miguel (innersmile) wrote,
miguel
innersmile

dias no egipto iv

29 de Março

«São onze horas. Em Luxor, a bordo do MS Caprice, à espera que ele comece a navegar no Nilo, para sul, subindo o rio até Assuão. Da janela aberta da cabine, o lençol de água e a margem intensamente verde do Vale do Nilo, e, lá atrás, o deserto.»

«Já saí, fiz umas compras. Fica-se sempre com a sensação de que se foi enganado, de que os preços da negociação são sempre aleatórios, de que se pagou demais, de que se a negociação tivesse sido melhor conduzida se tinha pago menos. O preço final depende de muita coisa, depende de tudo, até da hora do dia: é mais caro de manhã (a importância do primeiro negócio do dia) do que de tarde.
Mas quando pagamos, estamos também a pagar pela simpatia, que pode ser irónica, mas nunca é cínica ou sarcástica, de quem vende. E, num caso ou noutro, essa simpatia pode mesmo ser gentil e amigável. Gosto muito de uma maneira de ser muito táctil, dos gestos, das pessoas não terem medo de se tocarem, de serem afáveis umas com as outras, e não meramente cordiais.»

«Há duas coisas que as palavras e a máquina fotográfica não conseguem registar: o cheiro do souq e o chamamento para a oração na mesquita.»

«Aqui no quarto, as cortinas abertas, o reflexo da luz na água vem espelhar-se como um filme só de luz que passa a correr no ecrã branco do tecto da cabine.»

«Nesta terra de deuses e faraós, às vezes parece tão fácil receber a graça de um deus, o favor de um príncipe. É sempre deles o tombadilho. É sempre deles o passo formoso em direcção aos olhos. Mas é sempre meu o olhar que se perde para além do vale fértil, nas montanhas que prenunciam a secura do deserto.»
Tags: viagem
Subscribe
  • Post a new comment

    Error

    default userpic
    When you submit the form an invisible reCAPTCHA check will be performed.
    You must follow the Privacy Policy and Google Terms of use.
  • 4 comments