de ir para casa, para junto do gato, um lugar onde sempre me senti livre, e a consciência de que voltar para casa é sempre um regresso à asfixiante situação actual.

Por momentos, vagos e subconscientes, tive a impressão de que estaria safo enquanto me mantivesse ali na livraria, a ler o livro da Marina Abramovic.

é mais ou menos isto
rosas
innersmile


No meio destes dias de intempérie plúmbea e furiosa, lembro-me de comermos talhadas de melancia ao pequeno-almoço: a casca de um verde forte e luminoso, as pevides negras e duras, a polpa carnuda e vermelha, doce e rija, a água a escorrer-nos pelas mãos e pelos braços. Pronto, é mais ou menos isto.

Ou um final de tarde, no meio da selva, na Guatemala. Os outros foram, na sua maioria, para as ruínas da cidade maia, para verem o pôr do sol do alto das pirâmides. Ficámos, dois ou três, na esplanada ao lado da piscina, a beber gins e a ouvir os macacos rugir como leões.

o gato
rosas
innersmile


Numa manhã de domingo de janeiro, muito fria e com um céu muito azul, o gato deitado ao sol junto à janela, preguiçoso e muito quentinho, é o meu último reduto, táctil e visual, da felicidade possível. A única coisa que, por momentos, consegue suspender o mundo lá fora.

festas felizes
rosas
innersmile


"O amor torna-nos jovens, mas o mundo faz-nos velhos." (David Leavitt, ENQUANTO A INGLATERRA DORME)

Na improbabilidade de aqui vir nos próximos dias, deixo a todos os amigos e leitores que ainda persistam, os meus votos de FESTAS FELIZES. Espero que passem um NATAL tranquilo (e com coisas doces e fritas, que é o que desejo para mim), e que o futuro vos traga um ANO de 2018 com muita saúde e muitas realizações pessoais e profissionais.

transitório
rosas
innersmile
Nestes últimos dias tenho pensado muito no meu pai (e sonhado também, continuo a sonhar muito frequentemente com o meu pai e a minha mãe). Principalmente, devo confessar, a propósito do gato: tenho a impressão de que a relação que o gato tem comigo é cada vez mais parecida com a que o gato Jarbas tinha com o meu pai. E digo que tenho a impressão em vez de ter a certeza, porque a relação entre eles os dois, o meu pai e o Jarbas, era muito secreta, muito exclusivista, era uma coisa muito deles os dois. Claro que a relação entre o meu gato e eu também é assim, mas o ponto é que em minha casa somos só os dois, e por isso é natural que se estabeleça essa relação, enquanto que em casa dos meus pais éramos sempre pelo menos três, e com temporadas em que éramos quatro, e era sempre uma casa cheia de gente, muitas visitas, algumas diárias. E o meu pai era muito reservado, e não partilhava os comportamentos do gato, as coisas que eu ia sabendo era normalmente a minha mãe que me contava.

Quando penso no meu pai tenho uma certa tendência a lembrar-me dele como era nos últimos tempos, já muito afectado pela doença. Talvez porque sempre tenha sido a minha mãe a tomar conta do meu pai e apenas quando ele foi internado, e poucos meses depois a minha mãe morreu, passámos a ser apenas nós dois, ele e eu. Apesar de ele estar internado numa casa de saúde e ser o pessoal de lá a tratar dele, talvez apenas nessa fase da vida eu me tenha sentido totalmente responsável por ele. Era eu que ía regularmente visitá-lo, e a grande maioria das vezes estávamos os dois sozinhos. Era eu que tinha de tomar as decisões importantes, quer as relativas à sua condição de doente internado, quer as da vida dele enquanto cidadão. Tive de lhe tratar do cartão do cidadão e de entregar as declarações de impostos, tive de tomar todas as decisões relativas à casa deles. Enfim, talvez seja por todas essas razões que, apesar de ser uma relação muito unívoca por causa da sua condição, quando penso no meu pai normalmente o que me vem à ideia é ele nesses últimos tempos, mesmo em termos de aparência física.

