rosas

same old same old



Tinha pensado escrever uma espécie de balanço do que foi o ano de 2018, um verdadeiro annus horribilis, passado quase todo no hospital, com três intervenções cirúrgicas, duas delas major, e vários episódios de infecções bacterianas, alguns deles por bactérias hospitalares, muito resistentes, que só cedem a antibióticos muito agressivos. Cheguei ao fim do ano com um rim único, sem bexiga, e com uma urostomia cutânea.

Mas no fim de semana que antecedeu o Natal, foi-me diagnosticada mais uma pielonefrite. Passei o Natal no hospital a fazer antibiótico, depois fui para casa a fazer o tratamento em ambulatorio e em hospital de dia. Na véspera de Ano Novo, senti umas dores muito fortes no peito e vim ao hospital. Fiquei internado, julgo que com uma infecção pulmonar. Tenho imensa dificuldade em respirar, e qualquer pequeno esforço me deixa ofegante. Estou a fazer tratamento com outro antibiótico, juntamente com o que já estava a fazer.

Nunca tinha tido este tipo de infecção, e estou verdadeiramente à rasca e muito desanimado. Ano Novo? Nah. Same old same old. Assim não me apetece brincar mais...
rosas

inventário

Como passei a maior parte do ano internado no hospital ou de baixa em casa, sem energia ou mesmo possibilidade de sair, este ano não há oportunidade para grandes balanços.

De qualquer forma, pelo menos no princípio do ano consegui ver uma excelente peça de teatro e uma mão cheia de filmes interessantes. Aqui fica lista.

Teatro

Actores, encenada por Marco Martins, e com o Bruno Nogueira, o Nuno Lopes, o Miguel Guilherme, a Rita Cabaço e a Carolina Amaral. No TAGV.

Cinema

Star Wars, The Last Jedi, de Rian Johnson
The Greatest Showman, de Michael Gracy
Three Billboards Outside Ebbing, Missouri, de Martin McDonagh
The Post, de Steven Spielberg
Call Me By Your Name, de Luca Guadagnino
Phantom Thread,de Paul Thomas Anderson
Film Stars Don’t Die in Liverpool, de Paul McGuigan
The Florida Project, de Sean Bake
Lady Bird, de Greta Gerwig
Ready Player One, de Steven Spielberg
Mission: Impossible, Fallout,de Christopher McQuarrie

Por outro lado, tive muito tempo para ler, e, felizmente, não me faltou a disposição e a concentração necessárias para a leitura, tirando breves períodos em que não o conseguia mesmo fazer, como os pós-operatórios ou os momentos em que as infecções atacaram com mais força.

Não me lembro, em anos mais recentes, de ler tantos livros como neste que agora termina. Li livros de alguns dos meus autores preferidos (Rubem Fonseca ou Graham Greene, por exemplo), descobri uma nova escritora nórdica de policiais (a Sara Blaedel), fiz, ainda que poucas, releituras, li óptimas autobiografias.

Mas sobretudo li muitas bandas desenhadas e novelas gráficas. Não apenas porque era uma leitura que exigia menos compromisso nos momentos mais complicados, mas sobretudo porque descobri dois autores maravilhosos,que despertaram em mim a vontade de ler tudo o que escreveram e desenharam: Miguelanxo Prado e, principalmente, Jiro Taniguchi. Os livros do mestre japonês de mangá foram mesmo uma das poucas coisas boas que me aconteceram este ano, e muitas vezes a beleza das histórias, a sua natureza contemplativa e introspectiva, e uma espécie de sabedoria emocional profunda, me ajudaram a ultrapassar momentos verdadeiramente difíceis.

Público a seguir as capas dos meus cinco livros preferidos de 2018, e depois a lista completa dos livros lidos, agrupados por géneros, línguas, e afinidades afectivas.



