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liza & aznavour

Na quinta-feira da semana passada, dia 14, encomendei um dvd na loja inglesa da Amazon. No dia seguinte recebi um e-mail a dizer que a minha encomenda tinha sido despachada e que deveria chegar entre o dia 19, que é amanhã, e o dia 28; na página da minha conta no site da Amazon havia, além da informação de que a encomenda tinha sido despachada, um anúncio a dizer que ela não chegaria antes do dia de Natal. Hoje, quando cheguei a casa ao fim da tarde, lá estava a minha encomendazinha à minha espera.

Já escrevi aqui no innersmile que gosto muito da Liza Minnelli. Lembro-me de escrever sobre ela, pelo menos, quando comprei a versão reload do disco que ela gravou com os Pet Shop Boys há uns aninhos valentes. Tanto quanto me lembro, apaixonei-me pela LM quando vi pela primeira vez o filme de Bob Fosse, Cabaret. Que continua a ser um dos meus filmes preferidos. Amor reforçado quando ela fez, com Robert de Niro, o New York New York, do Martin Scorsese. O facto de ela ser filha da Judy Garland e do Vincent Minnelli ajuda muito, porque de certa forma transforma-la num símbolo, mais do que num ícone, de uma certa concepção do music-hall feito na Broadway.

Em 1972 Bob Fosse ganhou prémios em todas as categorias do show bizz norte-americano: no cinema, ganhou Oscars com Cabaret; no teatro, ganhou Tony’s, não estou recordado com que peça; e conseguiu ainda arrecadar quatro Emmy’s, para televisão, com Liza with a Z: A Concert for Television, um espectáculo musical com Liza Minnelli, música da dupla John Kander e Fred Ebb (os autores da música de todas as principais peças de Fosse), e direcção e coreografia de Bob Fosse.
Esta gravação lendária esteve desaparecida durante uns bons anos e foi finalmente reeditada (restored, remastered… and remarkable, como se diz na capa). Para além de cinquenta minutos do concerto, tem ainda vários extras. Só pela extraordinária performance do clássico Bye-Bye Blackbird valeria a pena comprar o dvd.
Era este o dvd que estava à minha espera na caixa do correio. Mas o dia de hoje foi especial e há outra história que se vem encontrar com esta.

Aqui há uns meses o Saint-Clair pôs no Opiário um link para o Youtube.com, para uma gravação de Charles Aznavour a cantar a canção de sua autoria, Comme Ils Disent. Eu não conhecia a canção e foi coup-de-foudre à primeira audição. Tocou-me tanto, que ainda hoje, muitas audições depois, fico sempre arrepiado e comovido. Com efeito, fico mesmo com vontade de chorar. Há qualquer coisa na história que a canção conta que me faz derreter por dentro. Seria fácil dizer que é porque a canção é sobre um homossexual (uma bichinha que faz travesti, o que não é bem o meu estilo, mas pronto), mas, sendo por isso, é muito mais profundo e intenso do que apenas isso. Mas não estamos propriamente no divã do psicanalista e passemos adiante.

Na sexta-feira andava na Fnac a fazer compras de Natal e passei os dedos pela secção da música francesa. Saquei uma antologia do Charles Aznavour, conferi se tinha a canção, pu-la a tocar só para matar saudades, e claro que saí da loja com o cd, que tenho estado a ouvir no carro, non stop, desde então. Em Lisboa, no fim-de-semana, tentei mostrar a uma amiga minha o clip do Youtube, mas aparece a informação a dizer que já não está on-line.

Hoje à hora do almoço, de novo na Fnac, andava desesperadamente à procura de dvds musicais decentes para completar umas prendas que ainda me faltavam e eis senão quando topo com uma preciosidade, uma gravação de um concerto, de 1991, de Charles Aznavour, com a Liza Minnelli! Ainda por cima tinha a Comme Ils Disent, cantada pelo Aznavour! Custou-me uma pipa de massa mas é óbvio que o comprei, a pensar que sempre tinha tempo para curtir devagar o dvd até chegar a encomenda da Amazon com o outro dvd da Liza.

Mas como isto está tudo ainda mais ligado do que o costume, entre os extras do dvd do Liza With a Z, há um clip dela a receber um prémio numa gala qualquer no ano passado, da Glaad, que é uma das principais organizações americanas ligadas à defesa dos direitos dos gays e lésbicas. A Liza Minnelli lá faz o discurso da praxe, e depois chama um pianista para a acompanhar numa canção, que é, nem mais nem menos, do que uma versão inglesa do Comme Ils Disent, que se chama What Makes a Man a Man.

Como se pode imaginar, passei o serão a ver os meus dvds novos. E a confirmar que a felicidade é breve e ilusória como uma canção. Mas quando a canção é mesmo boa, então a ilusão da felicidade é quase real.  

Tags: música
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