E é curioso, porque me lembro muito bem de que, durante o tempo em que ele esteve internado, eu nunca integrei completamente a situação, não fazia muito parte da minha estrutura mental. Aquela situação, do meu pai internado com uma doença mental que aos poucos o ia isolando do mundo, para mim nunca foi “a realidade”. A realidade era outra coisa. Em relação àquela situação sempre tive um sentimento de precariedade, de que aquilo era transitório, que estávamos a viver uma situação temporária, entre uma realidade anterior e uma outra que haveria de chegar. Nunca tive consciência de que essa realidade outra que haveria de chegar era a sua morte. E por isso, sempre que penso agora no meu pai, e na temporada que passou internado na casa de saúde, é sempre com esse sentimento de que há ainda qualquer coisa que ficou por resolver.

tarantino
rosas
innersmile
O gato gosta muito de brincar mas não tem sentido de humor, é sisudo. Agora, como ele tem a temperatura corporal mais elevada que a minha e aquele belo pelo fofo de tanta lambidela, quero que ele venha dormir ao pé de mim. Chamo-lhe o Quentinho Tarantino. Não liga nenhuma.

estar vivo
rosas
innersmile


"Ela também só pensava naquilo que havia acontecido, mas um dia, lá em Pouso Alto, estava vendo uma vaca pastar e disse para si mesma: cada obstáculo que a gente supera em nossa existência, principalmente os piores e mais horríveis, devam apenas nos fazer sentir mais ainda o prazer de viver. «Percebi, olhando aquela vaca, como é bom estar viva! O resto, todo o resto não tem a menor importância se você sabe que está vivo, se você sabe o que é estar vivo. Naquele instante deixei de me lamuriar, deixei de sofrer por medo, paixão, anseios. Isso tudo faz parte de estar vivo. Não adianta me dizer que pensar assim é imoral, um individualismo impudente ou lá o que for, porque não é nada disso, é apenas amor pela vida.»
«Penso na vaca, logo, existo feliz.»"


- Rubem Fonseca, A GRANDE ARTE (no Kindle)

credo
rosas
innersmile


"E creio em silêncio. Em tudo. Em Deus Pai Todo Poderoso e no seu único Filho, na Virgem Maria, nos anjos e santos, na remissão dos pecados e na Vida Eterna; nos ninhos de andorinhas repovoados na primavera, na desova dos peixes que galgam o rio, no canto incógnito das baleias, na cópula cega dos cães vadios. E também na flor hipnótica das acácias, no pólen das margaridas, no odor vespertino do alecrim e do rosmaninho; no negrume bravio dos arbustos e dos pinheiros cerrados, onde se acoitam os antigos espíritos errantes; nos cinco pontos cardeais, nos cinco elementos terrenos, na inumerável clarividência divina da Física e da Química e dos ansiolíticos. E acima da mentira mundana, e da malevolência gratuita, creio no amor. É a minha religião.
A marmelada vai-se fazendo ao longo da nossa conversa."


- Isabela Figueiredo, A GORDA (Caminho)

babies
rosas
innersmile


Saio daqui a pouquinho, e rumo a sul. Vou matar saudades da minha baby, e conhecer o meu baby novo. O gato fica aqui a tomar conta do estaminé, e as suas aventuras podem ser seguidas em www.instagram.com/pet.lovers.coimbra. Volto já.

o sol nas coisas
rosas
innersmile


O PRESTIDIGITADOR ORGANIZA O ESPECTÁCULO

Há um piano carregado de músicas e um banco
há uma voz baixa, agradável, ao telefone
há retalhos de um roxo muito vivo, bocados de fitas de todas as cores
há pedaços de neve de cristas agudas semelhantes às das cristas de água, no mar
há uma cabeça de mulher coroada com o ouro torrencial da sua magnífica beleza
há o céu muito escuro
há os dois lutadores morenos e impacientes
há novos poetas sábios químicos físicos tirando os guardanapos do pão branco do espaço
há a armada que dança para o imperador detido de pés e mãos no seu palácio
há a minha alegria incomensurável
há o tufão que além disso matou treze pessoas em Kiu-Siu
há funcionários de rosto severo e a fazer perguntas em francês
há a morte dos outros ó minha vida

há um sol esplendente nas coisas


- Mário Cesariny, MANUAL DE PRESTIDIGITAÇÃO


Vou ali passar uns dias de férias e já volto. As aventuras do gato podem ser seguidas em instagram.com/pet.lovers.coimbra.

