miguel (innersmile) wrote,
miguel
innersmile

creta.4

25.8.07
Dia passado a conhecer o lado ocidental da ilha, e duas das suas principais cidades, Rethymno e Hania.
Na primeira visitámos a fortaleza veneziana, o forte e a loggia, e depois perdemos um tempo imenso com as compras do P. Acabámos por sair da cidade já perto das três da tarde, e ainda fomos a Hania (mais ou menos 80 km de Iraklion até Rethymno e mais cerca de 60 até Hania). Tempo apenas para visitar a zona do porto (com um farol veneziano e uma mesquita) e os bairros turco e veneziano, sobretudo este. Achei a cidade muito bonita, com ruas estreitíssimas, uma arquitectura fabulosa. Estes bairros estão muito aproveitados turisticamente, e ainda bem, porque de certo modo o negócio das lojas e dos restaurantes para turistas são a caução de que as casas velhas, com pátios descobertos a servirem de esplanadas, não vão abaixo. Mas faz um pouco de impressão ver as varandas de ferro e os pórticos de pedra, impressionantes de tão belos, ali a servirem de adorno de casa de pasto.

Já no regresso parámos numa zona de praias de areal comprido, perto da estrada, para um banhinho de final de tarde. A temperatura da água estava excelente, mas o mar estava batido e como não conheço bem este mar e esta praia não mergulhei, fiquei só na arrebentação a molhar as pernas e a barriga. Depois vim secar para o bar da praia, claro, a beber um café frappé. Conferi as mensagens do telemóvel e tinha uma mensagem da minha mãe com a notícia de que morreu o Eduardo Prado Coelho. Fiquei muito triste e compreendo que a minha mãe me tenha mandado a mensagem, pois partilhávamos ambos uma grande admiração pelo EPC, sobretudo pelas crónicas do Público, que líamos sempre e comentávamos frequentemente.
Mas devo dizer que houve ali uma mistura interessante entre a beleza do local e a tristeza da notícia, que deu ao momento uma nota de doce melancolia, que penso agradaria ao EPC.

Os trezentos quilómetros da viagem foram feitos pela Estrada Nacional, que liga a ilha de uma ponta à outra. É uma estrada muito bonita, sempre próxima da costa, serpenteando pelas encostas dos montes. Normalmente só tem uma faixa para cada lado, e tem trechos perigosos, com curvas de inclinação muito manhosa, em que sentimos o carro a fugir. Mas seja em recta ou em curva, respeita-se pouco o traço contínuo, e os motoristas afastam-se para a berma para dar ultrapassagem, ou para dar passagem aos que vêm, de frente, a ultrapassar. A princípio estranhei, mas depois de me habituar comecei a fazer o mesmo. Conclusão: passei hoje mais traços contínuos do que em todos os meus 21 anos de condutor encartado.

Tem-me acontecido uma coisa que detesto que me aconteça em férias, que é sentir vontade de estar em casa. Mas o melhor momento do dia de hoje, que já valeu estas férias, foi a ida à praia ao final da tarde. Sobretudo porque a praia estava praticamente deserta (nem meia dúzia de pessoas no bar da praia), já não estava muito calor. Pela primeira vez desde que aqui estou, senti-me a viver um momento irrepetível.
Eu ia escrever que foi a primeira vez que senti a intensidade dos poemas 'gregos' da Sophia de Mello Breyner, mas é mentira, porque isso sinto sempre que olho o mar. É tão especial. Não é só a cor, tem qualquer coisa de metálico e assustador, mas igualmente aconchegante e sensual.
Acho que são três as coisas que definem Creta: o sol inclemente, montanhas assustadoramente primordiais, e um mar que se espalha liso e azul em redor, tão afagadora e insuportavelmente azul. Um mar que tem em si escrito o destino da primeira aventura.









Tags: viagem
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