miguel (innersmile) wrote,
miguel
innersmile

para a Isabella


Tenho de deixar na praia o nome
com que te escrevo.
Procuro um inventário de rostos,
como se não existissem,
e vou largando, folha
a folha,
os ossos brancos de um livro.

Há momentos em que
a areia branca, as
ondas que chegam,
a promessa fértil das águas e
de toda a terra que elas procuram,
fazem um sentido que desconheço.
Lembro-me das histórias, sim,
mas a minha memória não tem
uma latitude.

Dou-te um nome,
o primeiro,
escolho-te porque me pareces
as asas esquecidas de um passarinho.
Volto-me devagar,
passo pela tua história, percorro com
os dedos trementes
o sal desses dias onde para sempre
o sol se pôs.

Abraço-te, restinga.
Olho-te uma última vez
(sem sentido; como
se não houvesse voz
como se não houvesse mesmo
olhar)
e corro na direcção oposta à das
tuas gargalhadas.

Nesses dias, em que parece
que tenho vontade de chorar,
só me consola a tua ausência.
Que dá nome ao vazio.
Tags: poemas
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