animal de estimação
rosas
innersmile
Tenho simpatia pelo Manuel Luís Goucha. Não pela sua personagem dos programas matinais, dos quais não sou espectador. Mas acho que tem um percurso televisivo limpo e, na medida em que isso é possível num panorama televisivo em que tudo é submetido à lógica selvagem das audiências, digno. Na sua faceta de personalidade pública (os “famosos”, como se diz em Portugal), admiro-lhe a frontalidade e a coragem, de não ter alinhado nos jogos de faz de conta para gáudio das massas e enriquecimento das revistas

O Manuel Luís Goucha é fruto da sua geração; é um tipo informado, culto, com balizas e princípios que lhe dão sensatez nas opiniões, e ainda por cima escreve bem, num português vivo e alegre. Por isso sigo o seu blog, o Cabaret do Goucha (não sei se a ideia do nome foi dele, mas até nisto evidencia um sentido de humor que aprecio): um aplicativo de feeds permite-me ver os resumos dos posts e ler apenas os que me interessa. Gosto, por exemplo, dos textos sobre culinária ou sobre os seus cães, na mesma medida em que, entre outros, passo ao lado das frivolidades dos sapatos de marca e dos acessórios exclusivos.

Por estes dias, o blog fez anos, e o Manuel Luís Goucha fez uma série de passatempos em que os livros de que é autor premiavam os contributos mais engraçados publicados pelos leitores nas páginas de comentários. Um desses passatempos era sobre animais de estimação; ao longo do dia tentei publicar um textinho mas suponho que o excesso de tráfego na página de comentários me impediu de conseguir ter sucesso. Era assim a minha participação:

"O meu animal de estimação é importante porque me dá comida e água fresca, limpa-me a areia do tabuleiro todos os dias, deixa-me dormir em cima da barriga dele quando está frio, deixa-me morder-lhe as mãos só porque me apetece, e brinca comigo às lutas (felizmente rói as unhas, ao contrário de mim). Provavelmente eu era mais feliz se vivesse livre, nos jardins e nos telhados, mas tendo em atenção que eu logo à nascença fui enfiado num saco plástico, o meu animal de estimação talvez tenha sido a melhor coisa que me aconteceu."
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#ascoisasimportantessoolhasumavez
rosas
innersmile


"AS COISAS IMPORTANTES

As coisas importantes só olhas uma vez
mas sua imagem se repete muitas vezes dentro de ti
como um eco.

As coisas importantes que estão dentro de ti
e se repetem constantemente
já não estão presas ao que olhaste atento
mas no silêncio que tens dentro
se libertaram e tornaram incertas.

As coisas importantes no teu dentro
só já a ti pertencem
e nada do que está fora de ti as lembra agora.

As coisas importantes metes numa caixa
que com paciência vais abrindo aos poucos
para esqueceres as muralhas de outro tempo."


- Jall Sinth Hussein, POEMAS DO ÍNDICO

memorial
rosas
innersmile


"Sete dias sem uma nota, um fato, uma reflexão; posso dizer oito dias, porque também hoje não tenho que apontar aqui. Escrevo isto só para não perder longamente o costume. Não é mau este costume de escrever o que se pensa e o que se vê, e dizer isso mesmo quando não se vê nem pensa nada."

- Machado de Assis, MEMORIAL DE AIRES (no Kindle)

de regresso
rosas
innersmile


Foram quatro dias passados assim, entre brincadeiras e brinquedos da minha baby, e festinhas na barriga da baby nova que vai nascer para o ano. Entre os meus sobrinhos descubro, não sei bem se um sentimento de pertença, mas um aconchego tranquilizador. Gosto de estar na sua companhia. E eles dão-me alguma esperança no futuro, pensar no futuro sem ansiedade nem pessimismo, mas apenas como os dias que estão para vir e as promessas insuspeitas que eles guardam.

