miguel (innersmile) wrote,
miguel
innersmile

flag raising

Foi um momento especial.
Normalmente, no fim do filme, mal começa a passar o genérico, acendem-se tenuemente as luzes da sala e as pessoas levantam-se de imediato e começam a sair da sala. Confesso que já fui mais espectador de genéricos finais do que sou actualmente. Agora só fico até ao final quando estou ainda meio enlevado no filme e quero prolongar a coisa até ao limite possível. E quando isso acontece, normalmente fico sozinho na sala, muitas vezes a partilhar o espaço com as senhoras que vão fazer a limpeza entre sessões.
Mas ontem foi diferente. Mal começou a passar o genérico as pessoas levantaram-se. Houve meia dúzia delas que saíram logo da sala. Mas parece que houve ali qualquer coisa que de forma inesperada tenha agarrado a atenção das pessoas. Talvez a música, composta pelo próprio Clint Eastwood. Talvez a curiosidade, motivada pelas fotografias dos verdadeiros protagonistas da batalha de Iwo Jima, que passavam com o nome dos seus intérpretes no filme. Ao longo de todo o genérico foram passando fotos de época. E a música, irresistível, hipnótica, de Eastwood.
Ou talvez tenha sido o próprio confronto dos espectadores com as suas próprias emoções, que os tenha retido. A necessidade de permanecerem mais um pouco em contacto com a pele macia e morna (como a pele da face depois do choro) dos seus próprios sentimentos.
Eu estava sentado no alto, numa das últimas filas. E fiquei também sentado, assombrado com o inusitado da situação: a sala em penumbra, as pessoas como que suspensas, em paralítico, nos gestos de vestir os agasalhos ou descer a escadaria, paradas, olhos fixos no ecrã.
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