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méxico, frida + breakfast on pluto

De regresso.
Pela primeira vez, experimentei essa invenção do mundo moderno que são os resorts! Dois dias à chegada e mais dois dias à partida a gozar a modorra do 'tudo incluso'! Não será exactamente o mais excitante (tanto relax faz-me stress), mas um tipo pode habituar-se àquela vida de águas cálidas, areia dourada, espreguiçadeira e margaritas, ó sim, muitas margaritas.
Entre chegar e partir, andei a passear pelo Yucatán a ver sites arqueológicos mayas: Tulum, Coba, Chichen Itza, Uxmal e Kabah. Achei muito interessante, mas tenho de confessar que não me abalou como tinha abalado a visita ao Egipto. Perante as marcas da civilização dos faraós, um tipo sente-se esmagado pela dimensão sobre-humana daquilo, pela nossa incapacidade em compreender a mão humana que sonhou e criou tudo aquilo. Talvez o problema (ok, chamar-lhe 'o problema' é uma maneira de dizer) seja que estes santuários Mayas sejam demasiado humanos, cheiram a vida e a medo, enquanto os templos egípcios cheiravam antes a morte e a eternidade. Mas provavelmente esta minha frieza seja só fruto da minha ignorância e falta de sensibilidade.
Ainda passei um dia e uma noite na capital do estado, Merida. Aqui sim, apaixonei-me pela cidade mal nela entrei, achei-a uma cidade linda, espraiada, desenhada a esquadria, de intermináveis calles ladeadas de acácias (sim, rubras também). Say no more, eu acho que tenho um fraquinho (um fracão, mais exactamente) por cidades coloniais, essas cidades que deixam à mostra as suas feridas históricas e as lambem languidamente à torreira do sol dos trópicos. Há nas cidades coloniais um sabor a 'infinito enquanto dure', para roubar as palavras de Vinícius, uma intensidade que não tem consciência de quão frágil e efémera na realidade é, e de, como no final de As Visitas do Dr. Valdez, de João Paulo Borges Coelho, os coqueirais ou a selva estão sempre à espreita da oportunidade para invadir as ruas e as casas. Percebes agora, ó improvável leitor, porque é gostei tanto de Merida? Exactamente, porque me desnudou e me pôs a falar de mim.

Notas para referência futura: dois cd's de Lila Downs, um livro com a obra completa de Sor Juana Inêz de la Cruz, uma máscara índia que troquei por um relógio, um capuccino na esplanada à sombra das acácias numa praça de uma cidade colonial, um lodge no meio da selva onde se acorda antes do sol nascer com o canto exuberante dos pássaros, a simpatia e a cor da pele das pessoas, em especial dos homens. Estar sozinho numa praia imaginária na última hora da noite e na primeira da manhã…


A caminho do México, tropecei na capital para ir ver: a exposição A Vida e a Obra de Frida Khalo, no CCB, que acho que vale sobretudo como conceito e como aproximação à obra de Frida, já que não satisfaz inteiramente no que toca ao conjunto das obras apresentadas – sabem a muito pouco; o filme Breakfast on Pluto, do Neil Jordan, e que, infelizmente, é tão bem intencionado como pouco eficaz, arrastando-se, por vezes de forma penosa, através de uma incontrolável vontade de acumular a personagem principal (fabuloso desempenho de Cillian Murphy) de um sempre perigoso e quase sempre condenado ao fracasso estatuto de santidade.
Tags: caro diario, cinema, exposições, viagem
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