Dois momentos em que a minha baby me derreteu. Um, quando me chamou para me sentar ao lado dela enquanto fazia a nebulização para a bronquite, porque gosta de sentir o aconchego da companhia enquanto faz o tratamento. Outro, quando, para atrasar a hora de se deitar, anunciou que era o Zézinho e deitou-se nas minhas costas a dar-me mordidelas nas mãos, como faz o meu gato.

Hoje no regresso parei em Lisboa, ou lá perto, em casa da minha tia, para mais uma reunião de família. Almoçámos, comi as coisas boas que ela fez para mim, porque sabe que eu adoro, brincámos, conversámos. Já quase de saída chamei a minha tia ao quarto só para me dar mimos. Daqueles. Daqueles que me fazem ter saudades dos outros. Há momentos em que precisamos de encostar a cabeça e descansar.

Cheguei a casa cheio de saudades do gato. Ele matou as saudades que tinha minhas e deitou-se a dormir ao pé de mim. Quer dizer, depois de eu ter andado a dar um jeito ao cenário de destruição em que a casa estava; uma das vítima foi das minhas camisas preferidas, que tinha deixado pendurada num cabide, e que estava amarfanhada no chão com um grande buraco numa das mangas.

avarias
rosas
innersmile


Acordei, como sempre, antes das sete, despertado pelo gato. Depois de lhe dar de comer, tornei-me a deitar, já com os estores do quarto subidos, a ler. Por volta das oito e meia tornei a adormecer, e dormi dois sonos seguidos, de cerca de vinte minutos cada, ambos com muitos sonhos, daqueles muito agitados, muito cheios de peripécias. No segundo dos sonhos estava numa casa enorme, com piscina, e muita gente, ou uma espécie de clube de verão, não sei. Estava com os meus sobrinhos. Às tantas peguei na minha sobrinha neta ao colo e nesse momento cruzei-me com uma pessoa conhecida. Trata-se de um médico, psiquiatra, com quem tenho uma relação muito afável porque sou muito amigo da irmã dele. Acordei intrigado, a pensar na possível razão para o meu subconsciente o ter ido buscar para o meter no sonho. Só pode ter sido porque ele também teve um cancro na bexiga, e eu penso muitas vezes no modo como, segundo a minha amiga me contou, ele desconfiou que poderia haver algum problema sério.

Na quinta-feira ao final da tarde fui buscar a minha prima C para irmos jantar, e, de passagem, parei em frente da pastelaria Vasco da Gama para comprar um bolo-rei.Quando voltámos ao carro e dei a volta à chave, estava sem direcção assistida, logo diagnosticada por um aviso no painel de informações do tablier. Sinto-me sempre muito estranho nestas ocasiões, em que sem termos nenhuma espécie de pré-aviso, o cosmos parece alterar-se um bocadinho a nosso desfavor, nem que seja sob a forma de uma avaria completamente insuspeita no automóvel. Mas que raio... o que é que terá acontecido?!

Liguei para a assistência em viagem, mandaram um pronto-socorro para levar o carro para a oficina, e um táxi para nos levar para o restaurante onde planeáramos jantar. Na sexta-feira ligaram da oficina a dizer que a avaria foi identificada, que será reparada sem custos para mim (o que me levou a dizer ao recepcionista da oficina que a avaria tinha sido mais surpreendente para mim do que para ele), mas que o carro só estará pronta na terça-feira. A seguradora deu-me um veículo de substituição, um Fiat 500L, todo catita, o que deu logo um ar lavado ao fim de semana.

Ontem de manhã fui com a C, que tem estado a residir no Brasil, visitar o meu pai. Depois da estranheza inicial, e no meio de um fascínio muito evidente pela barriga da C, que está grávida de seis meses, vi o meu pai fazer uma coisa que nunca tinha feito: de cada vez que eu lhe perguntava se ele conhecia a C e como é que ela se chamava, ele respondia direitinho, sem precisar de ajudas ou incentivos à memória. O que é absolutamente fantástico, pois nem do meu nome ele se lembra: reconhece-o quando eu lho lembro, mas não é capaz de o recordar espontâneamente.

brb
rosas
innersmile


Por enquanto, o gato fica aqui a tomar conta do estaminé. A emissão normal será reatada dentro de momentos.


home alone
rosas
innersmile


Vou passar uns dias de férias fora de casa, junto de uma das minhas piscinas preferidas e muito perto de uma das minhas praias predilectas. Um sítio ao qual me ligam recordações muito fortes, e por isso estes dias também vão ser um teste.

