?

Log in

No account? Create an account

Previous Entry Share Flag Next Entry
torcato sepúlveda
rosas
innersmile
Há nomes que ficam connosco, que ficam ligados à nossa história, que passam a fazer parte de nós. Nomes de escritores, de cineastas, nomes mais anónimos, que não nos dizem rigorosamente nada de um ponto de vista pessoal, mas que se tornam familiares porque de algum modo estão ligados a horas de prazer, de desfrute, de deleite, ligados à nossa formação e ao nosso crescimento.
Nomes, por exemplo, de jornalistas. De tipos mais ou menos anónimos mas que, à custa de tantos os lermos no rodapé de um texto de jornal acabam por se tornar importantes, mesmo essenciais.
Nunca conheci o jornalista Torcato Sepúlveda, não sabia rigorosamente nada acerca dele, nada acerca da sua pessoa nem sequer do que estava a fazer profissionalmente neste momento. Só lhe vi o rosto agora, porque apareceu aí nuns blogues e talvez no jornal que leio habitualmente, o Público. E agora o nome do jornalista voltou porque desta vez é ele a notícia, ou antes a sua morte.
Aconteceu-me exactamente o mesmo que me tinha acontecido aqui há uns tempos quando morreu outro nome ligado à história do Público, o do crítico teatral Manuel João Gomes, que eu nem sabia sequer que tinha sido casado com a Luiza Neto Jorge. De repente lemos no jornal a notícia da morte de alguém cujo nome nos diz alguma coisa, e sentimo-nos mais empobrecidos, mais sós.
Leio o Público desde o primeiro número, comprado às sete da manhã num quiosque da estação de comboios de Rio de Mouro de uma dia qualquer (uma terça-feira?) de 1990 (Março?), e logo desde o início uma das razões porque o jornal me prendeu foi pela atenção que dava à cultura, nomeadamente através do suplemento Leituras, inteiramente dedicado à literatura e aos livros. Mais tarde o suplemento foi suspenso e regressou, depois, com o nome Mil Folhas, que é, creio eu, um nome já mítico no jornalismo cultural português.
Pois bem, foi aí, desde o início, no Leituras, que o nome de Torcato Sepúlveda se me foi tornando familiar, esse nome que anonimamente ia aparecendo no fundo do texto do artigo. E se o jornalista tem por si, mas também contra si, o anonimato e o efémero da página do jornal, tem também, quando é grande, essa capacidade de saltar do anónimo rodapé e se fixar na memória do leitor.


  • 1
Meu caro Miguel
soube da morte do Torcato no blog do Eduardo Pitta ("Da Literatura") e fiquei chocado, pois ao contrário de ti, conheci-o pessoalmente e durante uns tempos convivemos diáriamente no mesmo local de trabalho, no jornal(?) " Semanário", onde ele era jornalista e eu funcionário do Centro de Documentação; não o via desde a purga que o dono e senhor do jornal fez, dos melhores jornalistas que o jornal tinha, e em que ele, com outros nomes, foi despedido; recordo-me do abraço que me deu quando da sua despedida e das suas palavras: "a gente vê-se por aí..."
Agora é a minha vez de retorquir: "amigo, um dia destes a gente encontra-se..."
Abraço do pinguim

caro Pinguim, recordações de ouro, sem dúvida. como digo, só o conhecia como leitor, e de jornais. acho que o trabalho dele nos suplementos literários do Público (e da Tereza Coelho, já agora) são um marco na história do jornalismo cultural.
abraço, meu caro.

  • 1