miguel (innersmile) wrote,
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danças

Ontem quase no final do telejornal da Sic, passou uma reportagem sobre uma companhia de dança sedeada na Ilha da Madeira que junta bailarinos ditos ‘normais’ com outros que são portadores de deficiência física. Há na companhia, que é a única com estatuto profissional a praticar em Portugal esta dança inclusiva, como lhe chamam, bailarinos portadores de deficiências motoras, de trissomia 21, invisuais, pessoas com amputações, etc. A reportagem focava-se sobretudo em três dos protagonistas, uma rapariga com espinha bífida, um homem invisual, e um jovem que além de bailarino dá aulas de hidro-ginástica para arredondar os rendimentos, e ia alternando sequências das suas vidas extra companhia, com imagens de ensaios e treinos.
É muito difícil não sermos paternalistas em relação a este tipo de situações e admirarmos a vontade e mesmo a coragem das pessoas que ultrapassam as suas próprias limitações, e a vergonha e o sentimento de exclusão que muitas vezes lhes anda associado. Mas o que achei mais bonito e comovente na reportagem foram as imagens de palco das peças ou dos ensaios. Porque o que nelas víamos eram apenas pessoas dançando, experimentando os seus limites, sentindo o corpo e a sua vertigem, com o entusiasmo de uma brincadeira de crianças e a excitação de quem se entrega a uma experiência erótica.
Tags: crónica
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