Pela primeira vez, saio e deixo o gato em casa. Home alone. Agora que já tem um ano, prefiro deixá-lo em casa do que o levar para um gatil, onde, receio, ia-se sentir mais infeliz e ainda apanhava uma camada de pulgas. Também vai ser um teste. Não sei o que me custa mais: saber que vai passar muitas horas sozinho, sobretudo durante as noites, uma vez que as passa sempre junto a mim; ou a preocupação pelo nível de destruição que vou encontrar no regresso.
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happy catday
rosas
innersmile


A data a assinalar é no início de setembro, dia 5 se não estou em erro. Foi apanhado em meados de agosto, esteve três semanas em casa da vet até desmamar e veio cá para a casa com cerca de 5 semanas. Mas o registo oficial marca o dia primeiro de agosto como o dia do nascimento. Por isso, na manhã de sábado passado, ainda na cama, tirámos uma selfie e depois tirei-lhe uma foto-bibelot.
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recado
rosas
innersmile


Preciso de te contar como foi o dia de ontem. Parece que fica sempre tudo incompleto se tu não souberes, se eu não te contar, como se, de alguma maneira, as coisas só fizessem sentido se fossem para ti; talvez porque tu fosses a única pessoa a perceber exactamente o que sentia, o modo como eu sentia as coisas da vida.

Os nossos meninos vieram cá. Chegaram na quarta-feira à noite, muito tarde. Pedi à tua sobrinha para eles ficarem lá em casa, apesar de tudo é mais confortável e “normal” do que a minha. Ontem de manhã fui buscá-los e fomos ao Pediátrico, para a baby ter uma consulta. As coisas a princípio não estavam a correr muito bem, mas depois ao longo da manhã compuseram-se substancialmente, e pareceu-me que o resultado da vinda deles cá acima foi positivo, e que a nossa menina ficou satisfeita e, espero eu, menos ansiosa com os problemas da baby.

Depois fomos os quatro almoçar, já em ambiente de grande descontração. Ficámos na esplanada, a miúda comeu bem e brincou. Foi óptimo. A seguir fomos ver o pai, o nosso menino queria ir ver o avô. Estivemos lá um bocadinho. A má notícia é que pela primeira vez ele estava de cadeira de rodas, confirmou-se aquilo que eu previa, que não demoraria muito tempo a ter de ficar na carreira de rodas, as dificuldades da marcha são cada vez maiores. Mas tirando isso, de resto estava bem: tranquilo e muito reactivo. Conversou com o menino, que lhe mostrou vídeos da baby e ele disse-lhe que um dia destes nos temos de juntar todos, na casa de um ou de outro, para passarmos uns dias juntos. Assim mesmo! Ainda liguei ao meu irmão, para eles os três falarem um bocadinho.

Passámos pela tua casa. Está quase vazia. Eu aproveitei para levar uma coisa pesada para minha casa, para o menino alancar escada acima! Levaram uns vidros que ainda lá estavam: travessas, copos, jarras (há tantas coisas tuas em casa dos meninos, tenho a certeza de que gostarias de saber). Fomos para minha casa, para a baby conhecer o gato (apesar da recomendação do médico de que ela não deve conviver com animais, por causa do pelo). Foi uma loucura: ela sempre a conversar com o Zézinho, a dizer-lhe coisas, com um ar muito compenetrado; e o gato sempre atrás dela, com um ar muito curioso, admirado com a presença daquele ser tão movimentado e falador numa casa sempre tão sossegada. Gostei mesmo que eles tivessem ido a minha casa.

