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Fui no Sábado à Póvoa de Varzim e aproveitei o facto de ter chegado cedinho para assistir à sessão da manhã de mais uma edição do festival Correntes de Escritas. Nunca lá tinha ido, e confesso que não me sentia muito entusiasmado, desconfio um bocado destes eventos: os escritores normalmente (et pour cause, certamente) têm egos um bocadito inchados, e um festival de vaidades é coisa que não me seduz, tanto mais que a densidade e a luminosidade dos egos alheios tem sempre o condão de fazer encolher o meu. Wrong, Miguel! Gostei muito, ainda bem que fui, e quero muito voltar em futuras edições.

Assisti a uma mesa com o tema ‘Os Meus textos Não Têm Serventia’, moderada por Onésimo Teotónio Pereira, e onde participaram Andrea Del Fuego, Cristina Carvalho, Jaime Rocha, João Tordo, Joel Neto e Possidónio Cachapa. Gostei bastante de todas as intervenções, mas tenho de realçar, numa nota estritamente pessoal, e que não tem nada a ver com a valia dos autores ou dos textos que leram, as de Jaime Rocha, pelo festival de pequenas histórias, quase insignificantes, mas às quais o autor conseguiu dar uma enorme riqueza humana; a do Joel Neto, pela sua simplicidade e por ser uma declaração de amor ao Açores; e do Possidónio Cachapa, que achei um exercício de auto-exposição de uma candura desarmante.

No fim da sessão, senti-me verdadeiramente no Olimpo, a passear-me, e a olhar timida mas intensamente, pelo meio de alguns escritores de quem conheço relativamente bem a obra e de que gosto bastante (vidé, por todos, o Helder Macedo: vi-o fugazmente, de fugida, e através de um vidro baço, mas gosto tanto dele que foi como se tivesse assistido a uma lecture no King’s College de Londres).
Tags: livros
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