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the libertine
rosas
innersmile
Ir ao cinema é sempre uma aventura, sobretudo quando sabemos pouco acerca do filme que vamos ver. Já tenho tido muito boas surpresas, verdadeiras revelações com filmes que fui ver por puro palpite. Outras vezes o palpite dá para o torto. Foi o que aconteceu com The Libertine, a primeira obra de Laurence Dunmore, sobre John Wilmot, poeta inglês do século XVII, Earl de Rochester. O filme é uma adaptação de uma peça de teatro de Stephen Jeffreys, feita pelo próprio dramaturgo, e foca sobretudo a relação de Wimot com o rei Carlos II e a paixão que teve por uma actriz de teatro, factos que, juntamente com a propensão de Wilmot para a bebida e o deboche, lhe marcariam a vida e a morte.
Infelizmente, o filme falha naquilo que seria essencial, apresentar a vida de Wilmot sob o signo da perigosidade, para os outros, para os poderes instituídos e para si próprio. Afinal de contas, o filme pretende que Wilmot era um libertino, alguém que, mais do viver fora da moral vigente, desafiava essa moral, alguém que se afirmava ateísta num estado que era, como é ainda hoje, religioso, alguém que aproveitava os favores do rei para o pôr a ridículo em peças de teor pornográfico. O filme não consegue transmitir tensão ou sentido do perigo; na verdade, e depois do interesse inicial quando tentamos perceber a história, o filme torna-se maçador, no sentido mais bocejante do termo. Safam-se os diálogos que, suponho eu porque não conhecia a peça, guardam alguma da vivacidade do teatro.
O Johnny Depp bem que se esfalfa para dar estofo ao personagem, mas nunca consegue, digo eu claro, despertar o mínimo de emoção. Gostei de ver a Samatha Morton, mas isso é porque gosto sempre de a ver, acho que é das presenças mais doces do cinema actual. Quanto ao John Malkovitch, que co-produz o filme, não surpreende e limita-se a dar mais do mesmo a que estamos habituados.
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Acerca de obras intítuladas "libertinas" só me lembro de uma que li há já alguns anos de Colette, "L'ingénue Libertine" e que não sei se conheces. É sobre uma jovem que tenta conhecer a paixão da libertinagem de todas as formas, embora seja uma ingénua, vive mundos de devassidão e crime. Sem nunca satisfazer a sua ânsia de sentir-se mulher em toda a plenitude sexual. Encontra-la-á onde sempre esteve, na amizade e num amor dum homem que sempre a amou desde a
infância.

o único libertino que conheci foi o Luiz Pacheco, e apenas quando passeou o seu Esplendor por Braga, a Idolátrica ;)

Mas quem é o Luís Pacheco? lol
Eu conheci alguns libertinos, mas eram daqueles de trazer por casa. :D
estive dois messes seguidos em Braga, adorei a cidade, principalmente a parte histórica e a Av. principal que creio chamar-se Avª da Liberdade.
A parte má, foi o "alojamento"; talvez a pior experiência da minha vida em termos "clínicos".

tinha um certa expectativa em relação a este filme. tive o prazer de ter aulas com o stephen jeffreys, mas a tua crítica faz-me agora crer que ele se calhar é melhor pedagogo do que argumentista.. tenho de tirar teimas, depois te direi o que achei.*

aguardo ansioso a tua opinião, às tantas fui eu que tresli o filme.

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