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mamas' talk

Hoje no innersmile vou falar de mamas.
Apesar do acontecimento ter já uns dias está ainda no seio da ordem do dia o seio desnudo da Sophie Morceau no tapete rouge de Cannes. Para mim, a parte mais bonita da festa (o ‘supremo encanto da merenda’, citando o Cesário e já que estamos a falar de seios) foi a Morceau ter corado até à raiz do cabelo, de tal forma que foi visível nas imagens televisivas. Que encanto, uma actriz (valeria o mesmo se fosse um actor, claro), alguém que faz da exposição do corpo a sua principal actividade (ser actor é expor o corpo na esperança de que a alma se torne visível), cora porque, num momento inoportuno, apesar de ser público, apesar de ser nesse lugar para onde convergem mil olhos que é o tapete vermelho, o seio, que já tinha sido visto no ecrã muitas vezes, se ter decidido mostrar à total revelia da vontade. Não houve vergonha, exibicionismo, falso pudor, escândalo. A única coisa que houve foi o rubor das faces. E nesse rubor, ficámos a saber que quem desfilava ali na passarela da Croisette, não era La Morceau, a actriz, mas sim Sophie, a mulher.
O outro seio de que se fala é o de Kylie Minogue, que foi atacado pelo caranguejo maldito. Eu e a Kylie temos uma coisa em comum (ah, pois temos) que foi termos despontado para a pop ao mesmo tempo. Ela era uma actriz de novelas australianas que decidiu começar a cantar, na mesma altura em que eu, que era um empedernido ouvinte de rock’n’roll, decidi começar a ouvir pop pop pop music. ‘I should be so lucky, lucky, lucky lucky’, foi o primeiro single da Kylie (produzido pelo infame trio de pop scientists SAW) e para mim ainda é o que me vem a cabeça quando me lembro dela. Depois dessa canção, a Kylie construiu uma sólida carreira na música pop (um caso raro em que o oximoro faz sentido) em 2+1 factores: ser muito simpática e vestir muito mal. O factor +1 foi cantar dance music e piscar o olho aos gays, o que, como se sabe, é a mesma coisa. De modos que eu adoro a Kylie. Não tenho nenhum disco dela, porque não vem ao caso mas positivamente adoro-a, acho-a linda, simpática, dança bem, veste mal, é discreta quando não é exuberante. Um verdadeiro ícone gay, a que só faltava uma ponta de tragédia para ascender ao supremo patamar ‘Judie Garland’, o que acaba de acontecer. Estou a escrever com humor, mas estou verdadeiramente triste com o facto de a Kylie ter cancro da mama. Reforça toda a minha extrema solidariedade e o meu afecto pelas mulheres que sofrem ou sofreram de cancro da mama. E, eu sei que isto pode soar estupidamente cruel, mas não é: dá-me até um pouco de orgulho em todas as minhas amigas que tiveram cancro da mama e até em algumas que morreram por causa da doença. Vêem minhas queridas, a Kylie, que tenho a certeza se vai curar, é das nossas!
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