miguel (innersmile) wrote,
miguel
innersmile

áustria, 2008 / 4

19.11.08
(14:00)

Estou no Café Landtman (de novo) para almoçar. A ideia era só comer um strudel, mas mudei de ideias e pedi um wiener schnitzel, como há onze anos.

Ontem a ópera foi estupenda. O espectáculo, claro, mas tudo o mais: o edifício, que é sumptuoso, as pessoas, os rituais. Um ambiente sofisticado mas muito descontraído, nada de poses nem de ares emproados. Havia pessoas muito bem vestidas, muito elegantes, mas também havia muita gente completamente à vontade. Eu levei na mala umas calças de bombazine e uns sapatos de propósito para esta noite, é o mínimo, não ir de jeans e sapatilhas. Digamos que não estava entre os 50% mais bem vestidos, mas também não estava entre os 20% com um ar desadequado à ocasião! Apesar de a maioria dos espectadores serem mais velhos do que eu, também havia muita gente nova, inclusivamente muitos adolescentes.
A encenação era muito moderna, com um dispositivo cénico simples e eficaz. A orquestra foi dirigida por Adam Fischer e a distribuição dos três principais papéis foi a seguinte: Johan Botha (tenor) em Otello, Krassimira Stoyanova (soprano) em Desdemona e Franz Grundheber (barítono) em Iago. Curiosamente o Iago foi quem teve aplausos mais entusiastas, no final, entre aplausos de pé, bravos e chamadas ao palco. No intervalo bebeu-se champanhe e comeram-se os típicos bolinhos de Viena.







Hoje de manhã fui ao KunstHalle, que também fica no MuseumsQuartier, ver uma exposição intitulada Western Motel, que é o título de um quadro célebre do Edward Hopper. A exposição é fabulosa, construída à volta de Hopper, com quadros do pintor e trabalhos (pinturas, fotografia, video, instalações) feitas à volta dos quadros de Hopper ou inspirados por eles.
Tinha programado ir ao Belvedere, visitar os palácios e ver os quadros de Klimt, mas para falar com franqueza a capacidade de um ser humano para o esplendor do barroco tem o seu limite. Há-de ficar para a próxima ou então não há-de ficar. Em vez disso, voltei à Berggasse, para ir ao nº 19 da rua, onde está instalado o Museu Freud, na casa onde o pai da psicanálise viveu e trabalhou durante quase 50 anos, até os nazis o forçarem a emigrar para Londres, em 1938, um ano antes de morrer. É um museu pequeno, mais documental do que iconográfico, que ocupa a parte da casa onde Freud trabalhava e dava consultas: a entrada está intacta em relação ao tempo em que Freud habitou a casa, a sala de espera foi reconstruída, e o gabinete de consultas e o escritório tem enormes painéis fotográficos que mostram as divisões tal qual eram, e além disso mostram a colecção do museu (nomeadamente as antiguidades egípcias que Freud coleccionava de modo compulsivo... oops, trocadilho intencional). Gostei muito do museu, por ser pequeno, por revelar tanto o trabalho de Freud como a sua maneira de viver, e sobretudo porque tem a mistura certa de memória e de culto que devem dar o tom a este tipo de museus dedicados a uma personalidade.











Entretanto, já comi o schnitzel aqui no Café Landtman e agora vou tomar um capuccino. A única coisa um pouco desagradável aqui nos cafés de Viena é o facto de se poder fumar, coisa a que já estamos desabituados. Estranha-se (sem se chegar a entranhar) o fumo e o cheiro um bocado pestilento a fumo de cigarro (por vezes sente-se o já agradável aroma do tabaco de cachimbo, que é uma coisa que, em Portugal, com a proibição de fumar no espaço público, quase desapareceu). A esta hora, para além de um ou outro cliente desgarrado, a maioria da clientela são grupinhos de senhoras muito elegantes, e de cavalheiros engravatados com um ar profissional.
Tags: exposições, teatro, viagem
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