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as magnólias

Ao fundo da rua onde eu trabalho, há uma rotunda. Raquítica, implantada num cruzamento minúsculo, às horas de ponta acumula mais tráfego do que o que distribui, numa das zonas da cidade com maior densidade de automóveis nas horas de expediente. Passa-se por ela sem dar por isso. E no entanto...

No entanto, num dos passeios dessa rotunda, e nos jardins das vivendas que ficam ao seu redor, há três ou quatro magnólias, rosadas e uma branca, que estão, nesta altura do ano, carregadinhas de flor. Não é bem carregadas, é mais a explodir, como acontece com as magnólias, que florescem antes de nascerem as folhas.

Um dia destes mandaram-me uma fotografia aérea do jardim do sítio onde eu trabalhava, e lá está, como um epicentro do olhar, a “minha” magnólia. Sim, foi assim que me escreveram: “olha como está, hoje, a tua magnólia”.

Pode parecer pouco, mas estas magnólias que, por breves semanas, incendeiam os lugares mais insuspeitos da cidade, resgatam-nos da cegueira parda dos dias.
Tags: crónica
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