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vinham muitos
rosas
innersmile


Não sei quantos é que vinham. Vinham muitos, seminus, pintalgados de seivas e de cinzas, reluzentes de suor, com enfeites de penas e de conchas, e a entoar uns cantares que pareciam sons da terra. Cantavam muito afinados, com vozes de vários timbres harmonizados por silvos e o bater dos pés no chão. Traziam lanças e varas e chocalhos e tambores e instrumentos de chifre e de bambu, e outros feitos de cabaças e, de vez em quando, alguém soltava um grito que parecia uma ordem de combate e destacava-se um coro, em pouco estridente de vozes de raparigas e logo outro, masculino, respondendo em notas graves.

Subiam até à casa, davam a volta à fachada, cantando e dançando sempre, até que, de repente, se detinham. Calavam-se ao mesmo tempo como se fosse o desligar repentino de um aparelho de rádio, e, um instante a seguir, explodiam, numa saudação parecida com o rebentar de uma onda gigantesca:

BAY-EEEEE-TE!


- Luís Amorim de Sousa, O PICO DA MICAIA


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A realidade da pobreza irmana povos de diferentes continentes.
Nós por "cá"...todos bem!!!
Abraço do pimguim.

Há coisas que me deixam triste...muito triste, quase desistente, th

espero que não tenha havio aqui nada que tenha deixado triste e desistente. esta entrada era suposta ser positiva, não negativa :(

Não é culpa dos teus escritos, é o terceiro mundo, é o mundo de certas crianças...

é que eu acho que quer o mercado de Chichicastenango quer o texto, passado no sul de Moçambique, estão carregados de humanidade, e ela é sempre admirável

Baiête!

Como se fosse hoje. Não se esquece mais.
Por isso te disse «Baiête», na primeira vez que aqui vim.

e claro que eu me lembrei de ti quando pus aqui o texto. não me esqueci de que foi essa a saudação que usaste primeiro :)

Não ligues, é a preversa conotação das ideias.
Estive a ver o teu perfil...brilhante, como eu já calculava.
Beijo, th

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