?

Log in

No account? Create an account

Previous Entry Share Next Entry
(no subject)
rosas
innersmile
«Encostei-me para trás na cadeira do convés e fechei os olhos,
E o meu destino apareceu-me na alma como um precipício.
A minha vida passada misturou-se-me com a futura,
E houve no meio um ruído do salão de fumo,
Onde, aos meus ouvidos, acabara a partida de xadrez.

Ah, balouçado
Na sensação das ondas,
Ah, embalado
Na ideia tão confortável de hoje ainda não ser amanhã,
De pelo menos neste momento não ter responsabilidades nenhumas,
De não ter personalidade propriamente, mas sentir-me ali,
Em cima da cadeira como um livro que a sueca ali deixasse.

Ah, afundado
Num torpor de imaginação, sem dúvida um pouco sono,
Irrequieto tão sossegadamente,
Tão análogo de repente à criança
Quando brincava na quinta e não sabia álgebra,
Nem as outras álgebras com x e y’s de sentimento.

Ah, todo eu anseio
Por esse momento sem importância nenhuma
Na minha vida,
Ah, todo eu anseio por esse momento, como por outros análogos
Aqueles momentos em que não tive importância nenhuma,
Aqueles em que compreendi todo o vácuo da existência sem inteligência para o compreender
E havia luar e mar e a solidão, ó Álvaro.»


- Álvaro de Campos


  • 1
Meu querido, sei que não tem nada a ver com o post, mas você já deu uma olhada nessa entrevista?

http://antonioloboantunes.no.sapo.pt/entrevista/RTP261006.htm

São 40 minutos de vídeo, mas imperdíveis. Confesso que, devido ao sotaque, não entendi algumas coisas (preciso revê-la), mas adorei cada segundo. Adoro esse homem!

Já foste? - então deixo o link para o regresso:
http://chuinga4.blogs.sapo.pt/74742.html

Excelente Viagem, IO.

  • 1