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os poetas
rosas
innersmile
Claro, não podia perder a oportunidade de ir, ontem, ao conservatório de Coimbra, ouvir o concerto do projecto Os Poetas, de Rodrigo Leão e Gabriel Gomes. É um projecto que vem de longe, desde o primeiro disco, dos anos 90, Entre Nós e As Palavras. Agora os dois músicos decidiram voltar à ideia, gravaram um novo disco e voltaram a fazer concertos.

O concerto está focado, como é suposto, nos poetas e nos poemas, presentes através da voz dos próprio poetas, e é emocionante, logo a abrir, ouvir no auditório às escuras, o Mário Cesariny dizer o poema You Are Wellcome to Elsinore, ou o Herberto Hélder ou a Adília Lopes; ou através da declamação de Rogério Samora, que deu um toque teatral à sua participação. Só faltou, não percebo bem porquê, a Luiza Neto Jorge e A Magnólia, que é um dos meus momentos preferidos do primeiro disco do projecto.

Musicalmente, a função fica a cargo de um ensemble de quatro instrumentistas: além de Rodrigo e Gabriel, ainda o violoncelo de Sandra martins e o violino, creio que de Viviena Tupikova. A reunião dos teclados do Rodrigo Leão e do acordião do Gabriel Gomes trouxe-me à lembrança, em algumas partes do concerto, o som dos Madredeus do início, e apercebi-me de como tenho saudades de ouvir esses gloriosos Dias da Madredeus.

O Rodrigo Leão é um músico muito bom, e ontem, como foi um concerto diferente dos que tenho visto dele, mais reduzido, mais essencial, deu para estar mais atento à música, à matéria de que é feita, às influências e às referências. Oiço-o há muitos anos, desde o início dos anos 80, desde os tempos da Sétima Legião e dos Madredeus, tenho acompanhado o seu trabalho em nome próprio, as ligações ao cinema, já o vi ao vivo um número razoável de vezes, e é um privilégio ser contemporâneo de um músico assim tão brilhante, e, às tantas, perceber que mais do que acompanhar a música, o que se trata é de ir deixando a música de um determinado músico fazer parte das nossas vidas, ser assim uma espécie de banda sonora que ajuda a dar sentido e cor e emoção à narrativa dos nossos dias. Se a minha vida dava um filme? Sim, um documentário chato, a preto e branco, muito parado, com poucos diálogos; mas, claro, salvo in extremis do desastre total, pela banda sonora do Rodrigo Leão!
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