miguel (innersmile) wrote,
miguel
innersmile

seis características

O Pinguim desafiou-me, lá no blog do João, a enumerar as seis características mais evidentes suponho que na minha maneira de ser, daquilo que se chama vulgarmente 'feitio'. Confesso que tenho muita dificuldade em responder convenientemente ao proposto.

Desde logo porque uma das minhas características mais evidentes é a timidez, e por isso gosto pouco de me pôr a olhar para mim, sobretudo se estiver muita gente a ver. Como qualquer tímido, passo muito tempo a ver e a observar o mundo à minha volta e a tentar perceber como é que hei-de lidar com ele, o que me leva, acho eu, a ser um bocado egocêntrico em demasia. Mas egocentrismo não é exactamente a mesma coisa que ser egoísta, e isso acho que não sou, ou pelo menos acho que não sou muito; pelo contrário, até acho que sou um tipo generoso, sem falsa modéstia. Se não cultivo a modéstia, esforço-me todavia por cultivar a humildade, até porque acho que tenho a tendência para ser um bocadinho arrogante. Esforço-me por ser sempre honesto, sobretudo comigo próprio, nunca me enganar nem ceder à auto-complacência. Acho que é esta honestidade que me leva a ser lúcido, por vezes de uma maneira implacável.

E tentando ter a maior lucidez possível, confirmo que tenho muita dificuldade em eleger as seis características que melhor me definem.
Mas sempre que me pedem para eu me definir (e agora tornou a acontecer com este meme) a primeira coisa que me vem à ideia são os versos de uma canção do Caetano Veloso: «sou tímido e espalhafatoso». De facto não sou espalhafatoso, mas gostava de ser, precisamente assim, tímido e espalhafatoso. De alguma maneira esta canção do Caetano, a Vaca Profana, faz parte de um lotezinho de canções dele a que recorro para me confrontar comigo próprio, para me medir. Mais do que as canções da minha vida, são de algum modo as canções que contam a minha vida.
Por isso acho que a melhor maneira de responder ao desafio do João é mesmo pôr aqui o clip da Vaca Profana cantada pela Gal Costa, que foi aliás quem lançou a canção no lindíssimo e antiquíssimo (anos 80?) disco justamente intitulado Profana.



Respeito muito minhas lágrimas
Mas ainda mais minha risada
Inscrevo assim minhas palavras
Na voz de uma mulher sagrada
Vaca profana, põe teus cornos
Pra fora e acima da manada
Ê
Êê dona das divinas tetas
Derrama o leite bom na minha cara
E o leite mau na cara dos caretas

Segue a movida Madrileña
Também te mata Barcelona
Napoli, Pino, Pi, Pau, punks
Picassos movem-se por Londres
Bahia onipresentemente
Rio e belíssimo horizonte
Ê
Êê vaca de divinas tetas
La leche buena toda en mi garganta
La mala leche para los puretas

Quero que pinte um amor Bethânia
Steve Wonder, andaluz
Como o que tive em Tel Aviv
Perto do mar, longe da cruz
Mas em composição cubista
Meu mundo Thelonius Monk’s blues
Ê
Êê vaca de divinas tetas
Teu bom só para o oco, minha falta
E o resto inunde as almas dos caretas

Sou tímido e espalhafatoso
Torre traçada por Gaudi
São Paulo é como o mundo todo
No mundo um grande amor perdi
Caretas de Paris, New York
Sem mágoas estamos aí
Ê
Êê dona das divinas tetas
Quero teu leite todo em minha alma
Nada de leite mau para os caretas

Mas eu também sei ser careta
De perto ninguém é normal
Às vezes segue em linha reta
A vida, que é meu bem, meu mal
No mais as ramblas do planeta
Orchata de chufa si us plau
Ê
Êê deusa de assombrosas tetas
Gota de leite bom na minha cara
Chuva do mesmo bom sobre os caretas
Tags: caro diario, citações, clips
Subscribe
  • Post a new comment

    Error

    default userpic
    When you submit the form an invisible reCAPTCHA check will be performed.
    You must follow the Privacy Policy and Google Terms of use.
  • 7 comments