Livros

Eugénio Lisboa, Acta Est Fabula - Epílogo
Afonso Cruz, Jalan Jalan
Pedro Rolo Duarte, Não Respire
Rita Ferro, A Menina É Filha de Quem? (no Kindle)
José Saramago, O Último Caderno de Lanzarote

Rubem Fonseca, O Selvagem da Ópera
Rubem Fonseca, O Seminarista (no Kindle)
Eduardo Pitta, Persona (releitura)
Isabela Figueiredo, O Meu Tio
Afonso Reis Cabral, Uma História de Pássaros
Mia Couto, Mulheres de Cinza
Mia Couto, A Espada e A Zagaia
Mia Couto, O Bebedor de Horizontes
José Eduardo Agualusa, Vendedor de Passados (no Kindle)
Mário de Carvalho, Burgueses Somos Nós Todos ou Ainda Menos
Carlos Ademar, Na Vertigem da Traição
Luís Rainha, Adeus.
Germano Almeida, O Testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo
Nuno Oskar, Todo Teu - Aniversário (no Kindle)

Adília Lopes, Estar em Casa
Alberto de Lacerda, Labareda
Joaquim Manuel Magalhães, Para Comigo

John Boyne, The Heart's Invisible Furões (no Kindle)
Alan Bennett, The Complete Talking Heads
Jerome K. Jerome, Three Men On A Boat (releitura, no Kindle)
Haruki Murakami, Do Que Eu Falo Quando Eu Falo de Corrida (no Kindle)
Haruki Murakami, A Rapariga Que Inventou Um Sonho
Dawn French, Oh Dear Sylvia
Melissa Pimentel, Procura-se Homem (Sem Compromisso)
ET Ville, Bump This (no Kindle)
Alan Hollinghurst, O Caso Sparsholt
Richard Zimler, Os Dez Espelhos de Benjamin Zarco
Arturo Pérez-Reverte, Falcó
Arturo Pérez-Reverte, Eva

Graham Greene, O Terceiro Homem
Graham Greene, Ways of Escape
Robert Graves, Eu Cláudio
Yuval Noah Harari, Sapiens: História Breve da Humanidade
Paul Theroux, Sul Profundo
Patrick Leigh Fermor, Tempo de Silêncio
Felice Picano, Nights at Rizzoli (no Kindle)
Augusten Burroughs, Lust & Wonder (no Kindle)
Marina Abramovic, Walk Through Walls
David Lynch, Espaço Para Sonhar

Nelson DeMille, Vertigem Assassina
Sara Blaedel, As Raparigas Esquecidas
Sara Blaedel,O Trilho da Morte
Sara Blaedel, As Mulheres da Noite
Sara Blaedel, A Mulher Desaparecida
C.J. Tudor, O Homem de Giz
Lars Kepler, O Porto das Almas
Lars Kepler, O Caçador

Amedeo Balbi e Rossano Piccioni, Cosmicomix - A Descoberta do Big Bang
Miguelanxo Prado, Presas Fáceis
Miguelanxo Prado, Ardalén
Miguelanxo Prado, A Vida é Um Delírio
Miguelanxo Prado, Traço de Giz
Jiro Taniguchi, O Homem Que Passeia
Jiro Taniguchi, Terra de Sonhos
Jiro Taniguchi, O Diário do Meu Pai
Jiro Taniguchi, El Gourmet Solitario
Jiro Taniguchi, Paseos de Un Gourmet Solitario
Jiro Taniguchi, A Zoo in Winter
Jiro Taniguchi, Os Guardiões do Louvre
José Carlos Fernandes, A Agência de Viagens Lemming
Will Eisner, Um Contrato Com Deus
Edgar P. Jacobs, A Armadilha Diabólica
Yves Sente, O Julgamento dos Cinco Lords
Yves Sente, O Vale dos Imortais, Livro I

Granta 1, Fronteiras
Granta 2, Deuses
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o selvagem, para comigo, o caçador


Rubem Fonseca ensaia uma biografia pouco convencional e surpreendente do compositor e maestro brasileiro Carlos Gomes.

