miguel (innersmile) wrote,
miguel
innersmile

mertens

No Sábado fui a Aveiro, assistir, no Teatro Aveirense, ao concerto Un Respiro, de Wim Mertens. Apesar de conhecer a música do WM desde os anos 80 (tenho em cd o Maximizing The Audience, que foi dos primeiros que eu comprei), nos últimos tempos tenho prestado muito pouca atenção. Fiquei muito surpreendido com o concerto. A primeira nota é que o universo musical de WM é muito próprio, muito distinto, mas de uma coerência incrível. Cada peça, enfim, cada canção, parece ser um andamento de uma composição vasta e que se vai construindo à medida que o concerto se desenrola. Fiquei também surpreendido porque achei o WM muito simpático. Tinha lido uma notícia de um dos concertos anteriores desta digressão, em Portugal, e fiquei com a ideia de que ele seria um tipo um pouco frio e distante. Nada disso. Apesar de não abrir a boca, a não ser para cantar e para murmurar uns agradecimentos, achei-o de uma grande simplicidade e entrega, e até uma postura de uma certa timidez, ou, pelo menos, reserva. E a prova foram os sucessivos encores, a responder ao entusiasmo do público.
Mais um óptimo concerto a acrescentar a uma temporada que tem sido das melhores da minha vida em termos de concertos musicais, em que a qualidade tem respondido a uma quantidade não usual.

Já agora uma notazinha para dizer que gostei muito do Teatro Aveirense, que ainda não conhecia, e que foi todo remodelado há menos de meia dúzia de anos. A sala é acolhedora e muito bem restaurada. Os espaços de apoio são modernos e funcionais.



Este fim de semana faleceu o pai de um colega meu de faculdade. Conheci-o quando estive em Londres a fazer tratamento e o senhor, que se deslocou lá em viagem profissional, se ofereceu para levar alguma coisa. O meu pai aproveitou e pediu-lhe para me levar um saco de roupa, porque eu fui para Londres no Inverno e entretanto já era Verão e eu não tinha roupa adequada. Passámos uma tarde juntos, eu, a minha mãe e ele, muito agradável. Isto foi há mais de vinte anos. Durante este tempo, encontrámo-nos algumas vezes no âmbito das nossas respectivas profissões, e ele era sempre muito simpático para mim, sem dúvida devido ao facto de eu e o filho dele sermos colegas e amigos, mas também, sempre estive certo, porque lhe tocou muito a circunstância em que nos conhecemos. Hoje, no velório tive a prova disso, quando o meu amigo me contou que o pai falava muitas vezes desse nosso encontro em Londres, e que contava ao meu amigo, com entusiasmo, sempre que nos encontrávamos. Naturalmente, eu tenho sempre uma ligação muito forte a todas essas pessoas que conheci quando estive doente, e por causa de ter estado doente. A todas essas pessoas que me ajudaram, às vezes apenas porque passaram uma tarde a conversar comigo, numa altura de tanto sofrimento e tanta solidão. Comove-me que essas pessoas se tenham igualmente tocado com isso. E a prova é que mais de vinte anos passados, uma das primeiras coisas que o meu amigo me disse hoje quando cheguei lá à capela, foi recordar que eu e o pai dele nos tinhamos conhecido em Londres, e como o pai sempre vibrava quando me encontrava saudavel e forte.
Tags: caro diario, concertos, londonlondon
Subscribe
  • Post a new comment

    Error

    default userpic
    When you submit the form an invisible reCAPTCHA check will be performed.
    You must follow the Privacy Policy and Google Terms of use.
  • 5 comments