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Passou esta noite no canal 2 da RTP o documentário Jorge Salavisa - Keep Going. Realizado pelo Marco Martins, constitui, como o título indica, uma retrospectiva da carreira de Jorge Salavisa, primeiro como bailarino (dançou e trabalhou com Margot Fonteyn), depois como professor e director artístico de companhias de dança, finalmente como director do Teatro São Luiz, em Lisboa. Uma carreira fantástica, não apenas pela sua dimensão e alcance, mas sobretudo pelos resultados das suas obras.

Uma parte substancial do filme, como não podia deixar de ser, é dedicada ao Ballet Gulbenkian, onde Salavisa entra, em finais dos anos 70, como mestre de bailado, para se tornar ao fim de pouco tempo, e durante mais de uma década, o director artístico da companhia. O documentário sublinha o inquestionável contributo de Salavisa e do BG no surgimento de uma geração de ouro da dança contemporânea em Portugal, através dos nomes de Vasco Wellencamp, Olga Roriz, e muitos outros que ainda hoje marcam muito do que é a dança no nosso país.

Nesta sequência, o documentário ganha um entusiasmo extraordinário, que traduz na perfeição o que foi o estatuto (nacional e internacional) do Ballet Gulbenkian, o dinamismo que marcava o seu trabalho e a excitação com que o público o recebia. E é espantoso como ainda hoje, tantos anos depois, o pacato serão é agitado pela recordação da energia que emanava dessa companhia de dança e do fulgor do que foi a coreografia contemporânea portuguesa. E é incrível, mas também imensamente triste, como essa energia e esse fulgor parecem perdurar nas nossas memórias como a luz que ainda perdura de um farol que se apagou.