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o homem no arame

Vi uma noite destas no computador um documentário intitulado Man On Wire, que, salvo erro, é candidato a um Oscar na respectiva categoria (a propósito, a noite dos Oscars é já no próximo Domingo). O filme conta a história de Philippe Petit, um francês fonâmbulo que no dia 7 de Agosto de 1974 atravessou um cabo esticado entre a cobertura das duas torres do World Trade Centre, e segue diversos cursos narrativos: a história do próprio Philippe, os longos preparativos da operação, e, através de uma reconstituição com actores, o próprio desenrolar da operação, ou seja, a entrada no edifício e a montagem dos cabos necessários.

Tratou-se, como é fácil perceber, de uma façanha muito arriscada e completamente ilegal, mas com uma grande carga poética. Não só a ideia de alguém caminhar literalmente no céu de Nova Iorque é mais do domínio do sonho do que da realidade, como toda a história da operação ('le coup', como lhe chamam os protagonistas) se calhar só foi possível num mundo que já não é exactamente o mesmo mundo em que vivemos hoje.

O filme, produzido o ano passado, nunca refere a tragédia do 11 de Setembro e do WTC, mas é inevitável que ele esteja sempre presente, quer por parte de quem o visiona quer seguramente de quem o fez. Li uma entrevista em que Philippe Petit se recusa a responder sobre o que sentiu quando assistiu ao desabar das torres, por serem sentimentos demasiado íntimos e privados. Nesse aspecto o filme é também um lindíssimo e profundamente lírico canto de amor pelas torres gémeas do World Trade Centre, pelo carácter icónico (ou seja, com o seu quê de sagrado) que o desenho dos prédios e do skyline de Manhattan representaram na cultura ocidental.
Tags: cinema
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