miguel (innersmile) wrote,
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carpe diem

No final de Agosto do ano passado fui fazer uns dias de férias com os meus pais ao hotel do aldeamento de MiraVillas, na Praia de Mira. Passada uma semana do regresso, a minha mãe caiu e fracturou o colo do fémur. Seguiu-se um processo complicadíssimo, primeiro pela dificuldade em decidir operá-la, por causa da situação cardio-respiratória; depois pela recuperação em si, a minha mãe já tinha muitas limitações de mobilidade e que foram naturalmente agravadas. Foram tempos de muita apreensão e também de muito desânimo, o que é raro quer nela quer em mim. Logo num dos dias imediatos à queda, não posso precisar se antes ou depois de ser operada, estávamos a conversar, no quarto do hospital, e ela estava com muito medo, convencida de que nunca mais voltaria a andar, que ficaria sempre de cama o que significaria a iminência do fim. E queixou-se, deprimida, de que não podia ter nada de bom na vida, tinha ficado tão feliz com as férias em Mira e logo acontecer aquilo. Apesar de eu também estar muito apreensivo e medroso, afiancei-lhe de que tudo iria correr bem, que ela iria recuperar, e que voltaríamos ao MiraVillas dentro de um ano para passar mais uns dias de férias.

Afinal nem passou um ano. Tirei uns dias de férias e voltámos os três a Mira, para mais uns dias de descanso e relaxe. A parte menos boa foi constatar que, do ano passado para este, houve dificuldades que aumentaram. Os passeios a pé tiveram de ser encurtados, ou mesmo substituídos pelo automóvel; impossível subir a escada para o restaurante, no primeiro andar (conformámo-nos com uma mesa posta de propósito, no snack do rés-do-chão); mesmo nos trajectos mais curtos, dentro do hotel, tinha dificuldade em andar sozinha; e os rituais da casa de banho eram uma aventura. A parte boa foi, primeiro, podermos ir de férias, termos ido de férias, a minha mãe ter autonomia para poder sair, e sem a máquina de oxigénio, e sem as pessoas que lhe dão apoio diário em casa. Podermos passar quatro dias relaxantes, passados entre incursões matinais à Praia de Mira para comprar o jornal, beber um café e dar uma volta na marginal, e as tardadas na esplanada da piscina e os jantares demorados e descontraídos.

Eu, claro, aproveitei para, entre mergulhos, aboborar nas cadeiras à beira da piscina, a ler. Apesar de ter sempre procurado a sombra dos pinheiros, não me livrei de um escaldão, e cá estou todo em estado de cor de rosa escarlate. Carpe diem, pois.
Tags: caro diario
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