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a língua vagarosa
rosas
innersmile
Passaram, no dia 27 de Maio, 6 anos desde que comecei a pôr on-line textos, sobretudo poemas, de autores moçambicanos ou de alguma forma ligados a Moçambique, no blog À Sombra dos Palmares. No anos anteriores eu assinalava este aniversário mas este ano, francamente, não há nada a assinalar: entre Maio e Novembro do ano passado meti lá 6 ou 7 poemas, e desde Novembro que não faço nenhuma entrada nova.

A razão para esta negligência tem a ver com a minha pouca disponibilidade para procurar textos, passá-los para o computador (à mão, ou seja não tenho scanner) e editá-los no blog. Mas também com o facto de que ultimamente não tenho encontrado praticamente livros nenhuns de literatura moçambicana à venda por cá.

Claro que não faz sentido nenhum apagar o blog, até porque, apesar do desprezo, ele continua a ter visitas diárias, poucas mas mesmo assim, vindas na sua maioria de pesquisas nos motores de busca de nomes de poetas moçambicanos. E confesso que me agrada esta ideia de estar disponível na net, com algum sentido de utilidade para quem procura, informação que fui eu que pus. Informação que, diga-se de passagem, corresponde a uma coisa que eu acarinho e que é muito importante para mim.

Além disso pode ser que um dia destes me volte a dar uma vontade febril de tornar a pôr poemas no blog. Mas enquanto isso não acontece, aí ficam os poemas, em pousio, à espera que alguém se lembre deles, que os procure, e se venha tranquilamente sentar a lê-los, à sombra dos palmares.


«VENCEREMOS

A última coisa que vi foi nada.
Logo a seguir às labaredas foi nada o que vi então
Com um grande silêncio espantíssimo por cima de nada
E um cheiro queimado de carne
Que vinha de dentro do peito para a boca.

Agora estou só nos ouvidos e na língua vagarosa
Eu que só pensava dentro dos olhos penso mal na língua
E o mundo inteiro é muito pouco agora
E tudo quanto está chegando aos meus ouvidos é pouco.

Não poderei fazer mais a mesma tarefa
Mas a Luta continua pois é independente de um homem só
E haverá outra tarefa para dois ouvidos e uma língua.
Venceremos.»


- Mutimati Barnabé João, in EU, O POVO


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Em outra janela, passo os olhos nos poemas: incríveis! 'Há vezes em que nem a morte é o que se teme' e 'A palavra' me deixaram pasmado: como um encontro com o óbvio e sua força de clarificação.
Um abraço, caro!
Dia 14/6 estou aí no continente :)

Eduardo

caríssimo, vale muito a pena conhecer a obra de Eduardo White, poeta maior entre os maiores (o que há é pouca gente a dar por isso, como diria Campos).

faltam então poucos dias para haver uma linha de terra a ligar-nos. pena que isso saiba a pouco.

abração

Como sabes, sou uma das utilizadoras «dos palmares». E não o feches, deixa-o estar de poisio o tempo que for preciso. Mas deixa-o lá.
O Moçambicanto é outro que lá se vai aguentando. Eu divulgo-o o que posso, invento limks, sou seguidora... mas não sei o resultado disso.
Mas é importante que não acabem. Um dia, quem sabe, aquilo pega!
Abraço!

Continua a divulgar o que gostas...

Continua, não o feches. A net precisa de cantos como o Palmares.

Eh, pá, eu também já lá não vou desde... mas, se não fosse o 'sombra' tínhamo-nos conhecido muito mais tarde, essa é que é essa! - beijo, parabéns pelo 6º,
IO, uma muito orgulhosa de ser parte dos lá e-publicados.

tu és uma parte muito significativa da razão de existir o 'sombra'

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