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(no subject)
rosas
innersmile
Em Singapura.
A primeira impressao e que entre esta cidade e a que aparece nas cancoes do Tom Waits nao ha qualquer relacao. Tudo e limpo, arrumado, ordenado. Um amigo de KL diz que Singapura 'is a fine place', porque se paga 'fines' por tudo e por nada. A pastilha elastica e proibida. Paga-se fine por atravessar a rua fora da passadeira. E por deitar papeis para o chao. E por nao descarregar o autoclismo!
A viagem de KL para aqui foi num comboio noturno, em beliches alinhados ao longo de uma carruagem. Calhou-me um dos beliches de cima. Claro que dormi pouquissimo, mas valeu, e muito, pelo ineditismo da experiencia. Thank god pelo mp3, que tem sido uma companhia inestimavel nas inumeras horas de nao fazer nada.
So tenho 10 minutos de net (com slot para moedas de 1 dolar), por isso...


edit: percebo, pela leitura rapida da friends page, que morreu o Mario Cesariny. Que noticia tao triste. O que vale e que "em todas as ruas te encontro". Mesmo, ou sobretudo, nestas ruas tao distantes, e que um dia ja foram percorridas pelos marinheiros do poema.


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deve ser um sitio muito estranho para um portugues :|

O tempo por aqui tem estado péssimo, cheias por todo o lado, o que me vale é ler os teus post e ir viajando contigo:)
O Mário Cesariny morreu, no entanto encontramo-nos com ele cada vez que lemos um poema dele.


O jovem mágico

O jovem mágico das mãos de ouro que a remar não se cansa muito e olha muito depressa (como se fosse de moto) veio hoje ficar a minha casa
Vivia longe longe já se sabia
tão longe que era absurdo querer determinar
metade campo metade luz
aí era a sua casa o sítio onde era longe

mesmo de olhos fechados (como ele estava)
e de braços cruzados (como parecia dormir)
o jovem mágico das mãos de ouro
que era todo de empréstimo à minha noite

que falou por acaso que nem se chamava assim
(segundo também contou) tinha vivido há muito
ele, que estava ali, era um falsário
um fugido de outro basta ver os meus olhos

nada sabemos de nós a não ser que chegamos
sem uma luz a esconder-nos o rosto
belos e apavorados de estranhos casacos vestidos
altos de meter medo às aves de longo curso

nem há noites assim não há encontros
ao longo das enseadas
não há corpos amantes não há luzeiros de astros
sob tanto silêncio tão duradoura treva

e não me fales nunca eu sou surdo eu não te oiço
eu vou nascer feliz numa cidade futura
eu sei atravessar as fronteiras das coisas
olha para as minhas mãos que te pareço agora?

No entanto surgiu como simples criança
conseguia sorrir sentar-se verter águas
com as maõs na cintura livre natural
ele que era um fantasma um fugido de outro

um que nem mesmo se chamava assim
o jovem mágico nu de todos os sítios da Terra

- Mário Cesariny -

Estou adorando suas viagens! Quer dizer, o relato delas.

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