miguel (innersmile) wrote,
miguel
innersmile

trance (3*)

Fui no fim de semana passado ver Trance, o mais recente filme do Danny Boyle. Não vi muitos filmes do realizador, mas os que vi partilham sempre uma mise-en-scéne muito eficaz, capaz de trazer o espectador, não diria tanto para o cerne da intriga, mas para o próprio tecido da narrativa. Somos absorvidos, não tanto pela história, mas pela maneira encantatória, quase hipnótica, como ela nos é contada.

Eu por princípio acho que o que faz a força da narrativa é tanto a história que nos contam como a maneira como ela nos é contada. Não sobreponho o conteúdo á forma, não acho que a superfície se deva sacrificar á profundidade, pelo contrário, acho que é sempre pela forma, pela superfície, que qualquer história nos agarra. O problema é quando há um excesso de formalismo, e corremos o risco de nos apercebermos que para além do encantamento superficial, pouco mais resta de substancial.

E esse risco é grande quando nos apercebemos dos mecanismos, das técnicas, até dos truques, que o contador de histórias utiliza para nos seduzir e prender. Acho que é esse um pouco o problema deste filme do Danny Boyle. Às tantas já dominamos a linguagem do autor, começamos a perceber as técnicas que ele utiliza para nos fascinar e quando isso acontece as coisas perdem um bocado o interesse.

Este Trance mostra de facto a máquina Danny Boyle a funcionar de maneira muito afinada. O ponto é que isso acontece para o melhor, porque nos diverte, como para o pior, quando começamos a identificar os alinhavos da coisa.
Tags: cinema
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