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Exposições novas no CAV!
‘Uma Extensão do Olhar’, comissariada por Miguel Amado mostra obras da colecção da Fundação PLMJ. Para além do eventual interesse em descobrir qual o sentido ou a direcção um determinada colecção, este tipo de exposições valem sempre muito pelo valor das obras individuais expostas. A colecção apresentada, ou pelo menos a parte dela aqui exposta, é composta por fotógrafos nacionais, e as obras datam, se não estou em erro todas elas, das décadas de 90 e da corrente. Obras muito recentes, portanto, que de algum modo nos indiciam alguns dos caminhos da fotografia de arte em Portugal, em duas variantes fundamentais: uma de representação do real como ponto de confluência do humano e de um olhar marcadamente cultural ou artístico, e outra que tem um pendor digamos mais intervencionista, que considera a fotografia um instrumento, ou um material, das artes plásticas. Confesso que, por educação, ou falta dela, sou sempre mais sensível à primeira das variantes enunciadas, e é aí que residem as obras que mais me agradaram na exposição.
Como tem o patrocínio do Público, é provável que, à semelhança do que tem acontecido recentemente, o jornal traga um dia destes o catálogo da exposição como oferta promocional.

No projecto room, duas instalações muito interessantes. ‘Le Pli’, de Cecília Costa, é um video que mostra em registo frontal um grupo de pessoas, jovens, a ler um painel onde se inscrevem palavras que denominam cores e que são escritas em cor diferente da que é enunciada: verde aparece escrito em cor cinzenta, por exemplo, e por aí fora, no que é conhecido como ‘efeito de Stroop’, e que é um teste à organização do nosso cérebro em hemisférios. À instalação interessa sobretudo o registo das reacções das pessoas, nomeadamente ao facto de se enganarem e a forma como lidam com o erro.
A outra instalação é de João Pombeiro, denomina-se ‘Schizo’, e consta de uma remontagem das célebres cenas da perseguição no milheiral do filme North By Northwest, de Hitchcock. Na remontagem apresentada, para além da alteração da sequência, foi digitalmente apagado o avião, de modo que o resultado é perplexizante: uma série de planos de um Cary Grant atormentado e em fuga nunca se sabe por e de quê, e consequentemente dos seus próprios fantasmas, do seu próprio vazio.
Tags: exposições
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