Finalmente regressámos a casa da tua sobrinha, para eles prepararem as coisas para arrancarem para baixo. Mais uma vez a loucura. A baby muito bem disposta, a dar espetáculo, muito à vontade, a falar com toda a gente. Eles estavam encantados com a miúda, via-se bem. Ela deu-lhe de jantar, deu-lhe a sopa, e a miúda, sempre tão esquisita para comer, portou-se bem, comeu tudo. Depois jantámos nós sempre num bom ambiente, descontraídos e divertidos. Por volta das dez, os meninos arrancaram e eu vim para casa. De coração cheio, foi um dia emocionante, correu tudo bem, não houve problemas, estávamos todos bem dispostos. Faltavas tu, é claro, para dar sentido às coisas, sobretudo a estas, as coisas boas da vida. Mas, pronto, por isso é que eu estava mesmo a precisar de te contar tudo.

xadrez
rosas
innersmile


Tenho a vaga ideia de já ter aqui falado nestes dois livros: o ABC do Xadrez, e Fischer-Spassky, sobre o memorável encontro que marcou o campeonato do mundo da modalidade em 1972. Foram dos poucos livros que trouxe, agora, de casa dos meus pais. Arrumei-os na estante da sala, junto aos livros de poesia.

As dedicatórias assinalam, na prática, as datas da minha carreira de jogador de xadrez: entre o Natal de 1973 e o mês de julho de 1974. Neste último caso, assinala também as últimas férias que passei em Lourenço Marques antes do abandono para Portugal, em finais de 1976, e antes de regressar, a Maputo, em janeiro de 2003.

Ter estado quase vinte e nove anos sem ir à cidade onde nasci, e onde estive pela última vez com doze anos, não me impediu de, nesse regresso, ter dado indicações à minha amiga que nos levaram direitinhos à casa da minha avó, precisamente essa onde tinham sido escritas as palavras da dedicatória.

(Nampula, 1973 e Lourenço Marques, 1974)

o tigre
rosas
innersmile
O gato é selvagem. Não sei se o habituei mal em pequenino, mas o tipo adora brincadeiras violentas. Também é verdade que eu me estou sempre a meter com ele, e quando está ao pé de mim, o seu hobby preferido é morder-me as mãos e os braços. Prende, com as patas dianteiras, o meu antebraço e morde-me a mão, com um ar feroz e divertido. Eu aproveito e com a mão livre, apenas para meu deleite, faço-lhe festas no lombo e na barriga. O que o incita a morder-me com mais agressividade. Ao mesmo tempo, uma mão transmite a dor das dentadas, e a outra o prazer quase sensual das carícias. É bem verdade o que dizem, de o gato nos permitir o prazer de acariciar o tigre.
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misteriosos
rosas
innersmile


"Saíram do jardim para a rua e refugiraram-se debaixo de uma árvore da chuvinha que continuara a cair durante todo o serão.
- Mas não conheço ninguém tão misterioso como tu - salientou Linda. - Durante anos acreditei que escondias alguma coisa, mas já aprendi que de todos aqueles que parecem misteriosos apenas uns poucos escondem realmente algo."


- Henning Mankell, UM HOMEM INQUIETO (Editorial Presença)

fibra óptica
rosas
innersmile


A box foi instalada na quinta-feira, ontem à noite o Sr. Gato lembrou-se de roer o cabo de alimentação eléctrica. Sim sim, é um gatinho adorável! Como tinha escrito aqui há uns dias, assim começa a série de objectos perdidos, ou neste caso destruídos. Sim, sem dúvida, é mesmo um gatinho adorável.

