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inferno

Fui ver no Sábado à noite ao Teatro Aveirense a peça Inferno, coreografia de Olga Roriz para a sua companhia, quase um ano depois de ter visto, no mesmo local, a peça ‘irmã’ desta, Paraíso. Em ambos os casos o tema é o musical. Pareceu-me que este Inferno tratou uma visão sobre o musical mais mediatizada, mais cinematográfica, quando o Paraíso remetia mais directamente para o musical enquanto experiência de palco. Pelo menos foi essa a ideia com que fiquei, e que está patente, por exemplo, no lento e longo fade-out final.

Tal como nas suas criações mais recentes, a peça é composta de quadros, cada um deles muito marcado pela respectiva escolha musical. Num espectáculo longo e tão fragmentado, há naturalmente algum desequilíbrio, e momentos mais conseguidos do que outros. Mas o que é notável é a extrema coerência, quer da linguagem quer da própria ideia coreográfica. O sentido da ocupação da cena é, como sempre acontece nas peças da Olga Roriz, notável pela forma como ocupa o espaço e o enche de tensão. Um achado teatral é o próprio dispositivo cénico: começa por ser uma cerca de arame, como as que rodeiam as prisões (ou os campos de concentração, essa representação terrena do inferno), para se transformar, na segunda parte do espectáculo, um salão de baile de cortinados dourados (a remeter, mais uma vez o cinema, para uma certa visão à David Lynch).
Tags: dança
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