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espírito santo da asneira
rosas
innersmile
Na sua coluna no Público, o Miguel Sousa Tavares termina o texto com um post-scriptum sobre a sentença do tribunal açoreano que não aplicou o art.º 175 do Código Penal no chamado ‘caso farfalha’. E, como quase sempre que fala de homossexualidade, o MST espalha-se e diz disparates, alguns deles com particular gravidade. Como o site do Publico agora tem partes de acesso restrito, não vale a pena por o link, mas de qualquer forma, o MST diz uma coisa que é mentira: «tal artigo pune com maior gravidade os actos homossexuais praticados com menor relativamente a actos heterossexuais». Não é verdade, a moldura penal é a mesma, o que muda são os actos constitutivos do crime, que são valorizados diferentemente consoante se trate de actos homossexuais ou heterossexuais. O texto do MST termina com a seguinte pergunta: «o tribunal achará que para um rapaz de dez anos, por exemplo, é igual o trauma de ser abusado por uma mulher ou homem?» Eu diria que a resposta é sim. Mas será que MST considera, então, que o trauma de um rapaz de 10 anos abusado por um homem é maior do que o de uma rapariga de 10 anos abusada por um homem?. Mas a má vontade do MST nesta matéria é tanta, que ele, na precipitação de escrever sobre o assunto, e sem ter tempo para reflectir, nem se lembrou que estamos a falar de actos sexuais com adolescentes, ou seja, com menores entre os 14 e os 16 anos, e só em relação a estes casos o Código Penal regula distintamente a prática de actos homo e heterossexuais. No caso de um menor de 10 anos, a lei não faz, como é óbvio, essa distinção. Porque para a lei, e muito bem, e ao contrário da opinião do MST, um abuso sexual praticado a uma criança de 10 anos, seja por um homem ou por uma mulher, é sempre igualmente traumatizante.


O que vale é que na mesma página onde MST debita tanta parvoíce, vem um artigo notável e hilariante do Eduardo Prado Coelho intitulado ‘Inspirações’. EPC do melhor, com aquela ironia muito fina e subtil dele, a propósito da afirmação de Marcelo Rebelo de Sousa de que o espírito santo inspirou a escolha do novo papa. Vale a pena ler. Como agora os conteúdos da edição impressa do Público são condicionados, deixo aqui a parte final do artigo.

«Será que o Papa só inspira cardeais? Se assim é, pergunto-me se vale a pena estar Deus a esforçar-se para influenciar pessoas que são o que há da mais alta espiritualidade. Se não, então até onde vai o desejo inspirador no Espírito Santo? Até José Mourinho? Até José Sócrates, que está manifestamente, e com todo o merecimento, em estado de graça? Até Ribeiro e Castro? Até Marques Mendes? Ou Scolari (bem pago para ser inspirado)? Ou até Nicole Kidman (mais inspiradora do que inspirada)? Há aqui um problema teológico que temos dificuldade em deslindar. Isso não impede que Marcelo continue a analisar friamente as coisas em termos de estratégia e cálculo político. Acredito na sua fé - como acredito em todos os que têm fé. Mas que é acreditar? Dificilmente se aceita que Isaltino Morais (criador do verbo "isaltinar") esteja inspirado para se candidatar a Oeiras? E Fátima Felgueiras inspirou-se em quem? Este Espírito Santo não tem mãos a medir. Nem homens. Nem políticos. Nem a política do Vaticano. Nem a de Durão Barroso.
P. S. - No momento em que escrevo, um voto: que o Espírito Santo inspire o Sporting.»



A propósito da decisão do tribunal de Ponta Delgada, corre, na comunidade Quid Juris, discussão profunda e acalorada.