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antónio rosado

Recital de piano de António Rosado, hoje, ao fim da tarde, no Gil Vicente. O recital anunciava-se no âmbito de um congresso de nome obtuso (O Artista como Intelectual. No Centenário de Fernando Lopes-Graça), mas mais obtuso era o facto de o auditório do TAGV estar literalmente às moscas. Tanto, que se tornava quase embaraçoso, apetecia pedir desculpa ao pianista por aquele deserto frio e vazio que se estendia à sua frente.
E que pena! Rosado é um pianista excepcional, dos melhores que eu tenho visto, e, dos portugueses, já vi alguns. Um enorme sentido do piano e uma extraordinária musicalidade, fazem do recital de Rosado uma experiência quase arrepiante. Não se sente qualquer tipo de oposição entre o instrumento e o executante, mas também não é exactamente uma questão de simbiose, é mesmo um domínio muito grande. Só para dar um exemplo, com Pedro Burmester temos um pouco a sensação de que o pianista arranca a peça do piano, há como que um desafio. Com Rosado é como se a música estivesse a nascer ali, a brotar nesse mesmo momento do seu pianismo. Enfim, falta-me linguagem, falta-me oficina para falar, e para saber do que estou a falar, mas há coisas no palácio que maravilham o olhar (no caso, o ouvido) de qualquer bovino!
Só mencionar que foram tocadas obras de Fernando Lopes Graça, Alban Berg e Zoltán Kodály. Infelizmente o programa não menciona que obras e a minha ignorância é atroz e irritante.
Tags: concertos
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