miguel (innersmile) wrote,
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máquinas do tempo

«If it were possible (and perhaps someday physics will make it possible) he would like to own a device akin to Well’s time machine, but more modest in purpose, designed so that one might leap over awkward moments and into a more tolerable future. Instantly. If you had such a machine, you would never have to wait for the results of an examination to be posted, or judge whether the newly arrived “Ph.D.” from Princeton was going to answer your advances with friendliness or hostility. Instead you could just pull a lever or push a button and be already in possession of your exam results, or on the way to bed with the friendly “Ph.D.”, or safe at home after being rebuffed by the hostile one. And if you knew that you wouldn’t have to go through this things, then you wouldn’t have to dread them.»

- David Leavitt, The Indian Clerk

O que nunca pára de nos assombrar na literatura é a sua capacidade de explicar a vida, de nos explicar a nós próprios.
Progrido lenta mas entusiasticamente pelo mais recente livro de Leavitt, um romance que conta a história real do encontro entre o mais brilhante matemático inglês do seu tempo e um génio da matemática indiano e autodidacta. O livro é narrado pela perspectiva do inglês, G.H. Hardy e, para além da brilhante reconstituição histórica (e mental) da Europa durante a I Grande Guerra, é sobretudo admirável no modo como constrói uma certa maneira de estar na vida que ainda é muito o da minha geração (não faço ideia se ainda é o das seguintes).
Apesar de ainda ir a cerca de um terço do livro, trata-se, para mim, do melhor livro de David Leavitt.

Entretanto, um novo livro de Frederico Lourenço, Caracteres, que traça trinta brevíssimos, mas muito divertidos, retratos de alguns novos tipos urbanos. Como sou um rústico, não tenho bem a certeza mas pareceu-me que algumas das vinhetas são ainda sarcásticas caricaturas de algumas figuras do milieu literário ou cultural lisboeta.

Finalmente um novo livro de poemas de Mia Couto, Idades Cidades Divindades, apenas o seu segundo numa carreira literária sobretudo dedicada à ficção é à crónica. Ainda só desfolhei, mas pareceu-me uma poesia bastante mais amadurecida do que a do anterior Raiz de Orvalho.


[NTS: os post da The Indian Clerk Week no blog literário The Elegant Variation. Incluem entrevista com o David Leavitt e posts feitos pelo próprio DL.]
Tags: leavitt, livros
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