miguel (innersmile) wrote,
miguel
innersmile

olé

Suponho que na agenda bloguística hoje seja dia de falar do resultado do concurso que a rtp organizou para escolher o melhor (ou o maior, não sei bem) português de sempre, e cujo vencedor, por voto popular, foi o Salazar.
Não vi as anteriores edições do programa, mas sabia que se estava a desenrolar, como é óbvio, mas ontem percebi que era a final do concurso e fiquei a ver.
Convenhamos que não é grande proeza considerar o melhor português de sempre um tipo que era anti-desenvolvimentista, que queria os portugueses pobres e analfabetos para não fazerem ondas, que tinha medo da coca-cola e de outras modernices americanas, que impediu o desenvolvimento económico do país porque sabia que a criação da classe média era fatal para os seus planos. Claro que estamos a falar de um concurso televisivo, de apuramento de resultados por mera adição de telefonemas ou cliques na Internet, e não de uma sondagem feita com rigor científico. Por isso este resultado vale o que vale, não é perigoso como, por exemplo, o facto de as claques de futebol estarem controladas por neo-nazis.
Mas se não é perigoso, é, pelo menos um bocado embaraçoso (como catrapiscar revistas pornográficas na prateleira de cinema das lojas de revista, aquelas coisas que não queremos que ninguém nos veja fazer) pertencer a um país que escolhe um concurso de televisão que deveria ser uma forma alegre de celebrar a nossa história e a nossa cultura, para ajustar contas mal saldadas, para castigar políticos, para, enfim, deixar vir ao de cima a acrimónia dos mau-perdedores.
Parafraseando o Almada, se isto é que é o melhor português, eu quero ser espanhol. Olé!
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