miguel (innersmile) wrote,
miguel
innersmile

we own the night

Gostei imenso de We Own The Night, de James Gray, um filme de uma pureza muito grande, que nunca tem medo ou vergonha de assumir que pretende filmar essa zona sombria onde os sentimentos são a única coisa que nos redime. Trata-se com efeito de um filme sobre uma redenção, a de Bobby, filho e irmão de polícias nova-iorquinos, a quem o desejo de liberdade levou até às margens do crime organizado e que enceta da forma mais dolorosa o caminho até regressar à segurança do lugar onde pertence, sendo que este, muito mais do que um lugar físico, é sobretudo a morada onde estão aqueles que amamos.
Mas se esta história é já de si apelativa de um determinado cinema, ou de uma certa maneira de usar o cinema, é no modo como filma, como a câmara se demora, com um misto de contenção e despudor, de distância e excesso, no rosto dos actores e na limpidez das formas. O olhar de Gray parece estar ali a meio caminho entre a secura de um Clint Eastwood e o desvario de um Abel Ferrara. Tudo no filme, das fotografias a preto e branco iniciais à banda sonora, dos adereços aos automóveis, evoca não tanto um tempo e um lugar, mesmo cinematográficos, mas mais uma memória, a memória de um olhar mais puro, que conseguia olhar para as coisas de forma ainda descontaminada por todos os relativismos.
E depois os actores. Joaquin Phoenix está lindíssimo, um homem a ganhar peso e sombra, um corpo ainda a clamar vida mas já a acentuar os sinais da morte. E o prazer imenso de rever o grande actor Robert Duvall em mais um papel trabalhado com um rigor e uma segurança raras.
Tags: cinema
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