?

Log in

No account? Create an account

Previous Entry Share Next Entry
moz07.2
rosas
innersmile
31.3.07, 19:30

Intacto o sortilégio desta cidade. Intacta a minha sensação de conforto e segurança.
Alguns companheiros de viagem impressionam-se com a miséria, com o caos. A mim, tudo me parece familiar. A pobreza entristece-me, mas não me impressiona. Mesmo quando olho para a confusão do caniço, há uma energia, um bulício, que me desperta qualquer coisa de lúdico.
...
Depois de deixarmos as malas no hotel, fomos almoçar ao Piri-piri. A seguir fui à embaixada levar uma encomenda, e fui à livraria que há no Polana Shopping Center. Comprei uma resma de livros, poesia e ensaio literário. A livraria que havia na rua por detrás do Polana SC (Europa-América?) desapareceu. Depois fui com um grupo mais pequeno para a esplanada do Hotel Polana, beber sodas.
...
A cidade parece-me igual. A zona 'branca' talvez um pouco mais cuidada, o resto talvez um pouco mais degradado, mas quase na mesma
...
É incrível (e dá-me muito gozo) como já há tanta coisa da cidade que eu já conheço. Aqui à frente, a seguir a esse cruzamento, é a casa que era da Avó, mais à frente o prédio onde moravam as tias, a central de camionagem, a padaria dos gregos.
É a cidade, a cidade, que tem de estar sempre no centro de tudo. Esta cidade é especial. Há pouco conversava com o meu companheiro de quarto chamando-lhe a atenção para o facto de a cidade se apresentar como um palimpsesto, um pergaminho, uma tela onde podemos ler as várias camadas por que tem passado a cidade. É uma cidade que conta a sua própria história, que tem a sua história inscrita, visível e legível, nas ruas e nas avenidas, nos prédios e nas casas.
E depois tem aquele varrimento (não sei que metáfora usar) de energia das cidades africanas, um vento, provocado pelo movimento incessante de milhares de pessoas, dos carros, dos chapas apinhados que espalham a confusão nos cruzamentos e junto aos passeios. Um vaivém constante. O negócio sempre a cada esquina, os meticais que trocam constantemente de mãos, são notas gastas, usadas. Há um pulsar, uma vibração, uma onda.
...







Tags:


  • 1
Eu gopsto muito da palavra "sortilégio".

Eu gosto muito da palavra "sortilégio".

a própria palavra tem sortilégio eheh

Esses sortilégios são puras pulsões de vida.
O que eu conheço de Lourenço Marques, antes da descolonização, é o que realta o livro do Guilherme Melo. Podias indicar-me mais alguns, sff?

especificamente sobre a LM colonial conheço pouco. o Francisco José Viegas tem um livro intitulado precisamente Lourenço Marques (na Asa), por onde perpassa a cidade colonial. Há uma antologia organizada pelo Nelson Saúte, As Mãos dos Pretos (Dom Quixote) onde também transparece LM. Em ficção não conheço mais, especificamente sobre o período colonial. mas a poesia do Knopfli é um excelente in sight para o que era a sociedade colonial lourenço marquina.

Como gostaria de ver com os teus olhos.
Gostas mesmo desta cidade.
L.
fazendocaminho

gosto mesmo, L. mas tenho consciência de que é um gostar facilitado, a distância suaviza

"sabura é lá na nós terra"
é bom te ler nestas descrições.
é doce te ver nas imagens de maputo.
só me apetece dizer: "moçambique moçambique
nossa terra bendita...
... desde o rovuma ao maputo...

já dissemos isso algumas vezes. sem contar as vezes que cantámos o ti ende pa mozi. e eu estava em Maputo no 7 de Abril, por isso também cantei 'com alegria o 7 de Abril, o dia consagrado à mulher moçambicana'

  • 1