Hoje muito pouco conhecido, Gomes, o selvagem, caipira e caipora, foi, no século XIX, autor de várias óperas, algumas delas representadas no célebre Scala de Milão (e, já agora, no São Carlos de Lisboa), tendo vivido e trabalhado a maior parte da sua vida em Itália, mas sempre fiel à pátria e ao imperador.

Se o livro se distingue do que habitualmente encontramos na obra do autor, nem por isso foge à excelência da sua escrita e ao seu génio narrativo.


Em Para Comigo, Joaquim Manuel Magalhães revê, mais uma vez, a sua poesia, republicando dois livros, um deles que apenas conhecera edição de autor, e, o outro, o tão celebrado Toldo Vermelho.

Numa altura em que leio pouca poesia, os poemas de JMM atraem-me, primeiro pelo desafio, depois pelo mistério que vamos aprendendo a desvela a cada leitura.


O Caçador, da dupla sueca que assina com nome de Lars Kepler, traz-nos de volta Joona Linna. Podemos dizer que é mais do mesmo, mas para quem gosta, é eu gosto, isso é uma coisa boa.
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consolo

Faz hoje quatro anos levei a minha mãe para ser internada nos cuidados paliativos. Hoje, no culminar de um annus horribilis, qual cereja no topo do bolo, fiquei internado no hospital com mais uma infecção. Passo cá o natal, e, se as coisas não correrem de feição, posso ficar internado até ao ano novo, para poder fazer todo o curso do antibiótico.

Tive visitas, fiz a minha aula de italiano, li um pouco, e agora a única coisa que me fazia falta era poder ligar à minha mãe, ouvir a sua voz, sentir o seu consolo.
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tarzan, febre

Uma passagem do primeiro volume dos diários de Eugénio Lisboa, que estou a ler, traz-me de volta o nome de Edgar Rice Burroughs, o criador do célebre Tarzan. É engraçado, quando me lembro dos livros e dos escritores que me marcaram, vêm-me sempre à ideia aqueles que me formaram enquanto leitor, na idade adulta. Nunca me lembro dos que me marcaram na infância e na juventude, e desenvolveram em mim o gosto pela leitura.

É uma injustiça nunca referir o nome de Edgar Rice Burroughs na lista dos escritores que foram importantes. O Tarzan foi uma das personagens que de facto me preencheram a infância e até uma certa fase da adolescência. Comecei a ler as aventuras do Tarzan nos livros aos quadradinhos, mas lembro-me muito bem da minha mãe me estimular a ler os próprios livros do escritor. O Tarzan não foi apenas um dos meus heróis dos livros de aventuras, foi também, se bem me lembro, um dos primeiros, se não mesmo o primeiro, símbolo homoerótico que reconheci.



Mudando de tópico, desde ontem que voltei a fazer febre. Estou mesmo desanimado. Ainda não sei se é um nova pielonefrite ou se se trata de um resfriado. Amanhã vou fazer análises e se se confirmar a infecção, vou ter de fazer mais tratamento com antibiótico o que certamente implica internamento no hospital. All I want for christmas? Pois...
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back in business

Na sexta-feira fui ao serviço de manhã, e desde ontem que estou de novo a trabalhar. Entre março e junho trabalhei apenas 27 dias, e desde 15 de junho que não vinha sequer ao meu local de trabalho.

É muito estranho estar de volta. Não é apenas o tempo prolongado da ausência. É também o completo afastamento dos problemas, das pessoas, da cultura institucional. Durante todo este tempo estive exclusivamente concentrado na minha saúde, apenas focado no esforço de resistir, quer do ponto de vista físico quer em termos emocionais. O resultado é assim uma espécie de distância mental que dificulta o meu envolvimento nas questões do trabalho e a minha disponibilidade para os outros.

