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radical wrong
rosas
innersmile
Fui ontem ao TAGV ver Radical Wrong, uma peça do coreógrafo belga Wim Vandekeybus, de quem já tinha visto há anos uma outra coreografia, Les porteuses de mauvaises nouvelles, igualmente pela sua companhia Última Vez.

Radical Wrong não é tanto um espectáculo sobre a adolescência, mas mais um espectáculo da adolescência, focado nessa torrente de energia simultaneamente destruidora e criativa que é ter mais de treze e menos de dezoito anos, e em que aquilo que mais se tem a comunicar ao mundo é um enorme fuck you de dedo bem esticado.

Sete adolescentes, ou melhor: sete bailarinos muito jovens a fazerem de conta que são adolescentes, irrompem no palco, e deste para a sala, entregues a si próprios e à explosão de energia que os anima. O director abandonou o espectáculo, numa estratégia de 'desintermediação' entre o que significa ser-se jovem e o modo como isso chega ao palco.

O que sobra, num cenário de tendas, a remeter para os campings dos festivais de música de verão, é a juventude sem limites nem quartel, ou, como no filme de Nick Ray, rebeldes sem causa, mas com motos, música punk, álcool, armas de fogo, fumos. Os jovens gritam, gesticulam, reivindicam, acusam, questionam, afirmam, como se o parque de campismo fosse uma espécie de um labirinto identitário muito carregado sexualmente.

Curiosamente esta torrente de ousadia (e não tanto de provocação, não é isso que parece estar aqui em causa) apenas se apazigua nos momentos mais coreografados do espectáculo, em que a dança toma conta do palco. Serão, por assim dizer, os momentos mais ‘vandekeybus’ do espectáculo, como acontece, num raríssimo momento de ternura, na sequência da canção da Nina Simone, mas também quando a dança assume a fisicalidade intensa própria do alfabeto do coreógrafo. Devo dizer que, pessoalmente, e não constituindo sequer uma crítica menos favorável ao espectáculo, senti falta de mais momentos de dança pura, de corpo e movimento.
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Há quanto tempo não vejo um espectáculo de dança ao vivo...
Abraço do Pinguim.

também já não via um espectáculo de dança há meses, e estava a sentir a falta.
abraço

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