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vitorino

Um concerto feliz, a abrir as hostilidades do ano. O Ateneu de Coimbra comemorou mais um aniversário (o 65º), e desta vez trouxe o Vitorino, que trouxe, como convidado o Sérgio Godinho (o ano passado o Sérgio foi o convidado, num concerto que eu falhei porque adoeci, apesar de ter bilhete!). Acho que nunca tinha visto o Vitorino ao vivo e gostei da atitude dele, da maneira como ele ocupa o palco, daquele personagem quase de banda desenhada que resulta, não de pose, mas de uma certa maneira de estar na vida que ele cultiva. E depois há as canções, lindíssimas, aquelas que a gente sabe e que ele cantou, se não todas, muitas delas. Claro que todas as pessoas têm a ‘sua’ canção do Vitorino, como têm a ‘sua’ canção do Sérgio, e eu tive sorte porque ele cantou a minha canção, que é a Tragédia da Rua das Gáveas (também gosto muito do Bolero do Coronel Sensível, sobretudo do «eu que me comovo por tudo e por nada», uma letra fantástica do António Lobo Antunes). Para além das canções do Vitorino, dois momentos especiais: uma homenagem ao José Afonso, com canções suas, entre elas uma versão muito entusiasmante do clássico A Morte Saiu à Rua, e, claro, a participação do Sérgio Godinho, que veio sobretudo trazer uma óptima versão da Fotos do Fogo.
Especial destaque para os músicos, começando pelo Ricardo Dias que é um pianista fantástico: o modo entusiasmado como ele ataca as canções, quase como se as estivesse a descobrir pela primeira vez, mas ao mesmo tempo tem aquela desenvoltura do jazz, de quem conhece o tema tão bem que nunca precisa de seguir certinho a melodia e pode andar para ali a brincar, um luxo este tipo. Ainda o Tomás Pimentel , nos sopros, o Sérgio Costa, dos Belle Chase e do Quinteto Tati, em piano e flauta, Paulo Jorge, no baixo, Carlos Salomé, na guitarra, e Rui Alves, na bateria.

TRAGÉDIA DA RUA DAS GÁVEAS

De rosa ao peito
Sobe a rua airoso
Com a cruz ao pescoço
Que a Rosinha lhe ofereceu
Contra o enguiço
De voltas mal dadas
Vermelhinha, às tantas
Vai parar ao invejoso…
Bate um fadinho
Na rua dos Mouros
Mas silêncio é ouro
Quando a autoridade aperta

Rua das Gáveas vai
(passo apressado)
Bom dia alegre dá
Pra todo o lado

Rosinha amante
Ai se não te encontro
Desta vez não busco
Os beijos de outra mulher

Sinto os teus passos
A fugir ao canto
Teu coração travo
A tiro de revólver
Tags: citações, concertos
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