Mas é pior. Durante esta ausência o meu corpo foi seriamente mal tratado, e o meu cérebro também. Fiz grandes cirurgias, muito prolongadas, com anestesias muito pesadas. Foram cirurgias muito complicadas, com grandes perdas de sangue. Além disso fiz muitos tratamentos com antibióticos por causa de uma série (foram seis episódios) de infecções, algumas antes de fazer a nefrectomia, e outras mais recentes, na sequência da cistectomia. Quase todos esses antibióticos eram muito fortes e agressivos. Além disso ainda não me habituei completamente à urostomia, nem, principalmente, à ideia de que os acidentes acontecem e tem de se lidar com eles com alguma tranquilidade.

Ou seja, a minha capacidade de resistência física está muito diminuída, sinto algumas dificuldades de concentração e de memória. Ontem experimentei dificuldades em navegar no programa de correio electrónico, e hoje tive de pedir ajuda para gravar um documento em word porque, sob pressão do tempo e das solicitações externas, não consegui acertar nos comandos adequados.

Como diria a minha sobrinha-neta, isto não é fácil. Sinto-me assim um bocadinho a pairar, e não num bom sentido. Tenho receio de não recuperar o equilíbrio emocional e tenho ainda muitas inseguranças em relação à minha saúde, nomeadamente que as coisas tornem a descambar.

Mas hoje voltei a almoçar no refeitório, como fazia habitualmente, e, às tantas, dei por mim a pensar que este último ano, sobretudo os últimos seis meses, é como se não tivessem existido.
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o terceiro homem, os guardiões do louvre



O Terceiro Homem é uma novela que dá forma literária a um argumento cinematográfico da autoria do próprio Graham Greene. O filme, já agora, foi realizado em 1949 por Oliver Reed e conta com os desempenhos de Joseph Cotten e de Orson Welles nos principais papéis.

Rollo Martins é um escritor de livros de cowboys que inadvertidamente se vê perdido na selva política e policial da Viena nos tempos do final da segunda grande guerra, onde, entre outras desventuras, é confundido com um escritor sério que comunga do mesmo apelido do seu pseudónimo literário. Trata-se de um típico "herói" de GG: um loser que mantém um padrão moral quando tudo à sua volta se desmorona.

No fim deste texto, ponho um clip com uma das cenas mais famosas do filme, passada numa das cabines da roda gigante do Prater,e onde se pode constatar porque é que o Orson Welles era tão bom actor, com um esboço de sorriso onde aflorava o próprio sorriso do diabo.



Um dos meus livros preferidos do Mestre. Uma aventura solitária e contemplativa no museu mais famoso do mundo, onde a deriva fantasista e emocional nos conduz através das infindáveis salas estranhamente desertas.

Acho que apenas O Homem que Passeia, o primeiro livro que li de Jiro Taniguchi, me deu tanto ou mais prazer a ler do que este Os Guardiões do Museu.

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selfie

Comecei há uns dias a sentir vontade de publicar uma selfie mostrando a minha urostomia. Acho que esta vontade resulta de vários factores. Primeiro, por uma questão de identidade. É este que eu sou agora, é esta a realidade. E mostrar uma foto da urostomia ajuda-me, porque os outros são o nosso reflexo, a assumir que este é o que eu sou agora.

Por outro lado, há já duas semanas que não tenho infecções, e nasce a esperança de que possa estar a caminho de um nova normalidade. A minha vida nunca mais vai ser como era, mas vai haver uma outra maneira de viver a vida. E faz parte deste processo de encontrar uma nova normalidade assumir que, agora, sou uma pessoa ostomizada.

Contra publicar a foto, há sobretudo uma razão de pudor. A urostomia é uma coisa íntima, e tem limites a parte da minha intimidade que estou disponível para partilhar com os outros, sejam eles amigos mais chegados, meros conhecidos ou completos estranhos. Mas pudor por vezes pode-se confundir, e estou apenas a falar por mim, com vergonha, e vergonha é o que eu não quero sentir em relação à urostomia. Aliás, já tive sentimentos de vergonha na minha vida que chegaram, não preciso de mais.

