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(no subject)
rosas
innersmile


Há séculos, ou pelo menos desde o século passado, provavelmente desde a década de oitenta, que eu não lia um livro de Eça de Queirós. A Eça pode ser imputada grande parte da responsabilidade de eu gostar de ler: quando fui obrigado, pelo programa escolar, a ler Os Maias, no liceu, adorei. E durante uma certa altura, foi a minha leitura mais consistente. Aproveitei agora o facto de a colecção de bolso Biblioteca de Editores Independentes ter editado A Correspondência de Fradique Mendes para voltar a ler. Não sendo provavelmente a melhor 'joy ride' (constitui blasfémia usar expressões estrangeiras quando se fala sobre Eça de Queirós?) em termos de aventura narrativa, o livro proporciona, para além da escrita sublime do escritor, um retrato do que era a modernidade em finais do século XIX, e, por contraste, o que era a sociedade portuguesa nessa época (e que, para nossa desgraça, continua a ser).



Quando morreu António Alçada Baptista, aqui há uns meses, senti saudades dos livros dele que li, das histórias, do humor, da ternura e da bondade que sempre se desprende das suas páginas. Aproveitei um intervalinho entre leituras para regressar ao autor e ler o primeiro volume da sua Peregrinação Interior, Reflexões Sobre Deus. Apesar de o livro expressar reflexões e dúvidas que se calhar o tempo, ou pelo menos o meu tempo, resolveu, é interessante, e chega a ser comovente, assistir, e participar, no processo profundo e intenso (e mesmo violento, se bem que esta palavra não vá nada com o autor) que António Alçada travou para dar um sentido à presença de Deus, não tanto na sua vida, mas sobretudo na sua intelectualidade, na sua maneira de olhar e perceber o mundo, a vida e os homens.

Este texto teve o elevado patrocínio do chá Porto Formoso (variedade orange pekoe) e da banda sonora que Geoffrey Burgon escreveu para a série Brideshead Revisited. Um e outra, dois assomos de lirismo nesta tarde tão sem graça.


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Dois escritores de que gosto particularmente; ao contrário de ti, quando andava no secundário, ainda não se lia "Os Maias", mas apenas os Lusíadas e algo sobre Gil Vicente. Mas Eça, foi por devoção o primeiro autor que devorei e comecei com "O Crime do Padre Amaro", o que para a minha juventude nascente era apelativo de algo proibitivo...eheheheh.
Quanto a Alçada Baptista, é um caso diferente, não li toda a obra, mas ligam-me a ele laços de amizade de famílias que sempre se deram, desde há muitos anos, nas raízes comuns da Covilhã.
Abraço do pinguim.

Pinguim, lembro-me bem do texto que puseste quando o António Alçada faleceu, onde expressaste essas ligações familiares.
abração

olá. Eu tb adoro Eça de Queirós.
Só para tua informação, aqui na Bélgica, e em França, começa a falar-se muito, a propósito de Cannes, do realizador João Pedro Rodrigues e do seu último filme, Morrer como um Homem. A não perder.

Sara

tenho muita vontade de o ver. gostei muito dos filmes anteriores do JPR, se bem que o Odete tenha sido um filme difícil de gostar

Eça foi dos primeiros autores que li, há muitos anos. O meu pai tinha a colecção toda. Havia uns livros que estavam numa estante e outros fechados num armário. Mas as minhas irmãs e eu dávamos um jeito de contornar as coisas...

Tongzhi

devo confessar que a primeira vez que consegui deitar a mão a um desses livros do armário, foi uma desilusão: não percebi nada :)

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