miguel (innersmile) wrote,
miguel
innersmile

Muitas vezes a genialidade é apresentada como uma coisa excêntrica e extravagante. Os génios querem-se tipos muito despassarados, sem sentido prático, totalmente dessintonizados do mundo que os rodeia já que passam o tempo com a cabeça enfiada nas altas nuvens a sua genialidade.
Ontem à noite, a rtp2 passou uma entrevista da Ana Sousa Dias a um génio. Estranhamente, esse génio falou de coisas simples e importantes, como a cultura e a agricultura. Falou da importância de conhecer a cultura de um povo, e que só se pode verdadeiramente conhecê-la e divulgá-la se ela nos der prazer. Falou da importância da nossa terra, da terra de onde vimos ou onde escolhemos viver, e de como temos uma obrigação de a defender e a desenvolver. Falou da importância dos rios, das zonas férteis, das culturas, agora no sentido das coisas que se cultivam na terra. Falou também dos espíritos, de como importa percebê-los para poder perceber o mundo à nossa volta. Falou também da sua primeira guitarra, e de quanto ela custou.
Quando a entrevistadora, antecipando porventura uma resposta mais ‘floreada’, lhe perguntou o que ele sente quando está a actuar num palco internacional, respondeu que sente que está a mostrar a sua cultura ao público. Que Ali Farka Touré era um génio, já o sabíamos da música e dos discos. Descobrimos agora que é um génio dos da melhor espécie, aqueles que sabem que devem o seu génio aos outros e ao mundo que os rodeia.
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