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jamelão e a orquestra tabajara
rosas
innersmile
Há aquela canção do Caetano Veloso, do cd Livro (maravilhoso), Onde O Rio É Mais Baiano, onde ele cantava:
"E agora estamos aqui
Do outro lado do espelho
Com o coração na mão
Pensando em Jamelão no Rio Vermelho"


E há também aquela canção ainda mais antiga de um disco Ney Matogrosso, Espinha De Bacalhau (da autoria de Severino Araújo, e escrita na década de 30), onde o Ney e a Gal Costa cantavam:
"Saxofone ou Satanás me intoxica com teu gás
O lado bom do coração que nos separa dos metais
Se a vida é cara, gigolô, só meu amor conhece a cor
Das harmonias da Orquestra Tabajara"


A aventura da música popular é também essa de ouvir os nomes e guardá-los, esperando que eles se revelem no momento certo. Um dia destes tropecei num disco de 1972, que junta Jamelão e a Orquestra Tabajara. Jamelão é um dos nomes míticos do samba carioca, durante muitos anos o intérprete do samba enredo da escola Estação Primeira de Mangueira (e que morreu há menos de um ano, com a idade de 95 anos, tendo gravado o samba enredo de 1949 até 2006, ano em que sofreu um AVC). A Orquestra Tabajara é uma das orquestras de salão mais famosas do Brasil, existindo há mais de 70 anos, a maior parte deles dirigida por Severino Araújo de Oliveira, que continua a ser o maestro da orquestra.

O disco que junta Jamelão e a Orquestra Tabajara, da qual foi crooner habitual, é todo composto por sambas-canção da autoria de Lupicínio Rodrigues, um dos grandes compositores populares brasileiros, sobretudo de canções muito sentimentais, de amores traídos ou não correspondidos, ao que se diz inspirados na própria vida de Lupicínio, que vivia para a boémia, a música e as mulheres. Diz a lenda que foi Lupicínio quem inventou a expressão ‘dor de cotovelo’ para significar, não o sentimento de inveja a que normalmente está associada, mas a verdadeira dor de corno, a dor daqueles que se sentam no bar, em frente a um copo de whiskey, a carpir desgostos amorosos com os cotovelos bem fincados na madeira dura do balcão.


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Gostei muito deste texto.
*

obrigado Lili, que bom teres gostado

Então vamos lá ver se te consigo uma surpresa! (http://abracadabra.weblog.com.pt/arquivo/Orquestra%20Tabajara%20-%20Aquarela%20do%20Brasil.mp3)

Baiête!

ah, já fui ouvir, que delícia :)

Não consegui! Tenho pena. Mas se quardares a URL, podes ouvir sempre.

Baiête!

gostei do nique: samartaime :)

Estou literalmente sem palavras...
que pena que com tanta riqueza só venha para cá o que não presta.
bjs, th

Desculpa, desculpa, em relação a brasileiros sou muito burra, ie, tenho duas palas que só me deixam ver numa direcção, embora no íntimo eu reconheça valores indiscutíveis...th

impressionada com a sua cultura carioca! seja bem-vindo :)

e obrigada pela parte que me toca

a cultura não é muita, Ana. a curiosidade é que é imensa.

Então se é assim, Miguel, um dia procure ouvir também um grande compositor, vivo, chamado Guinga - letras excelentes, melodias e arranjos (ele é violonista) muito elaborados e bonitos. Dele, os cds que mais gosto são: Delírio Carioca, Noturno Copacabana e Casa de Villa.

obrigado pela sugestão, Ana, vou procurar ouvir sim :)

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