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the departed
rosas
innersmile
Ok, posso começar por me declarar culpado: eu adoro os filmes do Martin Scorsese, adoro aquela maneira de filmar muito operática, adoro a energia com que cada plano, cada sequência, estão carregados, adoro os diálogos, que são sempre muito bem escritos, sempre com grande sentido de economia e progressão. E este The Departed está carregadinho disso tudo, é um Scorsese dos grandes, um filme que se vai estendendo e desenvolvendo à nossa frente, sempre focado em dois aspectos fundamentais: as personagens e o conflito, e o modo como se vai construindo sempre em volta destes dois pólos é perfeito.
Para além de tudo o mais, The Departed é um absoluto espectáculo de interpretação: nunca vimos DiCaprio como neste filme; ele, Matt Damon e Mark Whalberg provam aqui que são muito mais do que estrelas de cinema, são verdadeiros actores, daqueles que carregam consigo todo o peso e todo o sentido de um filme. Jack Nicholson é, sempre, igual a si próprio – não é que seja uma participação menor, mas rodeado de tão boas interpretações, brilha menos do que o habitual. Ainda que seja sempre a sua personagem a polarizar a maldade do filme, como a personagem de DiCaprio é aquela que focaliza todas as nossas emoções, e a de Matt Damon é a que mais perturba por ser aquela que de certa forma corporiza a possibilidade do conflito e da vitória da imoralidade, do mal sobre o bem.
Mas perdi-me, porque queria ainda falar de dois outros actores que têm participações fabulosas: o Alec Baldwin, e sobretudo o Martin Sheen, que, enquanto está em cena, funciona como uma espécie de nosso garante de que tudo vai acabar bem. Não acaba, claro, mas isso é outra história, a do filme.
O filme é cru, com uma linguagem forte, e uma violência que, sendo sempre encenada, não deixa por vezes de ser arrepiante. Talvez mesmo quando é, apesar de tudo, mais subtil e menos gráfica (estou-me a lembrar, por exemplo, da cena da mão).
Scorsese é um virtuoso, já se sabe, mas o que o torna num grande cineasta é como essa virtuosidade está sempre ao serviço de qualquer coisa, nomeadamente da busca de respostas para essa perplexidade de tentar perceber porque é que a imensa fragilidade do homem se expressa sempre através da crueldade mais brutal. É um dos raros filmes de Scorsese em que a redenção não está dentro da própria personagem, mas é antes servida sob a forma de um seco e implacável ajuste de contas.
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vi esse filme na semana passada
é bestial

concordo com o que dizes sobre o dicaprio
não vou muito à bola com ele... mas já tinha achado piada no "catch me if you can" e noutro também do scorsese... "gangs of new yourk"
se bem que voto neste para melhor interpretação do mesmo

e filme é bestial
empolgante... cru como tu dizes e muito bem
deixa um gajo pregado à cadeira e sai-se abananado da sala

vale o dinheiro do bilhete

o que de mais sublime achei na história foi as duas personagens de Dicaprio e Damon, em comparação e por oposição. o modo como as suas histórias pessoais, sobretudo as suas relações familiares, os "conduzem" a uma certa realidade e e a uma determinada identidade (aliás, a frase de Billy Costigan "I just want my identity back" resume bem o assunto central do filme)
O resto é genialidade de Scorsese num filme inteligentíssimo e a excelente interpretação dos actores. (o DiCaprio está a mesmo a crescer...) :D

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