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outra vez fados
rosas
innersmile
Fui ontem rever o filme de Carlos Saura, Fados. Percebo que há coisas no filme que possam não agradar a algumas pessoas, como a utilização intensa da dança na criação dos diferentes quadros. Se bem que ache que isso não faz muito sentido, uma vez que faz parte do próprio projecto do filme, é essa a visão do realizador. Já não percebo que se critique o filme pelo que ficou de fora, este ou aquele fadista, este ou aquele fado. Insisto que o filme não é um documentário nem pretende ser uma história do fado. Não tem vocação didáctica nem pretende ser uma espécie de ‘tutti fado’ antológico. E nem o argumento de que foi financiado, ou co-financiado, com dinheiros públicos nacionais convence: o filme é um objecto artístico e suponho que quem o financiou sabia o que estava a financiar. Por outro lado, pareceu-me que muitas das críticas, pelo menos as que encontrei em blogs, têm sobretudo a ver com antipatias e ódios de estimação. Note-se que alguns dos protagonistas do filme não são exactamente da minha preferência, mas nem defendo que o meu gosto é o melhor, nem, por eu gostar menos, retiro valor artístico seja a quem for. E devo dizer que alguns dos melhores e mais conseguidos momentos do filme têm precisamente a participação desses artistas de que gosto menos. Isto para dizer que eu acho que há uma falta de disponibilidade para dar atenção, neste caso, ao que os outros ouvem (como na canção da Adriana Calcanhotto, em que ela diz que "eu presto muita atenção no que o meu irmão ouve"). Eu sei que vivemos numa época de grande relativismo, mas se há terreno em que ele faz sentido é precisamente no da cultura e da criação artística: aquilo que para mim é bom não tem de ser o padrão universal do gosto.

Dito isto, quero apenas salientar que, visto pela segunda vez, e num intervalo de tempo tão curto, o filme aguenta-se muito bem. E isso acontece sobretudo graças às apostas musicais, já que elas são o cerne do filme, quase poderíamos dizer que elas são todo o filme. Como disse no texto anterior, mais do que uma visão sobre o fado, o que o filme propõe são visões para o fado, modos de o acolher e integrar e transformar. Há denominadores comuns, fios condutores, que de resto o próprio filme enuncia, logo de início, na única vez que assume um determinado programa. Pode haver quem ache curto e pode haver quem ache desvirtuador. Mas assentando tanto nas propostas musicais, o filme acaba por valer o que elas valem. Na minha opinião, são, na sua grande maioria, interessantes e entusiasmantes.









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Ainda não vi o filme, mas gosto da banda sonora.
Corre lentamente, inclui alguns poucos nomes que nunca tinha ouvido falar e, como tu dizes, acho as versões feitas por nomes não ligados ao fado bastante interessantes, especialmente Lila Downs e Lura.
Já no estilo de abordagem do NBC & SP, prefiro quase todos os temas que estavam incluídos no "Amalia Revisitada" a este.

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