miguel (innersmile) wrote,
miguel
innersmile

dias no egipto viii (fim)

2 de Abril

«Alexandria parece uma cidade europeia. Aliás, parece uma cidade colonial que parece uma cidade europeia. É curioso que as três cidades que visitámos são tão diferentes: Alexandria é uma cidade europeia, o Cairo é uma cidade árabe e Assuão uma cidade africana.»

«A Biblioteca de Alexandria, que foi emocionante visitar. Primeiro porque é um edifício lindíssimo, quer exterior quer interiormente. Depois porque tem um valor simbólico muito forte, que nos deixa ‘comovidos e mudos’, ao estabelecer um laço de ligação, uma continuidade entre a modernidade e a antiguidade. Como se fosse a mesma biblioteca, depois de mil e seiscentos anos de interrupção.»

«Só tive pena de não visitar nada relacionado com o Cavafys, que é a minha grande referência, até mais do que Alexandre O Grande, da cidade. Gostava muito de ter visitado a casa-museu do poeta. Mas mesmo assim passei o tempo todo à sua procura, a procurar vê-lo nas casas, nas ruas, nos passeios, nas arquitecturas, nos rapazes belos da Universidade de Alexandria que se passeiam, dois a dois, pelas ruas de braço dado.»

«Foram férias inesquecíveis, porque o Egipto é um país colossal. Enorme, marcado pela fertilidade extraordinária do vale e do delta do Nilo, que é um rio absoluto, berço de civilizações, dádiva da natureza, verdadeiro tesouro de um país de tesouros. Com uma riqueza patrimonial e arqueológica sem paralelo. Um país vibrante, cheio de gente, pulsante, em que a cultura árabe domina, mas que tenta, com sucesso, estar aberto à modernidade e ao mundo.
Para sempre ficam alguns momentos. A chegada ao Cairo, ver a cidade vasta e estendida e luminosa do alto do avião. O cruzeiro de barco pelo Nilo. O Nilo, que é um rio fascinante, pelo qual nos apaixonamos. As pirâmides de Guiza, solares e perfeitas. As horas nocturnas que passámos num hotel de baixa categoria em Assuão. A Biblioteca de Alexandria, a sua arquitectura e a história da sua refundação. O templo de Abu Simbel. E, claro, a grandeza de Luxor e Karnak. O colosso de Memphis. A necrópole de Sakara e a mastaba de Mereruka. O sol impiedoso do Vale dos Reis. Os templos de Kom Ombo, de Philae e de Horus, em Edfu. Os vendedores nos barcos a remos na eclusa de Esna. O Old Cataract Hotel, em Assuão.
Este mergulho integral numa das mais brilhantes civilizações de todos os tempos, e à qual não podemos ficar indiferentes depois de vermos, ao vivo e in loco, a riqueza e a beleza, a perfeição e a elegância, da sua arte e da sua cultura.»
Tags: viagem
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