De certo modo, mostrar uma foto da minha urostomia é como sair do armário. E também por isso dizia que mostrar uma selfie não é apenas um gesto destinado aos outros, é também, e sobretudo, uma maneira de me ajudar a construir uma nova imagem de mim próprio, a minha selfie mental. Tenho de atingir um ponto em que, quando penso em mim, penso-me como uma pessoa ostomizada. Da mesma maneira que quando penso em mim, estão presentes todos os outros aspectos da minha vida que constituem a minha identidade e até a minha maneira de ser.

Claro que não consigo por uma selfie com a urostomia no Facebook, aquilo é um antro de coscuvilhice. Apetecia-me publicá-la no Instagram, mas mesmo aí ia-me sentir muito exposto. Pelo menos neste momento, pode ser que mais tarde publique. Por isso só faz sentido por a foto aqui, nesta espécie de diário aberto, um lugar que me dá, ao mesmo tempo, o aconchego da intimidade e a liberdade do anonimato.

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benjamin zarco, blake & mortimer



Adorei este mais recente livro de Richard Zimler. Li-o com o coração, e muitas vezes com os olhos rasos de água. É impossível não amarmos a personagem de Benni,mas também Shelly, George ou Ewa. Aliás, a sequência narrada por Ewa, que conta como Benni conseguiu escapar aos nazis, foi a minha preferida.

Gostei do aspecto místico do livro. Apesar de não ser dado a misticismos, neste livro esse aspecto é sempre misterioso, nunca é claro se as coisas acontecem mesmo ou se são projecções emocionais das personagens, modos de lidar com realidades que nos ultrapassam.

Mas achei sobretudo um livro de uma ternura imensa, o que é tanto mais admirável quanto o livro aborda a questão tão dolorosa do holocausto e dos seus sobreviventes.



A primeira parte de uma nova aventura da dupla Blake & Mortimer. Yves Sente, o novo argumentista da série, consegue criar um ambiente muito próximo ao das histórias originais de E.P. Jacobs, de onde resulta um livro entusiasmante e divertido.
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the fighter still remains

In the clearing stands a boxer
And a fighter by his trade
And he carries the reminders
Of every glove that laid him down
Or cut him till he cried out
In his anger and his shame
"I am leaving, I am leaving"
But the fighter still remains


Ontem à noite vi no Instagram do Paul Simon um clip de um concerto no Hyde Park, em 2012, com a última estrofe da canção The Boxer, que deve ser a minha canção preferida, já agora numa versão muito bonita, com um cheirinho a country (está neste link: https://www.instagram.com/p/Bqx3Y4JBVik/?utm_source=ig_share_sheet&igshid=15hcot7332lyy)

Já devo ter aqui escrito que o disco Bridge Over Troubled Water, onde aparece o original desta canção, da dupla Simon & Garfunkel, foi um dos meus primeiros LPs. Vem já do tempo de Moçambique, troquei-o pela minha bicicleta, com um miúdo da minha rua. Para além da música, este disco deu-me as minhas primeiras e mais eficazes lições de inglês, tanto mais que tinha um encarte com as letras das canções, o que na altura, acho eu, não era muito vulgar.

Não consigo expressar o quanto gosto desta canção, tudo o que ela me diz, e, é claro, a quantidade de vezes que a ouvi. Conheço versões fabulosas, mas prefiro sempre ouvi-la cantada pelo Paul Simon, com ou sem o Art Garfunkel, na versão original do disco ou numa das incontáveis versões ao vivo.

Mas ontem à noite, a ouvir quase em loop o clip com essa tremenda última estrofe, achei que era de mim que o Paul Simon estava a falar, e desatei a chorar.