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alguma coisa acontece no meu coração
rosas
innersmile
Um luxo: dois concertos do António Zambujo, no mesmo ano, com poucos meses de intervalo. Em Julho vi-o na Casa da Música, na apresentação do seu mais recente cd, Quinto. Ontem, a solo, no auditório do Conservatório de Música de Coimbra.

E podemos começar por aqui: a belíssima sala do Conservatório à cunha, com pessoas sentadas à volta do palco (no final Zambujo pediu uma salva de palmas para os músicos que o acompanharam, com o silêncio). A lotação esgotadíssima, o facto da sala não ser muito grande e a disposição em bancada da plateia ajudaram a criar um clima de intimidade, quase um ovo, com o público a rodear o pequeno círculo de luz, em que um homem se apresenta e entrega, sozinho, com o que tem de mais precioso para oferecer aos outros: a sua música, o seu canto, a sua voz.

E que voz! Num recital como o de ontem, Zambujo está absolutamente livre para poder soltar a voz. Acompanhando-se à viola, por vezes com pouco mais do que acordes simples que pontuavam as canções, o concerto foi um show da maravilhosa voz de Zambujo e sobretudo do seu cante, simples, melódico, muito amadurecido mas ao mesmo tempo muito puro, com uma dicção perfeita mesmo quando a voz se limitava a ser um fio muito fino e levezinho, como a água das ribeiras nos campos.

E depois a emoção das canções. Ouvir o Zambujo a cantar assim, daquela maneira, canções como De Quem Eu Gosto, Foi Deus, a brasileira Lábios Que Beijei, a Valsinha de Chico e Vinícius, e tantas tantas outras, nomeadamente as do reportório que Zambujo foi construindo com os seus cinco discos, sobretudo as do disco mais recente. Apesar do concerto ter sido curto, o seu formato permitiu que Zambujo cantasse muitas lindas canções. Um fartote.

Já nos encores o cantor incitou o público a pedir o que queria ouvir e eu, a medo, e sem levantar muito a voz, lá pedi uma das mais improváveis. E tive a sorte de ter ouvido, ao vivo, e apesar de pouco ensaiada, uma das mais extraordinárias interpretações de Sampa, uma das minhas canções preferidas do Caetano. "E quem vem de outro sonho feliz de cidade Aprende depressa a chamar-te de realidade Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso".
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Felizardo.
Abraço do Pinguim.

e oportunista, no sentido de que não deixo passar a oportunidade eheh

Ele vem ao Funchal no dia 17 de Novembro. O espectáculo será na sala de congressos do Casino da Madeira, lá estarei!

fazes muito bem, é imperdível

tiveste o teu momento de ouro. :) momento memorável esse.

foi Margarida, senti-me muito contente. até porque quando a pedi tinha quase a certeza de que ele a iria cantar.

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