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não há cidades pequenas em África, todas elas são imensas, a perder de vista. como não há horas curtas, noites breves. todas as noites duram uma vida inteira. todas as horas se espalham pelas páginas manuscritas de um caderno em chamas. não há distância, na breve eternidade de uma noite africana. há um fio de memória que nos liga, e que tanto se inscreve numa rua esburacada de árvores frondosas, como nas linhas diagonais de um lancil. há uma tarde anterior, aquela em que se chega, e uma manhã, depois, em que se parte. duas pessoas, ou apenas uma, um homem e uma mulher, ou apenas um, que olha em direcções opostas. o tempo.

(Nampula, janeiro de 2003)


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Uau! Uau!... Desse jeito acabo mudando minha passagem, destino África!

(Não... antes tenho que conhecer, ao vivo, você!) :-)

acho bem que não mudes a passagem. se fosses a Moçambique, eu iria morrer de inveja :)

Faz-me recuar 40 anos...e ai falares de cidades imensas, recordo a Beira, cidade que abominei...
Mas sim, adorei as noites e os barulhos das noites.
E para não falar dos "por dos sóis", com um céu de nuvens laranja a quererem envolver-nos.
O encanto de África numa época de desencanto.

é curioso como sempre que segur nesta pequena estatueta parece-me que estou a segurar todas as recordações de Moçambique.

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