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creta.6
rosas
innersmile
27.8.07
O dia começou cedinho: logo de manhã fomos a Knossos, para evitar o calor e as enchentes. É um sítio arqueológico impressionante, pela idade (30 séculos a.C.) e pela dimensão. A descoberta do palácio real minóico provou que na Europa havia uma civilização contemporânea do Egipto dos faraós. O que faltou à visita foi um guia que nos fizesse perceber bem o que estávamos a ver.
Dois aspectos interessantes. Knossos, segundo me contou o P., foi um dos lugares onde nasceu a arqueologia. O seu mentor foi Arthur Evans, que descobriu e começou a trabalhar nas escavações em 1900. Mas, correspondendo de certo modo ao espírito da época, Evans ia ‘compondo’ o lugar à medida que o descobria, atribuindo nomes, destinando funções, e mesmo reorganizando e reconstruindo os espaços. Os nomes dos diferentes lugares do palácio são os que Evans atribuiu, mas sabe-se hoje que muitas das soluções que apresentou eram um pouco fantasiosas, contestando os arqueólogos sobretudo as transformações que Evans operou no sítio.

Depois de uma passagem rápida pelo hotel, fomos para Iraklion: passeios a pé, livrarias (uma frustração, livros tão belos e dos quais não percebo uma única palavra), mais souvenirs, e almoço no Loukoulos, que, segundo o meu guia, é uma dos melhores restaurantes da cidade. Comi uma salada de frutos do mar, porque o calor é tanto que ao almoço só me apetece comer saladas. O restaurante tem um ambiente simples mas, como se dizia antigamente, selecto. Uma sala interior muito bem decorada, e um pátio irresistível. O guia aconselhava a comer cá fora, ‘under the lemon tree’, e quando olhei para cima reparei que a nossa mesa ficava exactamente debaixo do imponente limoeiro.

Muito do tempo hoje em Iraklion foi passado nas esplanadas em volta da Plateia Venizelou, a gozar o movimento da terra, a ouvir o tom entusiástico das conversas dos velhotes (sim, só a ouvir, sem perceber nada) nas mesas em volta, enquanto rodavam nos dedos as contas do ‘komboloi’.
Por volta do meio-dia as esplanadas estão a abarrotar, nas mesas sobretudo cafés curtos, frappés, e pratinhos com pedaços de pepino, melancia, azeitonas, queijo feta, e um tipo de pão ou biscoito. Quando saímos do restaurante e regressámos à esplanada, estava deserta, só com os ocasionais turistas, como nós.

Ao fim da tarde voltámos ao hotel e fomos para a praia de Ammoudara. Estava quase vazia, fresca e agradável, com o sol a pôr-se na lateral. Tomei um banho imenso, a flutuar, que é das coisas que mais gosto de fazer no mar.
Houve uma altura, ao longo do dia, em que desejei que este fosse já o último dia, que o regresso fosse já amanhã, a deriva por Iraklion tinha já ar de despedida. Mas o final da tarde na praia fez-me ficar contente por amanhã haver mais!








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