São opções: a Margarida põe no blog fotos muito bonitas dos seus gatos; eu ponho as marcas intensas que o meu vai deixando na minha vida: um rasto de destruição!
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à janela
rosas
innersmile
15 - 1

Domingo, como de costume. Comecei a manhã na livraria, passei pelo supermercado, e fui ver o meu pai. A família de Lisboa veio ver a minha mãe, ou seja tive companhia para o almoço, passámos a tarde ao pé da minha mãe, e fui deixar o pessoal na rodoviária. Voltei para casa, entrando na rua onde moro pelo lado menos habitual, e, como sempre claro, olhei instintivamente para a janela da sala. Percebi que havia ali no canto qualquer coisa fora de normal, encostei o carro para fixar melhor e percebi que era o gato. O meu palermita à janela. Vejo-o muitas vezes aí, mas quando estou do lado de dentro, nunca o tinha visto a partir do exterior. A casa pareceu-me mais bonita com aquele habitante. E também um bocadinho menos minha, e mais dele.

yesterday news
rosas
innersmile
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Ontem fiz 53 anos. Apesar de devermos sempre agradecer (à vida, ou seja lá ao que for) não estarmos pior do que estamos, não se pode dizer que tenha sido um dia muito bom. Trabalhei muito (estou sempre a decidir que no futuro tiro um dia de férias no meu aniversário, mas depois à última da hora acho sempre que não vale a pena gastar cera com tão ruim defunto!), a minha mãe piorou, andei sempre com aquela sensação de que estou atrasado, jantei à pressa e sozinho qualquer coisa e quando cheguei a casa o gato tinha feito o arraial do costume. Ainda antes de tomar duche e preparar-me para passar uma noite tranquila a ler, o gato decidiu comer os fios da televisão, houve uma explosão, com estrondo e luz branca, um forte cheiro a queimado e, claro, fiquei sem luz. Felizmente tenho um vizinho que é muito habilidoso e um tipo muito porreiro, e veio desenrascar-me. Aproveitou e enquanto aquecia o ferro de soldar, arranjou o estore da sala. E ainda diagnosticou que tenho dois azulejos do chão da sala ocos. A filha, que o acompanhava e tem uns 4 ou 5 anos, pediu-me para lhe emprestar um livro com desenhos e quando fomos ao quarto buscá-lo, perguntou se aquilo era a biblioteca. Não o escritório, ou a minha biblioteca, mas ‘A’ biblioteca. Quem olha para aquele quarto, que ainda por cima no inverno está sempre fechado para racionalizar o calor, acha que é um molhe de estantes desarrumadas e a abarrotar e de caixas de cartão espalhadas pelo chão, mas a miúda viu ‘A’ biblioteca!

call in sick
rosas
innersmile
Desde há uns dias que o gato aprendeu uma brincadeira nova. Começou com os ratinhos mas depressa passou para as bolinhas de espuma de borracha, que são mais leves e saltitam: vem largar o brinquedo no meu colo ou ao meu lado para eu o atirar, ele salta, faz lá o estardalhaço dele a imitar os rituais de caça e volta a trazer-me o brinquedo para eu o atirar de novo. Passamos largos minutos nisto. Com a vantagem de que eu consigo brincar com o gato sem interromper a leitura.

Entretanto as manhãs são um bocado traumáticas, porque a partir do momento em que ele se apercebe de que vou sair de casa, começa a tornar-se um adolescente rebelde: morde-me os pés, salta para me arranhar as mãos (se bem que ele faz isto quase o tempo todo, mas pronto, nesta ocasião acumula), vem pôr-se ao pé da porta da rua com ar de quem se preparar para fugir de casa em grande velocidade mal a porta de abra, começa com corridas doidas a saltar e a deitar abaixo tudo o que encontra no caminho (ok, isto também faz muitas vezes, não é só quando estou para sair de casa), enfim, é um stress danado logo às 7:45 da manhã! E, sim, ele faz estas coisas todas praticamente ao mesmo tempo. E quando o tento apanhar para ele não sair disparado porta fora, deita-se de costas a tentar morder-me e arranhar-me.

Mas desde ontem que ele adoptou uma nova táctica, de uma eficácia à prova de bala: quando estou no hall de entrada, a vestir o casaco e a guardar a carteira e as chaves para sair, ele aparece com os brinquedos, ontem a bolinha e hoje um dos ratinhos, e vem largá-los aos meus pés com o ar mais infeliz do mundo. Sacana do bicho, deixa-me prestes a telefonar para o serviço a dar parte de doente!
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brb
rosas
innersmile
unnamed1

O innersmile vai fazer como o gato, e bater uma sorna. Be right back!