?

Log in

No account? Create an account

Previous Entry Share Next Entry
a pele do tambor
rosas
innersmile


Primeiro há Lorenzo Quart, o padre enviado de Roma para saber o que se passa em torno da igreja de Nossa Senhora das Lágrimas. E há mais dois padres, Príamo Ferro, o velho cura que se defende a golpes de mau feitio, apaixonado pela astronomia, e o seu jovem acólito, Óscar Lobato, que vai ser transferido por castigo. E Gris Marsala, a freira americana, arquitecta dos andaimes.

E há Macarena Bruner, a duquesa jovem de olhos cor de mel, que guarda o isqueiro na alça do soutien. E Maria Cruz, a velha duquesa, sua mãe, que bebe Coca-Cola de garrafa, a de lata não sabe à mesma coisa, nem os piquinhos são iguais.

Há os banqueiros. Machuco, Don Octávio como é tratado, que passa os dias a despachar na esplanada. Pencho Gavira, jovem e ambicioso, cuja Vice-Presidência está sob prova de fogo. E como cada criado quer o seu criadito, há Celestino Peregil, o seu homem de mão, sempre ajeitando o capachinho.

Há três outros que se passeiam pela cidade como se fossem anjos de pedra. Don Ibrahim, o meu preferido de todos, exilado cubano, advogado não documentado, sempre de fato branco, chapéu de aba larga e a brasa de um Montecristo a incendiar-se nos lábios. O isqueiro foi uma prenda de Garcia Marquez, o relógio ganhou-o numa noite de póquer a Hemingway, e El Che ensinou-o a fazer cocktails molotov. Acompanham-no Piña Puñales, cantora desvalida de boleros e sevilhanas, caracol desenhado na testa e o crochet enfiado na carteira, e o Potro del Mantelete, ex-toureiro e ex-pugilista, homem de acção, duro e impassível.

Há ainda Carlota e Manuel Xaloc, uma duquesa louca e um pirata das Caraíbas, fantasmas que se buscam um ao outro (“Mi carta, que es feliz, pues va a buscaros”).

Há um hacker, Vésperas, que deixa mensagens no computador pessoal do Santo Padre.

É há Sevilha, cheia de luz e de sol, cheia de noite e de tascas, cheia de igrejas, de praças e de pátios, perfumada de laranjas. “Como nenhuma outra, aquela cidade conservava na esquina das ruas, nas cores e na luz, o rumor do tempo que se extingue lentamente, ou melhor, de nós próprios extinguindo-nos com aquelas coisas do tempo a que se apegam a vida e a memória.”

Há, de Arturo Pérez-Reverte, A PELE DO TAMBOR.
Tags: ,

  • 1
Com tal profusão de personagens "sui generis" não faltarão leitores para esta obra.
Abraço do pinguim.

mais do que pela história, é pelos personagens e pela cidade (que eu não conheço), que este livro nos seduz.
abraço

Fiquei com vontade de ler!

eheh até eu, Saint, lendo essa lista de personagens, fico com vontade de ler o livro :)

  • 1