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I was carried to Ohio in a swarm of bees
rosas
innersmile
Digamos que estou naquela fase da vida em que sou "too young to die, too old to rock'n'roll". De facto, a maior parte dos dias sinto-me ainda demasiado novo para morrer, mas são já raras as ocasiões em que não me sinto demasiado velho para o rock. Sim, sinto-me bem para o jazz e para a world music, sinto-me ainda jovem para os blues e para a clássica, sinto-me pré-púbere para a pop, mas a maior parte do tempo sinto-me demasiado velho para o velho rock'n'roll.

Lembro-me do sentimento de choque que experimentei um dia, já há alguns anos, em que o meu sobrinho me pôs a tocar um disco qualquer e eu fui incapaz de ouvir. A minha primeira reacção foi desligar rapidamente o aparelho. Depois lá fiz um esforço e acho que cheguei a conseguir ouvir uma canção do princípio ao fim, mas o que foi absolutamente irremediável foi mesmo o sentimento de que tinha chegado a essa estação angustiada que dá pelo nome deprimente de Meia-Idade. Tipo: "Meia-Idade. Fim de linha, sem correspondência".

O ponto é que de vez em quando há um clarão, qualquer coisa que eu ouço e me faz sentir de novo naquela fase em que era capaz de passar dias inteiros, e noites também, sentado num canto do sofá, com os ouvidos ligados a uns auscultadores enormes que por seu lado ligavam ao prato do gira-discos onde viviam as guitarras distorcidas. De vez em quando acontece. Oiço determinada canção pela primeira vez e sinto de novo um boost de energia, uma capacidade quase infinita de engolir de uma vez só um mundo sem limites. A última vez que isso me aconteceu foi para aí há umas duas semanas e desde então não tenho parado de ouvir esta canção e o disco de onde ela saiu:



Há um dia de uma luz quase branca, que faz as cores ficarem um pouco desmaiadas. Há uma curva larga de uma estrada que liga dois bairros dos arredores de uma cidade, e há um carro que está parado junto à berma, mesmo a meio da curva. Não sei o que é que vai acontecer a seguir, mas o tipo que está sentado ao volante do carro parece estar prisioneiro de uma canção. Uma canção que não se ouve, mas que parece interminável. I never thought about love when I thought about home.
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o senhor matt tem um jeito pras palavras que é assim uma coisa do outro mundo. e os refrões parece que lhe saem naturalmente.

frases lindas. e o vozeirão ajuda muito

isso também; e o bom aspecto, senhores.

mas ainda assim podes dizer que este é um álbum filho da puta.

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