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ghost train

No dia 28 de Agosto, uma sexta-feira, cheguei a seguir ao almoço a um hotel muito simpático, em Mira, para passar o fim de semana. Registei-me, fui ao quarto pousar o saco e mudar de roupa, e vim deitar-me à beira da piscina, à sombra dos pinheiros. Abri o livro e comecei a ler Ghost Train to The Eastern Star, do Paul Theroux, e do qual já falei aqui várias vezes. Ontem à noite ainda acompanhei a noite eleitoral, mas como agora o suspense dos resultados termina cedo e depois é aquela espuma dos comentadores e dos comentadeiros, e depois de dar uma espreitadela ao programa Camara Clara que ontem tinha dois convidados irresistíveis (o Richard Zimler e o João Paulo Esteves da Silva, sendo o mote do programa o concerto da Anne Sofie von Otter sobre as canções de Theresienstadt), li finalmente as últimas páginas do livro.

Demorei um mês a terminá-lo, mas foi um mês muito complicado, e este livro, como também já referi, vai ficar para sempre ligado à memória destes dias. Uma das razões porque demorei tanto tempo a terminar a leitura (para além de eu ser um slow reader) tem a ver, é claro, com a falta de tempo: os fim de semana, que é quando leio mais, passei-os fora de casa, e à noite, estava sempre tão cansado e ensonado, que adormecia ao fim de uma página e meia. Mas teve um aspecto positivo, esta leitura demorada, que foi o livro fazer-me companhia ao longo de todas estas semanas, ser assim uma espécie de porto da tranquilidade para onde me apetecia fugir quando o sobressalto era maior, e que me deu momentos de prazer no meio de toda a perturbação.

O poeta é um fingidor, como diz o poema, e o escritor de livros de viagens também. Não sei se as histórias que o Paul Theroux conta se passaram mesmo assim como ele as relata, e muitas vezes tive a impressão de que não. Além de que é conhecida (ok, 'conhecida', quando se fala de literatura, se calhar é uma expressão forte demais) uma certa propensão para o exagero, quando não mesmo para a ficção pura. É célebre (lá está...) o relato de um jantar que Theroux e a sua mulher deram a V.S. Naipaul, e que todos os intervenientes, a começar pela mulher, vieram dizer que não se tinha passado bem assim. Mas mesmo que haja muita coisa que Theroux pinta, ainda assim os seus livros de viagens são uma aventura deliciosa, e a companhia do escritor, as suas observações, a sua capacidade para descrever ambientes, os encontros e os diálogos (nomeadamente com outros escritores), torna-se quase viciante.
Tags: livros, theroux
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