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my baby
rosas
innersmile
Seguimos incautos e sempre a vida nos pega de surpresa. Viajei quinhentos quilómetros para sul, para dar à minha mãe o prazer de conhecer a sua primeira bisneta. A saúde da minha mãe deteriora-se quase de dia para dia, e o prognóstico é que se poderá agravar ainda mais nos próximos tempos. Também por isso senti que devia trazê-la a conhecer a bisneta, mesmo com o meu pai cada vez mais desorientado (há dois dias que, to put it simple, não faz a mínima ideia onde está), mesmo com o calor rigoroso de um verão finalmente implacável, mesmo com os milhares de turistas e o seu ruidoso sobressalto.

Agora o que eu não estava nada à espera era de me apaixonar ao primeiro olhar. Segurei-a nos braços, ou melhor, segurei os seus dois meses de idade no meu antebraço, a cabeça encostada à almofada do braço, a outra mão a fazer-lhe festinhas no peito, e de repente todo eu era derramado, todo eu rendido à sua delicada beleza, a uma ideia de felicidade que não tem origem ou explicação. Acordei de madrugada e só me apetecia voltar a tê-la no braço, a sentir o seu indefinível peso, o intangível toque da pele, e aquele momento em que os errantes olhos se fixam e surge o mais imponderável dos sorrisos.

Hoje não descansei enquanto não voltei para ao pé da bebé. Não me canso de olhar para ela, e três minutos sem a olhar parece-me tempo demasiado. Gosh, estou tão apaixonado pela minha sobrinha-neta. Eu sei que aquela psicologia de pacotilha explica estas coisas, que o relógio biológico e não sei que mais, e quero que isso tudo se lixe. I'm so in love with the baby, e a única maneira de fazer com que o futuro faça sentido, é trocar tudo pela sua felicidade.

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